Amanda Loureiro da Silva Mendes, de 27 anos, foi morta a tiros em QuintinoReprodução / Redes Sociais
Publicado 05/02/2026 09:57
Rio - A agente comunitária Amanda Loureiro da Silva Mendes, de 27 anos, assassinada pelo ex-companheiro à queima-roupa em Quintino, Zona Norte, nesta quarta-feira (4), foi definida por amigos como uma pessoa dedicada e uma profissional preocupada com a saúde da população na região.
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Amanda foi executada a tiros na Rua Clarimundo de Melo, a poucos metros da Clínica da Família Carlos Nery da Costa Filho, onde trabalhava. Uma câmera de monitoramento flagrou Wagner Beserra de Araújo sacando uma arma e atirando contra a vítima após uma discussão. Ela, que tinha uma medida protetiva contra o ex, chegou a ser socorrida e encaminhada para uma unidade de saúde da região, mas não resistiu. Wagner foi preso em flagrante horas depois.
Através das redes sociais, amigos lamentaram o caso. "Amanda, que Deus faça justiça por você! Meus sentimentos a todos. Estou arrasada, estive com ela essa semana. Tão jovem e cheia de planos para o futuro. Que Deus conforte os familiares nesse momento de tanta dor pela perda", disse uma internauta.
"Era uma agente incrível, dedicada e preocupada, uma rara profissional no sistema público de saúde, sempre disposta a ajudar quem precisa de atenção, seja com as consultas, receitas e exames. Fará muita falta como ser humano de exemplo e como excelente profissional. Que sua alma descanse, que a família seja amparada e consolada no colo do Pai e com o manto da Mãe", escreveu outro.
"O Sistema Único de Saúde (SUS) perdeu uma grande profissional, a família perdeu uma mãe de dois filhos pequenos e a sociedade perdeu uma mulher trabalhadora e chefe de família. Que tristeza", completou uma terceira.
O Sindicato dos Agentes Comunitários de Saúde do Município do Rio (Sindacs) emitiu uma nota destacando a gravidade do crime de feminicídio e pediu justiça.
"Esse crime bárbaro não é um fato isolado. É resultado direto de uma sociedade que ainda tolera a violência contra as mulheres, do machismo estrutural, da impunidade e da negligência do estado em garantir proteção efetiva às mulheres. O assassinato de uma mulher pelo simples fato de ser mulher constitui uma violação extrema dos direitos humanos. Quando essa mulher é uma agente comunitária de saúde, o crime também atinge o SUS, as políticas públicas e toda a comunidade que ela servia com compromisso, empatia e responsabilidade social. A memória de Amanda será honrada na luta por justiça, por respeito e pelo direito das mulheres viverem sem medo", ressaltou o texto.
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) também se solidarizou com os familiares. "Sua partida precoce não é apenas uma perda para seus colegas e familiares, mas para toda a rede pública de saúde. Que encontrem o conforto e o apoio necessários diante desta profunda tristeza."
A Clínica da Família Carlos Nery da Costa Filho ficou fechada nesta quarta-feira (4) em luto. Nesta quinta-feira (5), a unidade abriu normalmente.
Ainda não há informações sobre o enterro de Amanda.
Prisão do autor
Policiais da 29ª DP (Madureira) prenderam Wagner Beserra de Araújo, em flagrante, poucas horas após o crime, em Madureira, na Zona Norte. O autor foi encontrado na Estrada do Portela.
"Ele efetuou dois disparos contra a vítima, fugiu e jogou a arma do crime na linha férrea. Com as imagens de câmeras obtidas, nossas equipes conseguiram prendê-lo próximo ao shopping de Madureira. Também localizaram uma colega da vítima, que presenciou o feminicídio e foi ouvida", disse o delegado Reginaldo Guilherme da Silva, titular da 29ª DP.
Wagner e Amanda foram casados por sete anos, tendo dois filhos. O casal já estava separado há cerca de quatro meses, mas ele não aceitava o término e a perseguia, mesmo com uma medida protetiva, que era sistematicamente descumprida.
O homem já tinha sido detido por homicídio em 2019 e possui passagens por porte ilegal de arma de fogo e violência doméstica. Os agentes seguem com as investigações para encontrar a arma usada no crime.
O autor segue esperando audiência de custódia.
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