Decisão na sede do TRF2 pela manutenção da prisão de TH Joias foi por unanimidadeÉrica Martin/Agência O Dia

Rio - O Tribunal Regional Federal (TRF) da 2ª Região (Rio de Janeiro e Espírito Santo) decidiu por unanimidade, na tarde desta segunda-feira (8), manter a prisão de Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias. A determinação vale para outros 13 detidos na operação conjunta Zargun, deflagrada semana passada por Polícia Civil, Polícia Federal e Ministério Público do Rio de Janeiro (MRPJ).
TH Joias foi preso no último dia 3, na operação conjunta Zargun - Reginaldo Pimenta/Agência O Dia
TH Joias foi preso no último dia 3, na operação conjunta ZargunReginaldo Pimenta/Agência O Dia
 
Nesta lista de envolvidos estão Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, o Dudu, ex-assessor parlamentar de TH; o traficante Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como Índio do Lixão; o ex-secretário estadual de Esportes e advogado Alessandro Carracena; o delegado federal Gustavo Stteel e cinco policiais militares.
No último dia 4, a Justiça do Rio já havia mantido a prisão preventiva de TH Joias após o juízo da Central de Audiência de Custódia de Benfica (Ceac-Benfica) entender que não houve irregularidades na prisão.
O caso
TH Joias foi preso na manhã do último dia 3, na Barra da Tijuca, Zona Oeste. Ele é investigado por organização criminosa, tráfico internacional de armas e drogas, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.
De acordo com apurações policiais, o parlamentar usava seu mandato para favorecer o crime organizado, intermediando a compra e venda de drogas, fuzis e equipamentos antidrones destinados a comunidades controladas pelo Comando Vermelho.
Segundo a PF, TH recolheu R$ 9 milhões em espécie no Complexo do Alemão para trocar por dólar para o CV. A conversão seria uma maneira de o parlamentar lavar dinheiro para a facção criminosa.
Já a Policia Civil aponta movimentações financeiras suspeitas envolvendo empresas ligadas a Thiego, com alertas sucessivos emitidos por instituições financeiras, reforçando a prática de lavagem de dinheiro. O secretário de Polícia Civil, delegado Felipe Curi, destacou a gravidade do caso.

"Estamos diante de uma investigação que comprova a infiltração direta do crime organizado dentro do parlamento fluminense. O deputado eleito para representar a sociedade colocou seu mandato a serviço da maior facção criminosa do Rio de Janeiro. A 'Operação Bandeirante' é mais uma demonstração de que não haverá blindagem política para criminosos: seja traficante armado na favela ou de terno na Assembleia, a resposta do Estado será a mesma", disse.
Destituição do cargo
Horas após ser preso, TH foi destituído da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) devido à decisão do governador Cláudio Castro (PL) de exonerar Rafael Picciani (MDB) do cargo de secretário estadual de Esporte e Lazer, o que o fez voltar ao Legislativo.
A medida do governador evitou a necessidade de abertura de processo de cassação contra TH Joias, que assim, perdeu foro privilegiado e imunidade parlamentar, que só permitem prisão em flagrante ou em crimes inafiançáveis. Por isso, o processo segue em tramitação normalmente no TJRJ.
Em nota, Castro destacou que o retorno de Picciani à Alerj já estava previsto, mas acabou antecipado por causa da prisão de TH.