Publicado 21/01/2026 20:00 | Atualizado 21/01/2026 21:00
Rio - A Justiça do Rio tornou ré Brígida Rachid José Pedro, que administra igrejas do Rio, pelos crimes de apropriação indébita e lavagem de dinheiro. Ela é acusada de desviar cerca de R$ 12 milhões de quatro instituições católicas ao longo de 10 anos. Uma delas é a tricentenária Igreja de Nossa Senhora da Conceição e Boa Morte, na Rua do Rosário, esquina com a Avenida Rio Branco, no Centro do Rio.
PublicidadeDe acordo com a denúncia do Ministério Público do Rio (MPRJ), Brígida executou um esquema sofisticado de drenagem patrimonial de entidades religiosas e assistenciais centenárias, valendo-se de abuso de confiança e do uso fraudulento de empresas.
As vítimas foram as irmandades católicas Venerável Irmandade do Glorioso Mártir São Braz, Patrimônio da Caridade da Venerável Irmandade do Glorioso Mártir São Braz, Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora da Conceição e Boa Morte e Caixa de Caridade da Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora da Conceição e Boa Morte.
Segundo o MPRJ, um retrato dessa administração voltada para o desvio sistemático de patrimônio é o estado da Igreja Nossa Senhora da Conceição e Boa Morte, na Rua do Rosário, Centro do Rio. Administrado por uma das irmandades geridas pela denunciada, o templo de três séculos está fechado há 10 anos, com elevado nível de deterioração.
Em abril de 2025, o DIA mostrou que o templo sofria com infestação de cupim, correndo o risco de perder elementos histórico. Artefatos litúrgicos, datados dos séculos XVII, XVIII e XIX, como obras de arte, tecidos ornamentais, vestimentas sacras, peças litúrgicas, e outros móveis que ornam a igreja, além de livros e documentos importantes, tinham evidente estado de deterioração. A rouparia antiga dos irmãos da Boa Morte era uma das que está completamente danificada.
A denúncia do MPRJ descreve que o canal para a apropriação dos recursos foi aberto em 2011, quando Brígida sucedeu os pais na administração das irmandades e assumiu a gestão absoluta dos bens eclesiásticos.
A denúncia do MPRJ descreve que o canal para a apropriação dos recursos foi aberto em 2011, quando Brígida sucedeu os pais na administração das irmandades e assumiu a gestão absoluta dos bens eclesiásticos.
"O modus operandi do esquema consistia na contratação da empresa Support Serviços Empresariais, criada pela própria denunciada, para a prestação de serviços e gestão imobiliária das entidades. De acordo com as investigações, trata-se de uma empresa de fachada, constituída ainda em 2011, apenas 16 dias antes de ser contratada pelas irmandades, à época ainda geridas pelos pais da acusada", informou o órgão.
O MPRJ ressaltou que não foi identificado nenhum funcionário empregado pela Support nos registros oficiais e que a empresa conta com capital social de apenas R$ 2 mil, embora movimente milhões de reais todos os anos.
O MPRJ ressaltou que não foi identificado nenhum funcionário empregado pela Support nos registros oficiais e que a empresa conta com capital social de apenas R$ 2 mil, embora movimente milhões de reais todos os anos.
"Assim, desde sua criação e até pelo menos o ano de 2024, a Support foi uma empresa de fachada, desprovida de capacidade operacional, criada exclusivamente para permitir a transferência ilícita de recursos das irmandades para o patrimônio da denunciada, ocultando a origem ilícita dos valores”, concluiu a denúncia.
Ainda segundo a ação penal, os valores entravam na conta da Support e eram posteriormente repassados a Brígida, que utilizava estratégias para ocultar e dissimular a origem dos recursos desviados. Além das provas materiais, a investigação reuniu robusta prova testemunhal para corroborar os fatos apurados.
Ao receber a denúncia, o Juízo da 2ª Vara Especializada em Organização Criminosa, do Tribunal de Justiça do Estado do Rio, determinou o afastamento da acusada da gestão das irmandades, a nomeação de um interventor indicado pela Mitra Arquiepiscopal, além da proibição de acesso de Brígida às sedes, documentos, contas bancárias ou qualquer estrutura ligada às instituições, bem como a seus funcionários.
Ainda segundo a ação penal, os valores entravam na conta da Support e eram posteriormente repassados a Brígida, que utilizava estratégias para ocultar e dissimular a origem dos recursos desviados. Além das provas materiais, a investigação reuniu robusta prova testemunhal para corroborar os fatos apurados.
Ao receber a denúncia, o Juízo da 2ª Vara Especializada em Organização Criminosa, do Tribunal de Justiça do Estado do Rio, determinou o afastamento da acusada da gestão das irmandades, a nomeação de um interventor indicado pela Mitra Arquiepiscopal, além da proibição de acesso de Brígida às sedes, documentos, contas bancárias ou qualquer estrutura ligada às instituições, bem como a seus funcionários.
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