Maria da Ajuda Nascimento Reprodução / Redes Sociais
Publicado 29/01/2026 10:21
Rio - Maria da Ajuda Santana do Nascimento, conhecida como Silvia, de 58 anos, que morreu depois de ser baleada nesta quarta-feira (28) no Catiri, Zona Oeste, era figura marcante em eventos na Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD) do Jardim Bangu. O templo emitiu uma nota de pesar nas redes sociais.
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A mulher foi atingida quando integrantes de um carro passaram atirando pela Avenida Dezenove de Abril. A vítima chegou a ser socorrida e encaminhada para o Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo. No entanto, não resistiu aos ferimentos. 
Um vídeo que circula nas redes sociais mostra Maria da Ajuda cantando em um evento no Dia da Mulher na IASD do Jardim Bangu. Devido à morte, não houve culto nesta quarta. 
"Com profundo pesar humano, mas firmes na esperança cristã, nos despedimos de nossa querida irmã. A dor da separação é real e Jesus não a ignora. Contudo, não choramos como os que não têm esperança. A morte não é o fim para os justos. É um breve descanso até o glorioso dia em que a voz de Cristo chamará seus filhos pelo nome. Nossa irmã Silvia descansou na fé, guardada nas mãos daquele que venceu a morte", disse a nota de pesar da IASD.
Ao DIA, a autônoma Jacqueline dos Santos, de 44 anos, amiga da vítima, contou que Maria da Ajuda vendia camisas evangélicas em uma loja e estava indo para o trabalho quando foi atingida por uma bala perdida.
"Era uma mulher temente a Deus e trabalhadora, uma pessoa que vai fazer muita falta e uma grande amiga. Eu estava a aguardando, pois abria a loja para ela todos os dias. Ela estava demorando muito a chegar. Foi quando recebi a notícia que ela havia levado um tiro de bala perdida de fuzil", explicou.
Ainda segundo Jacqueline, Maria tinha o sonho de voltar a morar na Bahia, onde nasceu. Um dos fatores para isso era a violência que assola a região. A vítima morava sozinha, estava separada e não tinha filhos.
"A gente sempre conversava sobre a violência no bairro, que era um lugar de paz. Hoje em dia, perdemos essa paz. As crianças e os adolescentes estão com problemas de ansiedade e depressão. As pessoas estão vendendo as casas e fechando comércios", completou.
Nas redes sociais, a amiga pediu justiça. "Minha eterna amiga Silvia, saudades eternas. Sei que agora está nos braços do Senhor e não haverá mais dor e sofrimento. Um dia iremos nos reencontrar. Deus fará justiça porque Ele é justo e fiel. Deus conforte a toda família nesse momento em nome de Jesus", escreveu.
No ataque desta quarta, uma segunda pessoa, ainda não identificada, também ficou ferida. Ela foi socorrida com ferimentos no braço e levada ao Hospital Albert Schweitzer. Desde 2023, a região do Catiri tem sido alvo de constantes disputas entre o Comando Vermelho (CV) e milicianos pelo controle do território.
A morte de Maria é investigada pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC). A Polícia Civil informou que diligências estão em andamento para apurar os fatos e a autoria do crime.
Ainda não há informações sobre o enterro da vítima.
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