Advogada Florence Rosa, defende que Monique Medeiros é inocenteReginaldo Pimenta/Agência O DIA
Publicado 23/03/2026 10:23 | Atualizado 23/03/2026 11:48
Rio - Momentos antes do júri popular marcado para esta segunda-feira (23), a defesa de Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, morto com sinais de agressões em março de 2021, alegou inocência e culpou Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, como único responsável pelas agressões.

"A nossa expectativa, a primeira delas, é que o verdadeiro responsável pela morte do Henry saia daqui condenado. Estamos muito confiantes! E segundo, a nossa expectativa também, é demonstrar a inocência de Monique Medeiros, que ela jamais foi omissa. O que ela não teve foi tempo e nós mostraremos isso através das extrações de dados. Então, o nosso maior trunfo é a prova pericial", explicou a advogada Florence Rosa.
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A defesa frisou ainda que Monique tem apresentado quadro depressivo, mas que acredita na Justiça.
"Nós, assim como o pai, temos o maior interesse que o júri aconteça para que o verdadeiro responsável seja punido. Monique está super abalada pela perda do filho e também por estar sendo, de alguma forma, já foi, inclusive, ao longo de todo esse processo, responsabilizada pela morte do filho. Então, assim, ela está em um estado depressivo, mas ao mesmo tempo, por outro lado, confiante de que a Justiça será feita e o responsável pela morte do filho dela será punido", acrescentou.

Florence também reafirma que Monique vivia em um relacionamento abusivo e que o celular da babá de Henry conta com provas que evidenciam a violência.

"O celular da Tainá é muito rico nesse sentido, porque mostram em conversas dela com familiares a violência que a Monique sofreu, era um ciclo de violência, e mais que isso, se nós analisarmos o histórico do Jairo, todas as ex sofreram violências, assim como os filhos delas também. Esse, inclusive, era o perfil de vítimas que ele escolhia, mulheres com filhos pequenos para que ele pudesse aplicar o seu modus operandi", finalizou.
Em contrapartida, o advogado de Jairinho, Zanone Júnior, desmentiu os abusos e afirmou que a narrativa de violência doméstica foi criada por Leniel Borel, pai de Henry.
"O Leniel, ele foi atrás das ex-namoradas do Jairinho e criou essa narrativa. Ele estava combinando de buscar uma das namoradas e dizendo lá que o delegado, toda uma delegacia estava preparada às 4h da madrugada para ouvi-la. Ué, isso agora não acontece mais no expediente? É na calada da noite? Até então não havia uma notícia de maus-tratos, de abuso. Criou-se a narrativa", explicou.
Defesa de Jairinho estaria tentando adiar julgamento
De acordo com o assistente de acusação, Cristiano Medina da Rocha, os advogados de Jairo estudam abandonar o caso para postergar a sessão.

"Estamos vendo manobras da defesa de Jairo no sentido de tentar adiar esse julgamento. Jairo e sua defesa estão com medo desse julgamento. Talvez não tenhamos o júri hoje. A defesa já está apontando, nos últimos dias, que talvez abandone, de forma covarde, a plenária. Mas, caso isso aconteça, vou requerer à juíza que multe a defesa, porque é um descaso com o Judiciário e com a família, já que isso causa sofrimento à família, que está aguardando há cinco anos. Se abandonarem, vou requerer à juíza que a Defensoria Pública assuma o caso", disse.
Ainda no 2º Tribunal do Júri, no Centro do Rio, o advogado declarou que há provas irrefutáveis sobre a autoria do crime e o envolvimento de Monique Medeiros, mãe da criança, que também será julgada.
O júri popular estava marcado para iniciar às 9h, mas até as 9h30 não havia começado. A audiência deverá iniciar com depoimentos de testemunhas de acusação, seguidas pelas de defesa. Na sequência, os acusados serão interrogados. Ao todo, mais de 20 pessoas serão ouvidas.
Protesto
Na porta do TJRJ, um grupo de manifestantes pede por Justiça. Entre eles, estão parentes de vítimas de violência, como a mãe da modelo Eliza Samudio, modelo assassinada em 2010, aos 25 anos, a mando do goleiro Bruno Fernandes.
*Colaboração de Reginaldo Pimenta
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