Sambista Marquinho PQD é sepultado no Jardim da Saudade de SulacapÉrica Martin / Agência O Dia
Publicado 30/09/2025 17:14
Rio - Familiares e amigos deram o último adeus a Marquinho PQD na tarde desta terça-feira (30), no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, na Zona Oeste. Mais cedo, o corpo do sambista foi velado na antiga quadra da Mocidade Independente de Padre Miguel, na Vila Vintém, também na Zona Oeste.
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Com direito a muito samba, a despedida de Marquinho foi embalada por sucessos escritos pelo compositor. 'Ogum', parceria com Zeca Pagodinho, foi uma das músicas tocadas no momento do sepultamento. Sob aplausos, o artista foi enterrado.
“Ele era o amor das nossas vidas. Um irmão que representa muito para nós e que vai fazer muita falta. Ele conquistou uma população de amigos com as músicas dele, trabalhou com a música desde de novinho. Era ótimo pai, ótimo irmão, ótimo amigo, cuidou tanto dos amigos”, se emocionou uma das irmãs de Marquinho, Ligia de Souza Nunes Sobral, de 64 anos.

Embora a morte de Marquinho tenha sido uma surpresa, para o amigo Aroldo Melo, o sambista já se uniu a Arlindo Cruz, que morreu em agosto, para compor novos sambas. “O Marquinho foi uma pessoa excelente. Vai deixar muita saudade, pode ter certeza. Perdemos mais um poeta. Bom, o Arlindo Cruz se foi há pouco tempo… agora os dois já devem estar compondo lá no céu, com certeza, porque foram dois poetas”, afirmou.

O amigo Luís Cordeiro, que serviu ao lado de Marquinho como paraquedista no Exército, relembrou os tempos em que conviveu com o artista. “Quando estava de serviço, ele chegava, dava uma ideia no comandante da guarda e dava o compromisso de chegar na hora. Ele ia para o samba, curtia, voltava e fazia o trabalho dele. De manhã, ele já estava lá cumprindo a missão dele e sem alteração, sem nada. Era um PQD perfeito”, contou.

Sambista enfrentou problemas intestinais

De acordo com Lígia, Marquinho enfrentou um problema intestinal por descuidar da saúde ao longo dos anos. “Ele se entregou muito para o trabalho e descuidou um pouquinho da saúde, porque não se alimentava na hora certa, porque tinha show aqui, ali… E foi quando ele começou com uma dor intestinal”, explicou.

Segundo a irmã de Marquinho, o sambista foi levado às pressas para o hospital. Após passar por exames, foi constatado que o intestino dele não funcionava há 10 dias. O artista passou por uma cirurgia, onde foi colocada uma bolsa de colostomia. Durante a operação, ele teve uma arritmia cardíaca e, por risco de parada cardiorrespiratória, foi levado ao Centro de Terapia Intensiva (CTI) do Hospital Municipal Pedro II.

“Passados 20 dias, com isso acontecendo, nós, os irmãos, ainda não sabíamos de nada, porque ele não queria que falassem para a gente. Ele sabia do amor da família por ele. Sabia que a gente ia sofrer com a dor dele”, revelou.

Marquinho teve uma melhora e foi encaminhado para a enfermaria. De acordo com Lígia, ele ficou internado três meses, até que teve alta. Embora devesse ficar de repouso, o artista continuou a cumprir a agenda de trabalho e a viajar. Foi quando a bolsa de colostomia começou a vazar. O sambista voltou ao hospital e foi constatado que ele estava com uma infecção muito grande.

Marquinho PQD chegou a ficar um tempo na enfermaria, mas voltou para o CTI, até que morreu, nesta segunda-feira (29).
Carreira de sucesso
Em mais de 40 anos de carreira, o sambista, que carregava no nome artístico a profissão de ex-paraquedista do Exército, produziu mais de 400 canções, muitas delas feitas com Arlindo Cruz (1958-2025); ('É Sempre Assim'), Zeca Pagodinho ('Ogum'), Jorge Aragão ('Abuso de Poder'), Sombrinha e outros bambas.
Na voz de Beth Carvalho (1946-2019), por exemplo, lançou 'Sonhando Eu Sou Feliz', 'Coração Feliz' e 'Se Vira', que integrou a trilha da novela da Globo 'Cheias de Charme'. Para o repertório de Jovelina Pérola Negra (1944-1998), apresentou o hit absoluto 'Luz do Repente'. Alcione, por sua vez, gravou 'Fora de Ocasião', pérola recorrente em rodas de samba.
Para Reinaldo (1954-2019), PQD entregou o hit 'Pra Ser Minha Musa'. O compositor fez, ainda, canções para os grupos Fundo de Quintal, Exaltasamba, Revelação, Kiloucura, Pirraça, Raça e outros. No Carnaval, compôs os sambas da Mocidade Independente de Padre Miguel dos anos de 1995 e 2000. O sambista era cria de Realengo, na Zona Oeste.
*Colaborou Érica Martin
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