Publicado 10/09/2025 19:49 | Atualizado 10/09/2025 20:28
Rio – Michela Morato, mãe do feirante Pedro Henrique Morato Dantas, assassinado a tiros na Penha, Zona Norte, em abril deste ano, começou a viver na segunda-feira (8) a expectativa de um acalento em meio a tanta dor. No Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), ela esteve presente ao início do julgamento do réu Fernando Ribeiro Baraúna, policial militar que foi preso em flagrante pelo crime.
PublicidadeEm conversa com a reportagem de O DIA, Michela abriu o coração sobre como tem lutado para seguir em frente, cinco meses após a perda de Pedro, aos 20 anos: “Minha vida não faz mais sentido. Não tem um dia que eu não pense em meu filho. Sinto o cheiro dele, tudo o que faço me lembra ele. Não tenho mais ânimo. A tristeza e a dor tomaram conta dos meus dias”.
A nutricionista, de 47 anos, define o filho como “uma criança no corpo de um adulto: “Meu filho era a alegria, a bondade e a inocência em uma criança grande”.
Sobre o julgamento do PM, que ainda está na fase de audiência de instrução com testemunhas, Michela só espera por justiça: “Porque o Deus que servimos não permitiu que isso acontecesse em vão”, afirma a mãe de Pedro, completando o desabafo: “Passei a metade da vida educando meu filho para que fosse trabalhador, respeitador, honesto. E esse homem o abordou e o matou como se fosse um vagabundo”.
Na audiência de instrução, além de depoimentos de testemunhas de acusação e defesa, acontece ainda o interrogatório ao réu. Após essa etapa, será a vez da sentença de pronúncia, quando o juiz definirá se o submete ou não a júri popular - desta decisão, cabe recurso.
Nesta quarta-feira (10), devido à ausência de duas testemunhas, o juiz Guilherme Schilling Pollo Duarte, da 4ª Vara Criminal da Comarca da Capital, decidiu retomar o julgamento somente no dia 20 de outubro.
O caso
De acordo com as investigações da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), o crime aconteceu após o agente, que estava de folga, sair de uma boate na região da Penha acompanhado da mulher. O casal se envolveu em uma discussão no interior do local, onde Fernando foi atingido com uma garrafada no pescoço.
O PM, lotado no 18º BPM (Jacarepaguá,) passou a perseguir o agressor em uma feira livre que estava sendo montada nas imediações. Segundo os agentes da DHC, Fernando confundiu Pedro Henrique, que iniciava seu trabalho na feira, com a pessoa que o havia atingido na boate e atirou no feirante. A vítima morreu no local. O policial está preso preventivamente desde então.
Leia mais

Comentários
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.