Bernardo Leal permanece internado no Hospital Samaritano, na Barra da TijucaReprodução
Publicado 12/12/2025 09:17 | Atualizado 13/12/2025 14:40
Rio - O governo do estado vai custear a prótese e o tratamento do delegado-assistente da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), Bernardo Annes Dias, que teve uma das pernas amputada após ser baleado na megaoperação nos complexos da Penha e Alemão, na Zona Norte, no dia 28 de outubro. O agente chegou a abrir uma "vaquinha" nas redes sociais para arcar com os gastos, no entanto, a Polícia Civil reforçou que a arrecadação não será necessária.
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Bernardo ficou em estado gravíssimo e precisou de doações de sangue. Ele permanece internado no Hospital Samaritano, na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste. Nesta quinta-feira (12), o delegado recebeu a visita do secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, e do diretor do Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE), André Neves, que lhe entregaram a Medalha Coragem.

"A Medalha Coragem é concedida com base em um critério objetivo e inegociável: apenas policiais civis atingidos por disparos em confronto durante operações ou diligências recebem essa honraria", disse Curi.
Ao DIA, a corporação esclareceu que a família não estava ciente do apoio do estado quando houve a criação da "vaquinha", mas que a situação já foi resolvida na manhã desta sexta-feira (12).
Em nota, o governo frisou que vai assumir integralmente os custos. "O estado reafirma seu compromisso com o pleno restabelecimento do delegado e com a oferta de todo o suporte necessário aos profissionais que, diariamente, trabalham pela segurança da população fluminense", disse em comunicado.

Na publicação, Bernardo havia revelado que estava na linha de frente da operação e que o objetivo principal do valor arrecado seria para que ele pudesse voltar à ativa.

"No calor do confronto, fui atingido. Um tiro de fuzil que rasgou minha coxa, atingiu a veia femoral e tudo mudou em um segundo. Eu perdi um pedaço de mim no combate, mas essa experiência não vai me parar. Pelo contrário, ganhei uma nova causa.

E é aqui que eu preciso de você. A ajuda de vocês não é apenas para pagar uma prótese, é para financiar o meu retorno. É para me dar a chance de caminhar de novo, de voltar a ser quem eu sou e continuar minha luta em defesa de toda a sociedade. Qualquer valor é um passo meu em direção à vida", disse.
 
Megaoperação deixou 122 mortos
A megaoperação deixou 122 mortos, sendo cinco policiais e 117 suspeitos. A ação se tornou a mais letal da história do Brasil. 
Dentre os agentes estão: os sargentos do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) Cleiton Serafim Gonçalves, 42 anos, e Heber Carvalho da Fonseca, 39; e os policiais civis Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho, 51, conhecido como Máskara, e Rodrigo Velloso Cabral, de 34.
O 5º policial civil que não resitiu foi Rodrigo Vasconcellos Nascimento, lotado na 39ª DP (Pavuna), que chegou a ficar quase um mês internado. Ele morreu no dia 21 de novembro no Hospital Copa D’Or, em Copacabana, na Zona Sul.
Já entre os suspeitos, investigações apontam que 40 vieram de outros estados, como Espírito Santo, Goiás, Bahia, Amazonas e Pará.
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