Publicado 31/10/2025 09:51
Rio - A família de Douglas Christian Almeida, de 30 anos, baleado na frente do condomínio onde mora por PMs, no Engenho da Rainha, na Zona Norte, afirma que ele não estava armado e não reagiu à abordagem policial. De acordo com a Polícia Militar, o motorista trocou tiros com agentes, sendo autuado em flagrante por tentativa de homicídio.
PublicidadeAo DIA, Carine Andrade, 30, mulher de Douglas, conta que o marido estava voltando para casa, na noite da última terça-feira (28), após entregar um produto voltado ao emagrecimento para uma cliente - ambos têm uma microempresa no ramo.
A empreendedora lembra que ouviu barulhos de tiros e olhou nas câmeras de segurança. Ela viu o veículo da família parado na porta do condomínio, localizado na Estrada Adhemar Bebiano, e desceu para saber o que havia acontecido. Foi nesse momento que encontrou o companheiro ferido.
"Sabia que os tiros tinham sido bem próximos. Quando abri a câmera, vi o nosso carro parado. Foi aí que eu desci correndo. Encontrei ele com um tiro no maxilar, todo ensanguentado. Gritei pedindo socorro, até que veio uma viatura e levou a gente para o hospital", lembra.
Carine destaca que o acompanhou ao Hospital Federal de Bonsucesso, ainda na Zona Norte, e depois voltou para o condomínio, pois recebeu um aviso de que os policiais estavam revistando o automóvel para retirá-lo do local. Segundo a mulher, os PMs não tinham apresentado nenhuma arma atribuída a Douglas até então. Somente na delegacia, horas depois da ocorrência.
"Moradores viram a hora que meu marido saiu do carro e não tinha arma alguma. Alguns presenciaram toda a revista do carro. Só tinha meu material de trabalho e as mochilas da escola dos meus filhos. Eles tentaram tirar, de todas as formas, o veículo do local. Tem vídeos deles catando as cápsulas do chão. Até então, nós estávamos tranquilos, pois não acharam nada dentro do carro. Na delegacia, eles apresentaram uma arma com quatro munições, sendo duas usadas, alegando que meu marido trocou tiros com eles. Se tivesse pistola no local, teriam apresentado desde o início com a gente gritando que era morador e inocente", comenta.
De acordo com a Polícia Militar, o motorista não obedeceu a ordem de parada de agentes do Batalhão Tático de Motociclistas (BTM) e atirou contra a equipe. A corporação afirma que houve confronto e perseguição.
"Não estava armado. Temos provas dele saindo do carro sem arma. Como ele trocou tiro? Os quatro vidros estavam intactos e fechados. A única perfuração de bala, de fora para dentro, é de fuzil. Não tem perfuração de dentro para fora. Como ele vai correr da polícia e parar na porta do condomínio de casa? Se mandaram ele parar, ele não ouviu. Eu quero justiça. Foi forjado. É revoltante", contesta Carine.
Internado sob custódia
Douglas passou por cirurgia na última quarta-feira (29) e atualmente encontra-se sedado e internado sob custódia no Hospital Federal de Bonsucesso.
"O tiro destruiu a parte óssea do maxilar. Não está conseguindo falar. Ele está estável, mas o caso é grave. Vai precisar passar por cirurgias reconstrutoras. Meu marido, além de lutar pela vida, está sob custódia no hospital, sem poder ter visita, sendo acusado de tentativa de homicídio", explica a empreendedora.
Para Carine, os policiais estavam assustados com o clima tenso que tomava conta da região. O condomínio fica próximo ao Complexo do Alemão, onde, no mesmo dia, ocorreu a megaoperação que acabou com 121 mortos, se tornando a ação mais letal da história do país.
"Eles estavam tão assustados e nervosos, pois viram a besteira que fizeram. Eu acredito que eles estavam assustados com a situação da área. Eles viram um carro com vidro fechado, nas laterais tem insulfilm. Eles atiraram para matar mesmo", finaliza.
Os agentes registraram a ocorrência na 25ª DP (Engenho Novo). De acordo com a Polícia Civil, o homem foi autuado em flagrante pelos crimes de desobediência, tentativa de homicídio qualificado e porte ilegal de arma de fogo de uso permitido e o caso encaminhado à Justiça.
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