Secretário municipal de Saúde do Rio faz declaração polêmica sobre manifestação de médicosReprodução/Redes sociais
Publicado 10/02/2026 18:47
Rio - Uma manifestação de médicos e enfermeiros da Secretaria Municipal de Saúde (SMS-Rio), realizada na manhã desta terça-feira (10), terminou em polêmica. O grupo se reuniu em frente à sede da Prefeitura do Rio, na Cidade Nova, para reivindicar reajuste salarial e melhores condições de trabalho na Atenção Primária. O desabastecimento de medicamentos e a falta de segurança dentro das unidades também entraram em pauta.
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Durante o ato, o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, reagiu nas redes sociais, mas apagou a publicação após a repercussão negativa. "Uma meia dúzia de idiotas, sem empatia alguma, que desconsideram a necessidade de cuidado do território após uma chuva terrível", escreveu.

Imediatamente, o comentário do secretário foi alvo de críticas por parte dos envolvidos na manifestação, que afirmam que Soranz costuma fazer declarações negativas sobre os profissionais da saúde.
Soranz disse que faltou empatia
Em entrevista ao O DIA, o secretário explicou que considerou a realização do protesto uma falta de empatia diante do cenário enfrentado pela cidade após as fortes chuvas, que provocaram alagamentos, deslizamentos e perdas materiais em comunidades como Manguinhos, Jacarezinho e Acari.
"A cidade teve vários pontos de alagamento, pessoas perderam tudo na enchente. E receber um grupo de médicos que ganha entre R$ 17 mil e R$ 30 mil manifestando num dia em que as pessoas tiveram seus bens perdidos… Não tem empatia. As pessoas que perderam tudo não ganham nem R$ 17 mil", afirmou.

Soranz reforçou que respeita qualquer tipo de manifestação e que a pasta está aberta ao diálogo, mas avaliou que o momento não era o mais adequado. "Todas as unidades se mobilizaram nesses últimos dias. Ontem saí muito tarde do Centro de Controle do município. Volto a dizer que não acho adequado o ato. Estou aberto a negociar, mas é inoportuno, após um dia de chuvas fortes, deixar de atender para reivindicar aumento', completou.
Sindicato rebate declarações de secretário
O Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (SINMED-RJ), rebateu as declarações do secretário à reportagem. Em nota, o õrgão esclareceu que as unidades de saúde mantiveram seu funcionamento hoje com o quantitativo de profissionais previsto e aprovado pelo Tribunal Regional do Trabalho em audiência na semana passada, de 50% de médicos e 30% de enfermeiros presentes nas unidades de saúde.

"O ato estava agendado desde 29/01/26, e contou com participação de profissionais que estariam no percentual daqueles paralisados, portanto ausentes das unidades de saúde", esclareceu.
Sobre a menção acerca da situação atual da cidade, o Sindicato reforçou que os profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) "vem desde sempre à disposição da população após graves eventos de impacto à saúde pública, como conflitos armados, enchentes, ondas de calor e epidemias, que, por sinal, vem aumentando em número e intensidade em nosso município ao longo da última década", disse.
Em outro trecho da nota, o órgão mencionou as tentativas de diálogo com a prefeitura. "A despeito dessa dedicação, e apesar dos esforços das categorias profissionais para estabelecer diálogo com a Secretaria Municipal de Saúde (em tentativas de acordos coletivos de trabalho frustradas desde pelo menos 2023, paralisações pontuais desde 2024): mantemos o mesmo salário, sem recomposição, há vários anos; acumulamos em janeiro/26 o descumprimento da promessa de quitação do prévio calote da variável de desempenho de 2023; e não obtemos respostas às demandas que impactam o cotidiano de assistência da categoria, como problemas de abastecimento nas farmácias das unidades básicas, longas filas de SISREG, violência contra profissionais nas unidades de saúde, dentre outras pautas demandadas à Secretaria".

As pauta citadas acima foram abordadas na reunião desta terça-feira (10) com representante da SMS-Rio. "A reunião para estabelecer negociação só foi agendada após determinação do TRT na semana passada. O secretário não só não se fez presente para dialogar com esses profissionais, como também não se absteve de desrespeita-los e de mais uma vez deslegitimar seu movimento paredista, já validado pela justiça na semana passada. A descompostura do Secretário em sua postagem em rede social, mais do que "polêmica", será levada a todas as instâncias cabíveis, inclusive ao Conselho Regional de Medicina, tendo em vista as violações ao Código de Ética Médica perpetradas na manhã de hoje", informou o Sindicato.
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