Materiais apreendidos sendo recolhidos em operação que prendeu sete PMsReprodução
Publicado 11/03/2026 07:19 | Atualizado 11/03/2026 11:10
Rio - A Polícia Federal prendeu, na manhã desta quarta-feira (11), sete policiais militares suspeitos de integrar um grupo que beneficiava criminosos violentos do estado. A ação faz parte da terceira fase "Operação Anomalia", que também cumpriu outros sete mandados de busca e apreensão. A investigação já deteve delegados e policiais civis nos dois últimos dias.
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As buscas ocorreram nos bairros da Taquara, Freguesia, Campo Grande e Santa Cruz, na Zona Oeste, e em Nova Iguaçu e Nilópolis, na Baixada Fluminense. 

Além das prisões, o Supremo Tribunal Federal (STF) também determinou o imediato afastamento das funções públicas de todos os investigados, bem como o afastamento do sigilo de dados dos equipamentos eletrônicos apreendidos. O cumprimento das ordens judiciais contou com o apoio da Corregedoria da PM.
Entre os PMs presos estão:
Ênio Claudio Amâncio Duarte - 3º BPM (Méier) 
Leonardo Cavalcanti Marques - 5º BPM (Praça da Harmonia)
Rodrigo Oliveira de Carvalho - 16º BPM (Olaria)
Flávio Cosme Menezes Pereira - 18º BPM (Jacarepaguá)
Ricardo Pereira da Silva -1 ª UPP / 2º BPM Santa Marta 
Alex Pereira do Nascimento - 6ª UPP / 3º BPM São João 
Franklin Ormond de Andrade - 7ª UPP / 3º BPM Jacaré 
De acordo com o advogado João Amorim, que representa o PM Ricardo Pereira, o agente é inocente.

"Ele não tem participação alguma dos fatos aqui narrado. Ele apenas trabalhava no batalhão que, infelizmente, pertencia a áreas ligadas a tal finalidade. Ele nega as acusações e foi pego de surpresa em casa. Ele tem uma perfeita conduta, tanto que até o presente momento nunca teve nada que comprometesse sua conduta como PM, nunca teve processo administrativo", explicou.
A reportagem não conseguiu contato com a defesa dos demais envolvidos. O espaço está aberto para eventuais manifestações.

Entenda o esquema

Os elementos reunidos durante a investigação apontam que os policiais militares alvos da operação usavam a farda e a função pública para beneficiar o crime organizado. Segundo a apuração, o grupo atuava não apenas facilitando a logística de traficantes e milicianos, mas também protegendo criminosos e ajudando a esconder o dinheiro obtido com atividades ilegais.

A operação é resultado de investigações conduzidas pela Força-Tarefa Missão Redentor II, que segue diretrizes do Supremo Tribunal Federal no âmbito da ADPF 635. A iniciativa busca reforçar a atuação da Polícia Federal na produção de inteligência para combater facções ligadas ao tráfico de drogas e armas, além de atingir o financiamento dessas organizações e interromper ligações com agentes públicos..

Os investigados responderão, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, além de lavagem de capitais. O material apreendido durante as buscas será submetido à análise, com vistas à identificação de possíveis outros agentes envolvidos no esquema.
O que diz a PM?
Em nota, a Polícia Militar destacou que os agentes serão submetidos a processos administrativos disciplinares (PADs), cujo objetivo é avaliar a possibilidade de permanência dos acusados nos quadros da instituição. Os militares serão conduzidos à Unidade Prisional da Corporação, em Niterói, Região Metropolitana, onde permanecerão presos.

"O Comando da Corporação reitera que não compactua com quaisquer desvios de conduta ou com o cometimento de crimes praticados por seus integrantes, punindo com rigor os envolvidos sempre que os fatos forem devidamente constatados", afirmou em comunicado.
Operação Anomalia I e II
Na primeira fase da operação, na última segunda (9), o delegado da Polícia Federal Fabrizio Romano foi preso por suspeita de participar de um grupo criminoso que atuava na negociação de vantagens indevidas para favorecer os interesses de um traficante internacional de drogas.
Ao todo, foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e três mandados de busca e apreensão na cidade do Rio, além de medidas cautelares diversas, como afastamento do exercício de função pública. Um dos mandados foi cumprido contra o ex-secretário estadual de Esportes, Alessandro Pitombeira Carracena, que já está preso desde setembro do ano passado na operação que também deteve o ex-deputado estadual TH Joias.
Na terça-feira (10), o delegado Marcos Henrique Oliveira Alves e outros dois policiais civis foram presos na segunda fase da operação. O grupo é investigado por usar a estrutura do Estado para extorquir integrantes do Comando Vermelho, além de praticar corrupção e lavagem de dinheiro.
Na ação, cerca de 40 agentes federais cumpriram quatro mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão, todos expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O quarto alvo foi o traficante Gabriel Dias de Oliveira, o Índio do Lixão, que já estava detido.
O delegado era titular da 44ª DP (Inhaúma). Já os outros policiais foram identificados como Franklin Jose de Oliveira Alves e Leandro Moutinho de Deus.
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