Bernardo Rubião, subprefeito da Zona Sul, ficou em cima de prancha após ação de fiscalizaçãoReprodução / Redes Sociais
Publicado 16/01/2026 14:59
Rio - O proprietário da Guarderia Náutica, alvo de uma ação de fiscalização da Subprefeitura da Zona Sul, em Copacabana, na última quarta-feira (14), nega qualquer agressão e tentativa de afogamento contra o subprefeito Bernardo Rubião. O responsável pela empresa registrou uma queixa por abuso de autoridade.
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Em suas redes sociais, Rubião contou que recebeu denúncias de falsos professores e de empresas que não possuíam alvará de funcionamento para o aluguel de pranchas e ensino de stand up paddle. Por isso, ele decidiu fiscalizar pessoalmente o trabalho. O subprefeito destacou que, durante a ação, foi agredido por funcionários.
"Em uma das apreensões, uma empresa se recusou a retirar os stand ups do mar. Mergulhei para fazer essa apreensão e fui agredido por funcionários, que tentaram me afogar para não efetuar essa apreensão. Se o próprio subprefeito, em uma ação legal, ficou nessa posição, o que os demais consumidores não sofreriam também?", disse Rubião.
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram Bernardo nadando em direção às pranchas. Depois, ele sobe em um dos equipamentos e, posteriormente, retorna à areia. No entanto, tais gravações não apresentam o momento da agressão.
Ao DIA, Daniel Andrade, proprietário da Guarderia Náutica, afirmou que nenhum funcionário tentou afogar Rubião, como o próprio subprefeito alegou. 
"Não procede a afirmação feita pelo subprefeito de que o instrutor da Guarderia tentou afogá-lo. Trata-se de uma acusação falsa, para a qual há testemunhas que comprovam o ocorrido. Mais estranho ele ter saído da água e em momento algum falou sobre afogamento ou agressão. Somente depois que eu acionei a polícia por abuso de autoridade, ele falou. Acionei a Polícia Militar para que fosse realizado o devido registro e o exame de corpo de delito. O subprefeito se retirou do local, não permitindo a adoção das providências cabíveis", destacou o empresário.
Uma testemunha, que preferiu não se identificar, disse que estava na água quando viu Rubião entrar e nadar em direção às pranchas. De acordo com o relato enviado ao DIA, o subprefeito ficou ofegante e subiu em um dos equipamento, porém estava sem remo. Um dos instrutores teria segurado a prancha dele para auxiliá-lo com a correnteza e as ondas.
"Eu fui ajudar ele a sair. Me ofereci para ajudar, pedi para ele me olhar e segurar na minha mão para passar segurança. Ele estava teimoso e hesitou, mas segurou. Perguntei se ele sabia nadar, disse que sim. Então o conduzi até a praia. Quando já dava pé, eu pedi para ele descer da prancha. Ele permaneceu. Eu falei das ondas. Ele continuou lá teimoso. Desci rapidamente e empurrei para traz a prancha dele para ele passar a arrebentação das ondas e não tomar um caldo. Ele então desceu da prancha, mas nem agradeceu. Já na calçada que eu soube que se tratava do subprefeito Acho válido a fiscalização para ordem, porém ele espalhou mentiras sobre os trabalhadores na internet. Certeza que a verdade aparecerá", relatou.
A testemunha ainda destacou a importância da modalidade para a sociedade. "O stand up paddle é um esporte incrível e literalmente transforma. Está em ascensão e em breve será esporte olímpico. Há um benefício para saúde física e mental para pessoas de todas as idades. Proporciona fortalecimento dos músculos e traz movimento para vida das pessoas, além da conexão com a natureza", completou.
O responsável pela Guarderia Náutica registrou um boletim de ocorrência na 12ª DP (Copacabana) por abuso de autoridade. Ele revelou que pretende entrar na Justiça por falsa comunicação de crime, pois o subprefeito também foi à delegacia para registrar sua versão. 
Alvará de funcionamento
Em sua denúncia, Rubião afirmou que a empresa não tinha alvará de funcionamento. Daniel também nega a informação, destacando que o alvará está ativo e a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (Cnae) é compatível com as atividades, que incluem aluguel de equipamentos náuticos e recreativos, cursos de náutica e outros serviços.
"A tentativa de impedir que uma loja física exerça o direito de alugar equipamentos náuticos, sob a alegação de que os clientes deveriam utilizá-los exclusivamente dentro do estabelecimento, representa uma restrição indevida à atividade econômica, além de ferir o direito constitucional de ir e vir. A alegação da prefeitura de que, ao alugar a prancha na loja, o cliente deveria utilizá-la dentro do próprio estabelecimento não procede", disse o empresário.
Questionada, a Subprefeitura da Zona Sul informou que, após a ordem para retirada das pranchas do mar para apreensão, os instrutores da escola não quiseram obedecer. O órgão reafirmou que o subprefeito foi agredido com remadas e pranchadas, que o jogaram para baixo d'água para afogá-lo.
Em relação ao registro de abuso de autoridade feito por Daniel, a Subprefeitura disse que a delegacia não aceitou a queixa, mesmo tendo um boletim de ocorrência impresso. Sobre o alvará, o órgão destacou que Daniel não possui licença para atividade de instrutor.
"Ele não é licenciado pela Secretaria Municipal de Esporte e Lazer para fazer a atividade de instrutor no mar, tampouco tem o Cnae necessário para realização dessa atividade. O alvará que ele possui é de loja, não de aluguel/instrução e sequer é situado no endereço da atividade que ele desempenha", disse em nota.
Procurada sobre a investigação, a Polícia Civil informou que os agentes 12ª DP (Copacabana) analisam imagens e realizam outras diligências para apurar os fatos.
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