Contraventor Adilsinho chega à sede da Policia Federal, no Centro do Rio, na manhã de quinta-feira (26)Érica Martin/Agência O Dia
Publicado 26/02/2026 15:20 | Atualizado 26/02/2026 15:21
Rio - O superintendente regional da Polícia Federal no Rio de Janeiro, Fábio Galvão, afirmou que houve três tentativas anteriores de prisão contra o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, frustradas devido à proteção de policiais ligados à máfia do jogo do bicho.
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No momento da prisão, realizada na manhã desta quinta-feira (26), em Cabo Frio, na Região dos Lagos, o bicheiro estava escoltado pelo policial militar Diego D'Arribada Rebello de Lima, que também acabou preso. O agente é lotado na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Fazendinha, no Complexo do Alemão.

"Foi um trabalho árduo entre as polícias Federal e Civil. Já havíamos tentado prendê-lo outras três vezes, mas as ações foram dificultadas, sobretudo, pela proteção de policiais ligados à máfia do jogo do bicho. Hoje conseguimos prender o mais sanguinário dos capos do jogo do bicho", afirmou o superintendente.

Integrante da cúpula do jogo do bicho e apontado como o maior produtor e distribuidor de cigarros falsificados do estado, Adilsinho era um dos criminosos mais procurados do país.
Ainda segundo Galvão, recentemente três fábricas clandestinas de cigarro ligadas ao bicheiro foram desmanteladas na Baixada Fluminense. Além de máquinas caça-níqueis, os policiais encontraram cerca de 20 paraguaios submetidos a condições análogas à escravidão nos locais. "Essas ações foram resultado de um trabalho incessante e representaram um baque para a máfia do jogo do bicho", garantiu.

Bicheiro responde por série de homicídios

De acordo com o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, Adilsinho é apontado como responsável por dezenas de homicídios de rivais, contraventores, integrantes da máfia do cigarro e até policiais. Contra ele, constam três mandados de prisão em aberto.

Entre os casos atribuídos ao bicheiro está o assassinato do inspetor penal Bruno Kilier da Conceição Fernandes, de 35 anos, morto a tiros em junho de 2023, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio. Também é imputada a ele a morte do advogado Rodrigo Marinho Crespo, executado em plena luz do dia, em fevereiro de 2024, no Centro do Rio, próximo ao prédio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
O que diz a defesa de Adilsinho 
Ricardo Braga, advogado de Adilsinho, disse que seu cliente nega envolvimento com o crime. "Senhor Adilson continua confiando na justiça e vai provar a inocência dele em todos os processos que tramitam", disse ao chegar na sede da PF. Questionado sobre ele ter sido encontrado correndo ao redor da piscina momentos antes da polícia chegar na mansão, Braga disse que ele estava praticando exercícios físicos por recomendação médica.
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