Publicado 19/09/2025 14:53 | Atualizado 19/09/2025 15:37
Rio - "Ele era minha base, minha rede de apoio. Fica mais difícil a cada dia. Não sei o que será da minha vida no futuro". Há uma semana, Thalyta Santana, de 31 anos, convive com a dor da morte do marido, o vascaíno Rodrigo José Santana, 36, baleado na cabeça durante uma briga entre torcidas organizadas em Oswaldo Cruz, Zona Norte. Em busca de forças para seguir, a mulher ainda precisa auxiliar os filhos, que sentem falta do pai.
PublicidadeO barbeiro estava confraternizando com amigos antes do clássico entre Botafogo e Vasco, no último dia 11. A partida foi disputada no Estádio Nilton Santos, em Engenho de Dentro, ainda na Zona Norte, localizado a uma distância de cerca de 8 km do bairro onde Rodrigo estava. No local da reunião com os colegas, houve uma confusão envolvendo torcedores rivais e a vítima acabou baleada na cabeça. Ele não resistiu e morreu antes de chegar a uma unidade de saúde da região.
Ao DIA, a companheira do vascaíno, Thalyta Santana, contou que o marido tinha feito compras para casa com o dinheiro que recebeu. A quantia que sobrou, Rodrigo queria usar com o jogo do Vasco, válido pelas quartas de final da Copa do Brasil - o Cruzmaltino eliminou o Alvinegro nos pênaltis. Mesmo sem ingresso, Rodrigo foi para rua assistir. Ele estava falando com a mulher quando a briga começou.
"Fazia um tempo que ele não ia pra jogo, desde antes de eu engravidar. Tudo era para não faltar nada em casa. Ele tinha falado que, se sobrasse dinheiro, ia pro jogo. Sobrou uma merreca e então ele disse que ia encontrar o pessoal, que ia tentar ingresso. Ele tinha passado a noite inteira lavando o casaco branco dele, mas deixou no sofá. Por volta de 18h, sentiu frio e pediu pra eu enviar o casaco. Quando acontece isso, ele manda a localização. Aí apareceu que ele estava digitando. Tenho quase certeza que foi quando começou a confusão. Isso só deixa bem claro que foi uma emboscada que fizeram. Eu fiquei ligando para ele mandar a localização e umas 18h40 outro rapaz atendeu com ele já morto. Foi uma coisa muito rápida, de cerca de 30 minutos", explicou.
O barbeiro deixou quatro filhos, sendo duas meninas, de 12 e 10 anos, frutos de outro relacionamento. Com Thalyta, o vascaíno teve uma bebê, de quatro meses, e cuidava do filho dela, de 9 anos, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O homem e o menino, que o conheceu quando tinha 2 anos, tinham uma forte ligação e a criança segue esperando por seu retorno.
"Rodrigo sempre foi uma pessoa incrível. Todos que precisavam de conselho e de ombro amigo o procurava. Ele era o meu melhor amigo antes de tudo, antes da gente ter um relacionamento. Era um pai incrível e as crianças sentem muita falta. Meu filho sente a ausência dele de forma esmagadora. Era quem ele conhecia como pai e referência. Ele escolheu ser Vasco, principalmente por conta do Rodrigo. Ficava sentado vendo jogo com ele. Agora, ele procura nos cômodos da casa, olha a janela, vê o corredor e vai na porta. Não tenho como explicar o que aconteceu. Na cabeça dele, pode ser alguém que sumiu, como 'meu pai me abandonou'", lamentou a viúva.
Além da relação com o menino, Thalyta destacou que o companheiro valorizava toda aprendizagem da sua filha mais nova. Com a morte do marido, a mulher não sabe como será o futuro da família.
"Rodrigo estava muito feliz com a bebê. Qualquer coisa mínima que ela aprendia, ele supervalorizava. Cada coisa nova que ela aprender, eu vou lembrar dele. Vou ter que tirar forças para comemorar sem o pai dela. No momento, não tenho alegria e nem perspectiva de futuro. Os nossos sonhos e planos eram juntos, tudo era para melhora dos nossos filhos. Eu ainda não me planejei, não consigo. Vou ter que me fazer feliz por ela, mas não sei como vou conseguir fazer isso", destacou.
Pedido de respostas
Uma semana depois do assassinato, Thalyta aguarda ansiosamente a elucidação do caso. Segundo ela, o autor do disparo pode ser facilmente encontrado, pois usava tornozeleira eletrônica e já tina envolvimento em outras brigas entre torcidas.
"O meu sentimento nos primeiros dias era um, mas agora se transformou em raiva. Tem fotos e vídeos da pessoa que fez o disparo. Tem um histórico de violência e de brigas. Por que que até agora nada aconteceu? Por que não temos uma resposta efetiva? Cadê o mandado de prisão desse cara? A única coisa que me falam é que está em sigilo, que estão buscando câmeras. Provavelmente, ele está escondido em algum lugar, mas o estado tem efetivo pra isso. Rodrigo vai virar só mais um número?", questionou.
O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC). A reportagem procurou a Polícia Civil para novidades sobre a investigação, mas ainda não teve retorno. O espaço está aberto para manifestação.
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