Publicado 16/09/2025 08:34
Rio - A Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) realizou, nesta terça-feira (16), a maior ação da história do Brasil de combate ao tráfico de animais silvestres, armas e munições. A operação São Francisco contou com mais de mil agentes atuando no Rio, Baixada Fluminense e nas Regiões Serrana e dos Lagos, além de em São Paulo e Minas Gerais. Um dos alvos foi Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias. Ao todo, 40 pessoas foram presas. fotogaleria
PublicidadeA megaoperação teve apoio da Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade (Seas) e cumpriu mais de 40 mandados de prisão e 270 de busca e apreensão. As investigações levaram um ano e identificaram 145 criminosos envolvidos no esquema da maior organização criminosa do Rio, que tem ligações com facções de outros estados. Entre eles, o deputado estadual destituído TH Joiais, preso no início do mês, por usar o mandato para favorecer traficantes do Comando Vermelho. Ele é investigador por negociar os animais.
"A Operação São Francisco é a maior da história do Brasil contra o tráfico de animais silvestres, armas e munições. Estamos falando de uma quadrilha que, além de destruir a nossa fauna e ameaçar a biodiversidade, também alimentava a violência com a venda de armamento pesado", afirmou o governador do Rio, Cláudio Castro.
Ao todo, 40 pessoas foram presas e mais de 600 animais apreendidos, entre araras, tucanos, papagaios, macacos, jabutis, entre outros. Alguns deles não resistiram. Durante a atuação das equipes na comunidade da Mangueira, na Zona Norte, moradores relataram uma intensa troca de tiros. Por conta do confronto, cinco unidades escolares da rede municipal foram impactadas e uma unidadede saúde precisou suspender as atividades externas, como as visitas domiciliares. O atendimento no local foi mantido.
Na ação, uma policial civil acabou atingida de raspão na perna e está fora de perigo e um suspeito também foi baleado e encaminhado para o Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Não há informações sobre o quadro de saúde dele.
Esquema tinha caçadores e especialistas em primatas
As investigações apontam que o grupo vinha explorando há décadas o tráfico de animais silvestres, sendo o principal responsável pela venda em feiras clandestinas. A quadrilha era organizada em diversos núcleos, sendo um deles de caçadores, que faziam a caça em larga escala dos bichos em seus habitats naturais. Havia ainda um setor especializado em primatas, que caçava, dopava e vendia macacos para outros integrantes. Muitos deles eram retirados de áreas como o Parque Nacional da Tijuca e o Horto.
Segundo a polícia, após a captura, os animais eram transportados de forma cruel pelo núcleo de atravessadores, que tinham a função de entregar os bichos para a comercialização. Havia ainda os setores de falsificadores, que vendiam anilhas, selos públicos, chips e documentos falsos, usados para mascarar a origem ilícita dos animais, e o de armas, responsável pelo fornecimento de armamento e munições para a organização.
O esquema atua de forma armada e os bandidos também traficavam armas e munições para garantir a continuidade das ações criminosas. O inquérito apontou que os traficantes mantinham relações próximas com as facções criminosas, garantindo a venda em feiras clandestinas em áreas exploradas pelo tráfico de drogas. Os investigadores qualificaram ainda diversos consumidores finais, que adquiriram animais silvestres de forma ilegal, fomentando toda a cadeia criminosa.
"Por meio de uma investigação profunda e meticulosa, conseguimos comprovar a ligação dessa organização criminosa com as facções que todos os dias atacam a liberdade da nossa população. Além do crime ambiental, que é gravíssimo, esse grupo ainda comercializava armas e munições, que eram usadas para a prática de diversos outros delitos", apontou o secretário de Polícia Civil, delegado Felipe Curi.
Base de apoio para animais
Para dar apoio à operação, foi montada na Cidade da Polícia, no Jacaré, Zona Norte, uma base para onde os animais serão encaminhados. No local, eles receberão atendimento médico veterinário por profissionais voluntários e serão avaliados por peritos criminais. Em seguida, serão levados para centros de triagem, para garantir a reintrodução na natureza.
Base de apoio para animais
Para dar apoio à operação, foi montada na Cidade da Polícia, no Jacaré, Zona Norte, uma base para onde os animais serão encaminhados. No local, eles receberão atendimento médico veterinário por profissionais voluntários e serão avaliados por peritos criminais. Em seguida, serão levados para centros de triagem, para garantir a reintrodução na natureza.
"A operação é um marco na desarticulação das quadrilhas que agem há décadas no Rio de Janeiro explorando animais. É um verdadeiro extermínio silencioso da nossa fauna, um crime que destrói ecossistemas e ameaça diretamente a biodiversidade do Brasil. Esse tráfico de animais não é apenas crueldade: é um corredor da morte, já que muitos morrem antes mesmo de chegarem à venda. Isso mostra a brutalidade desse comércio", disse o secretário estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Bernardo Rossi.
A ação também conta com o apoio de delegacias dos Departamentos-Gerais de Polícia Especializada (DGPE), da Capital (DGPC), da Baixada (DGPB) e do Interior (DGPI), da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e da Subsecretaria de Inteligência (Ssinte), do Ministério Público, com colaboração do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
O presidente da Comissão de Animais Silvestres e Pets Não Convencionais do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio de Janeiro (CRMV-RJ), médico-veterinário Jeferson Rocha Pires, acompanhou os trabalhos na base montada na Cidade da Polícia, onde os animais estão sendo avaliados e recebem os primeiros atendimentos.
"Estamos diante de um cenário crítico. Muitos desses animais são ameaçados de extinção e chegaram em condições extremamente delicadas, alguns debilitados e outros já sem vida. Nosso papel aqui é garantir avaliação clínica, identificar necessidades imediatas de tratamento e dar suporte técnico para que, posteriormente, sejam encaminhados aos centros de triagem e, quando possível, reintroduzidos na natureza", destacou Pires.
"Estamos diante de um cenário crítico. Muitos desses animais são ameaçados de extinção e chegaram em condições extremamente delicadas, alguns debilitados e outros já sem vida. Nosso papel aqui é garantir avaliação clínica, identificar necessidades imediatas de tratamento e dar suporte técnico para que, posteriormente, sejam encaminhados aos centros de triagem e, quando possível, reintroduzidos na natureza", destacou Pires.
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