Publicado 10/02/2026 13:10
Rio - A advogada Agostina Paez, de 29 anos, ré pelo crime de injúria racial contra funcionários de um bar na Zona Sul, se defendeu das acusações e afirmou, em entrevista a um portal argentino, que não teve intenção de discriminar e de ser racista. A fala foi dita nesta segunda-feira (9) para o jornal "Mediodía Notícias", do El Trece TV.
PublicidadeSegundo as investigações da 11ª DP (Rocinha), Paez estava com duas amigas em um bar, na Rua Vinícius de Moraes, em Ipanema, no dia 14 de janeiro, quando discordou dos valores da conta e chamou, de maneira ofensiva e depreciativa, um funcionário do estabelecimento de "negro".
Mesmo ao ser advertida pela vítima de que a conduta configurava crime no Brasil, ela dirigiu-se ao caixa do bar e o chamou de "mono" ("macaco", em espanhol), além de fazer gestos simulando o animal.
Em entrevista ao portal argentino, Agostina afirmou que não teve intenção de discriminar as vítimas e nem de ser racista. "Jamais. Sou argentina e advogada. A verdade é que foi uma reação emocional. Nunca imaginaria a gravidade. Não só disso, mas de tudo que veio depois", contou.
Para Paez, as pessoas estão a condenando mesmo sem ter qualquer decisão judicial. Ela ainda destacou que não sabia que estava sendo filmada, ressaltando que divulgaram apenas dois vídeos e não a gravação toda da situação.
"O que mais quero no mundo é voltar para a Argentina e seguir o processo em casa. Sinto que estão me usando de exemplo. Não sei porque justo comigo e justo agora. Muitas pessoas passaram por essa situação, mas comigo foi muito mais público porque me gravaram e eu não sabia. Eu ainda não fui condenada e estão me tratando como se fosse culpada de tudo isso", comentou.
Ainda segundo a argentina, um policial em particular está criando obstáculos contra ela. "Vou investigar isso agora quando falar com o cônsul e meu advogado para ver o que pode ser feito a respeito. Essa é a mesma pessoa é quem está me seguindo, acompanhando meu caso e tudo mais. É uma pessoa que não me trata bem”, acrescentou.
Paez cumpre medidas cautelares no Brasil, com uso de tornozeleira eletrônica. A advogada teve o passaporte apreendido e está impedida de deixar o país. Ela chegou a ser presa preventivamente, mas solta no mesmo dia pela Justiça do Rio.
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