Publicado 14/09/2025 17:28
Rio - Mateus Casemiro dos Santos, que morreu em uma briga nos arredores do Estádio Nilton Santos, no Engenho de Dentro, na Zona Norte, no sábado (13), era integrante de uma torcida organizada do Olaria Atlético Clube, time da Rua Bariri, localizada na mesma região. Foi a segunda morte relacionada à violência no futebol em um período de 48h.
PublicidadeA Torcida Jovem Olaria (TJO) publicou uma nota de pesar nas redes sociais. Segundo a postagem, Matheus era figura constante na arquibancada do tradicional clube do subúrbio carioca, que completou 110 anos de fundação em julho passado.
"Perdemos não apenas um integrante da Torcida Jovem do Olaria, mas também um amigo leal, guerreiro e companheiro de tantas batalhas na arquibancada da Rua Bariri. Estamos profundamente arrasados com essa perda tão cruel e repentina. Mateus sempre será lembrado pelo seu sorriso, pela sua força e pela dedicação à nossa torcida. Ele deixou marcas que jamais serão apagadas. Desejamos muita força e conforto a toda a família e aos amigos nesse momento de dor. Saibam que não estão sozinhos. A família TJO está unida em oração e solidariedade", diz o texto.
A organizada ainda pediu que os autores do assassinato sejam identificados e punidos "com extremo rigor da lei".
O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC). Segundo a Polícia Civil, as diligências estão em andamento para apurar a autoria e as circunstâncias do crime.
Briga
A Polícia Civil informou que a morte de Mateus está relacionada com a briga entre torcedores nos arredores do Estádio Nilton Santos, em Engenho de Dentro, na Zona Norte, ocorrida neste sábado (13).
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram pessoas confrontando policiais militares na Rua José dos Reis. Em outra gravação, um grupo agride um homem com pedaço de madeira, socos e chutes. A vítima consegue se desvencilhar dos agressores e deixa o local andando.
Moradores da região relataram momentos de tensão na região. Nas imagens, homens vestidos de preto são perseguidos por PMs. Bombas foram usadas para dispersar a multidão.
A Polícia Militar destacou que agentes do 3º BPM (Méier) e do Batalhão Especializado em Policiamento em Estádios (Bepe) atuaram para dispersar pessoas em uma briga próximo ao estádio do Botafogo. De acordo com a corporação, dois feridos foram socorridos e levados ao Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro. A PM destacou que um deles, após receber alta, foi detido e conduzido para a 24ª DP (Piedade).
Segunda morte em 48h
A morte de Mateus foi a segunda registrada de um torcedor no período de 48h. Na última quinta-feira (11), o vascaíno Rodrigo José da Silva Santana, de 36 anos, morreu ao ser baleado na cabeça durante uma briga entre torcidas organizadas em Oswaldo Cruz, na Zona Norte, momentos antes do clássico entre Botafogo e Vasco pela Copa do Brasil, no Estádio Nilton Santos.
Segundo um amigo, a vítima não ia assistir a partida no estádio. Ele estava apenas confraternizando com colegas em um churrasco e depois ia buscar uma filha na casa da mãe dela quando o grupo fosse para a arquibancada.
Rodrigo foi sepultado na tarde deste sábado (13) no Cemitério de Irajá, também na Zona Norte. Durante a cerimônia, a mãe da vítima pediu o fim da violência no futebol.
"O que ele mais amava era o Vasco. Não tirava a camisa. Por favor, parem de brigar. Vocês estão morrendo. Peço para não brigarem por causa de futebol. Eu perdi o meu filho, tão calmo, tão tranquilo. Torçam para o time de vocês, mas não briguem. Não deixem a mãe, a mulher e as crianças sem vocês, como Rodrigo está deixando. Eu nunca mais vou ouvir o meu filho me chamar de mãe. A família está sofrendo. Cuidem da vida e da família de vocês", disse dona Ivonete.
O caso também é investigado pela DHC. De acordo com informações preliminares recebidas pela especializada, a briga envolveu torcedores do Flamengo e do Vasco. A corporação informou que agentes analisam imagens e outras diligências estão em andamento para apurar a autoria dos disparos e identificar os envolvidos.
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