Polícia Civil deflagrou, nesta terça-feira (24), uma megaoperação em todo o estadoÉrica Martin / Agência O Dia
Publicado 24/02/2026 08:12
Rio - A Polícia Civil realiza, nesta terça-feira (24), mais uma fase da "Operação Espoliador", com o objetivo de cumprir centenas de mandados de prisão contra envolvidos em crimes contra o patrimônio, como roubo, latrocínio e receptação. Até esta noite, 616 alvos foram presos em todo o estado do Rio.
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A ação tem como foco desarticular toda a cadeia criminosa, alcançando líderes de quadrilhas, executores, colaboradores e receptadores. Investigações apontam ainda que parte dos roubos é incentivada por traficantes que vendem drogas nas comunidades e exploram o território por meio de outras atividades ilícitas.

Em coletiva de imprensa, o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, revelou que a operação conta com a participação de todas as delegacias do estado, incluindo os departamentos de homicídios. Para o delegado, o número de prisões é bastante expressivo, uma vez que tira das ruas o "pior criminoso existe".

"A pior espécie de criminoso é o ladrão! Ele pega uma arma, vai em direção a vítima, constrange com violência e ameaça, colocando as vezes uma faca, ou uma arma, na cabeça da vítima para subtrair os pertences, que muita das vezes ela ainda está pagando a prestação, é um celular, um carro, um relógio, ou uma a moto, enfim, seja lá o que for, e a qualquer rompante, ele tira a vida dessa vítima. É um criminoso da pior espécie, eu tenho casos na minha família e sei o que é você ter um familiar que foi morto por latrocínio, e por isso que eu falo que é um trabalho muito importante da Polícia Civil", frisou.
O secretário também criticou a legislação e destacou que a maioria dos presos é reincidente. Segundo ele, dos 305 (saldo obtido até o fim da manhã) detidos na operação, cerca de 66% já tinham passagens pela polícia.
"Até quando a gente vai ficar com esse retrabalho? Até quando a polícia vai ficar prendendo e esses marginais ficando pouco tempo e saindo da prisão? (...) É importante que haja uma mudança profunda na legislação penal e processual penal brasileira, porque ninguém aguenta mais. A população não aguenta mais ser vítima desses ladrões", disse.
Curi ressaltou ainda que o crime de receptação, embora considerado sem violência ou grave ameaça, sustenta toda a cadeia criminosa. Ele explicou que, como a pena mínima é inferior a quatro anos, muitos presos em flagrante acabam liberados após audiências de custódia.
"É o receptador que estimula o ladrão a colocar a arma na cabeça da vítima, do trabalhador, e que em alguns casos acaba matando essa vítima para poder subtrair o bem dela. Então, até quando a gente vai ficar com esse retrabalho sem fim? Até quando a gente vai ficar patinando? Até quando a gente vai ficar sem efetividade no trabalho? Porque o trabalho da polícia é feito, não é falta de polícia, o que nós temos aqui é excesso de impunidade", afirmou.
Prisões
Entre os presos está um assaltante, apontado como integrante de um grupo envolvida em diversos assaltos a veículos no estado, principalmente em São Gonçalo, na Região Metropolitana. Ele possui 11 anotações criminais e quatro mandados de prisão em aberto.
Policiais da 35ª DP (Campo Grande) também capturaram dois milicianos que atuavam em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Um deles possui 14 anotações criminais e dois mandados em aberto. 
De acordo com a delegada Raissa Celes, do Departamento de Polícia da Capital, a dupla faz parte da milícia comandada por Gilson Ingrácio de Souza Junior, o "Juninho Varão".

"Ambos estavam na posse de arma de fogo e farta quantidade de munição, além de uma farda operacional. Eram pessoas de guerra da milícia, que faziam a expansão territorial tanto na divisa de Nova Iguaçu, quanto em Campo Grande. Então, isso corrobora o que a gente vem afirmando e provando o alto grau de reincidência de pessoas que ainda estão nas ruas praticando crimes", declarou.
Outro criminoso, com 17 registros, foi localizado na Taquara. Agentes da 31ªDP (Ricardo Albuquerque) também prenderam Matehus Maia de Azeredo, atirador responsável pela morte da produtora cultural Bianca Villaça, 36 anos, assassinada com 13 tiros em agosto do ano passado, na Zona Oeste. O criminoso atuava como executor de homicídios e acabou detido em Padre Miguel.
Ainda segundo delegado Felipe Curi, uma das facções investigadas é responsável por cerca de 80% dos roubos de veículos e 90% dos roubos de carga na capital e na Região Metropolitana.
As equipes das delegacias vinculadas aos Departamentos-Gerais de Polícia da Capital (DGPC), da Baixada (DGPB), do Interior (DGPI), Especializada (DGPE) e de Homicídios e Proteção à Pessoa (DGHPP) seguem nas ruas para cumprir os mandados judiciais e realizar novas diligências. A operação está em andamento.
* Reportagem do estagiário Rodrigo Bresani, sob supervisão de Adriano Araújo.
* Colaboração de Ana Fernanda Freire e Érica Martin

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