Familiares e amigos carregaram o caixão de Rodrigo Santana em cortejo no Cemitério de IrajáReginaldo Pimenta / Agência O Dia
Publicado 13/09/2025 17:47 | Atualizado 13/09/2025 18:15
Rio - O vascaíno Rodrigo José da Silva Santana, de 36 anos, baleado na cabeça em uma briga entre torcidas em Oswaldo Cruz, foi sepultado na tarde deste sábado (13), no Cemitério de Irajá, na Zona Norte.
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Durante a cerimônia, dona Ivonete, mãe de Rodrigo pediu o fim da violência relacionada ao futebol. Depois do discurso, familiares e amigos aplaudiram e cantaram o hino do Vasco em homenagem à vítima. O clube e a organizada Força Jovem enviaram coroas de flores. Rodrigo deixou a mulher e quatro filhos, sendo o mais novo uma bebê de apenas 4 meses.
"O que ele mais amava era o Vasco. Não tirava a camisa. Por favor, parem de brigar. Vocês estão morrendo. Peço para não brigarem por causa de futebol. Eu perdi o meu filho, tão calmo, tão tranquilo. Torçam para o time de vocês, mas não briguem. Não deixem a mãe, a mulher e as crianças sem vocês, como Rodrigo está deixando. Eu nunca mais vou ouvir o meu filho me chamar de mãe. A família está sofrendo. Cuidem da vida e da família de vocês", disse a mãe.
O torcedor foi atingido momentos antes do clássico entre Vasco e Botafogo, ocorrido no Estádio Nilton Santos, em Engenho de Dentro, também na Zona Norte, na última quinta-feira (11). Segundo Gustavo Lourenço, 35, amigo da vítima, Rodrigo estava apenas confraternizando com colegas e não ia assistir a partida. Ele iria buscar uma de suas filhas na casa da mãe dela após o grupo ir para a arquibancada.
"Ele era do bem, família, trabalhava. Fazia mais ou menos um ano que ele não ia pra jogo. Na hora que ele resolveu encontrar os amigos, para uma resenha, aconteceu essa fatalidade. Ele era um exemplo para todos nós", lamentou.
A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) investiga o caso. De acordo com informações preliminares recebidas pela especializada, a briga envolveu torcedores do Flamengo e do Vasco. Além da morte, o episódio deixou um outro vascaíno ferido.
A Polícia Civil informou que agentes analisam imagens e outras diligências estão em andamento para apurar a autoria dos disparos e identificar os envolvidos.
O que dizem as organizadas?
Sobre as briga, a organizada Fúria Jovem do Botafogo reforçou que não possui envolvimento com o episódio. "Reforçamos nosso compromisso com a segurança pública e reiteramos nosso repúdio a qualquer ato de violência, reafirmando que nosso papel é apoiar o Botafogo de forma pacífica, responsável e com respeito à sociedade", disse. 
A Força Jovem do Vasco lamentou a morte do torcedor e repudiou o uso de violência, "sobretudo quando praticada com o uso de arma de fogo".
"Circulam nas redes sociais diversos vídeos que expõem a covardia e brutalidade deste crime, cometido por integrantes de uma suposta torcida que sequer estava envolvida na partida em questão. Esperamos que as autoridades competentes investiguem com rigor e que os responsáveis sejam identificados e punidos de forma exemplar", afirmou.
Ainda em comunicado, a organizada reiterou que está à disposição para colaborar no que for necessário, "seja no apoio às autoridades na manutenção da ordem pública, seja na busca pela verdade e pela justiça."

"Nossa torcida está de luto por mais uma vida ceifada de maneira covarde. Manifestamos nossa solidariedade aos familiares e amigos da vítima, desejando força e conforto neste momento de imensa dor.", finalizaram.
O terceiro pelotão da Torcida Jovem Fla, que atua em Oswaldo Cruz e em outros 11 bairros adjacentes, negou participação no episódio em uma nota divulgada nas redes sociais. 
"O pelotão apenas se se reúne em dias de jogos do Flamengo com intuito único de apoiar o Clube de Regatas do Flamengo. Importante esclarecer que na presente data estava ocorrendo clássico de duas torcidas rivais do clube, logo não tem motivos plausíveis para qualquer reunião. Cumpre esclarecer que o nosso pelotão não compactua com nenhum ato de violência e vandalismo", diz a nota.
*Colaboração de Reginaldo Pimenta
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