Loja de móveis planejados funcionava na Avenida Vicente de Carvalho, Zona Norte do RioArquivo pessoal
Publicado 14/08/2025 17:14
Rio - A loja de móveis planejados acusada por clientes de aplicar um golpe encerrou as atividades em julho e desativou todos os canais de comunicação, deixando ao menos 12 consumidores sem receber os serviços pagos. O prejuízo estimado ultrapassa R$ 150 mil. A reportagem de O DIA tenta contato com os proprietários do estabelecimento, mas sem sucesso.
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O DIA apurou que, seis meses antes de suspender as operações, o perfil oficial da Planejartty Convictta Planejados Móveis e Decorações nas redes sociais afirmou ter sido hackeado, e alegou que, por esse motivo, não poderia responder aos clientes. A partir daí, o atendimento passou a ser realizado apenas por um aplicativo de mensagens ou presencialmente na loja física.

No entanto, desde 29 de julho, a empresa deixou de responder aos consumidores, e a unidade localizada na Avenida Vicente de Carvalho, nº 525, fechou as portas repentinamente. Em mensagens trocadas com algumas vítimas do possível golpe, a loja informou, no dia 21 de julho, que iria paralisar as atividades, mas que, "para honrar compromissos", selecionaria três empresas parceiras para concluir a produção e montagem dos móveis pendentes.
Leia as mensagens abaixo:

Apesar da promessa, os clientes afirmam que não receberam mais informações e permanecem no prejuízo. A empresa também informou que não teria condições financeiras de realizar reembolsos.
Algumas dessas denúncias foram registradas na 27ª DP (Vicente de Carvalho), que passou a investigar o caso.
Relato de uma das vítimas
Entre as pessoas que afirmam ter sido lesadas está a assistente administrativa Ingryd Santos, de 29 anos, moradora de Bonsucesso, na Zona Norte. Ela conta que todo o processo começou em junho de 2023, quando solicitou um orçamento com a empresa. "Aparentemente, era uma empresa sólida, com mais de 40 anos de mercado, perfil ativo no Instagram e boas indicações. Fechei o contrato no mesmo mês, pagando uma entrada e parcelando o restante em 18 vezes, totalizando R$ 19,3 mil", disse.

Segundo Ingryd, a empresa sabia que a entrega só aconteceria anos depois, pois as chaves do seu apartamento seriam entregues apenas neste ano. A cliente afirma que, ao longo de 2024, teve dificuldades para resolver pendências e pagar boletos, enfrentando demora e má vontade no atendimento. No início de 2025, a situação piorou e a loja excluiu o perfil nas redes sociais alegando que havia sido hackeada, mas as justificativas começaram a soar suspeitas.

"Passei a ir pessoalmente ao endereço e sempre falava com a suposta gerente, Elayne Casella, que dava respostas evasivas e promessas falsas. Quando recebi as chaves do apartamento, marcaram uma data para as medições, mas ninguém apareceu. O suposto dono, Luís Carlos Arruda, me disse que estavam trocando os sócios, mas que os contratos seriam cumpridos. Não aconteceu", diz.
A vítima conta que tem guardado registros em vídeo, conversas e promessas feitas pela gerente, que comprovam o compromisso assumido pela empresa. Ainda segundo Ingryd, ela está em um grupo com outras famílias que também foram lesadas pela mesma loja. "Na última visita da minha mãe ao local, a cena foi caótica: funcionários retirando materiais da loja e diversos clientes revoltados, em um verdadeiro clima de manifestação".
 
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