Publicado 28/03/2026 15:00 | Atualizado 28/03/2026 17:57
Rio - Andressa Nascimento, 35 anos, saiu de casa para comprar água em uma mercearia, mas no caminho foi baleada e morta, no Conjunto da Marinha, no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, na Região Metropolitana, na tarde de sexta (27). Em depoimento ao DIA, a família acusa policiais rodoviários federais de serem os responsáveis pelos disparos que atingiram a vítima na frente de um dos filhos. A corporação, porém, nega e afirma que tiros partiram de bandidos em área de mata.
PublicidadeNa manhã deste sábado (28), parentes foram ao Instituto Médico Legal (IML) de Tribobó para a liberação do corpo.
O viúvo, Carlos Eduardo Silva, 38 anos, disse que não conseguiu ir ao trabalho por causa do intenso tiroteio. O casal e os cinco filhos ficaram em casa de manhã, aguardando a situação se acalmar. Em determinado momento, saíram para comprar água para fazer o almoço, enquanto os filhos permaneceram na residência. Depois, Andressa voltou em casa para buscar as crianças, momento em que acabou baleada.
"Lá (mercadinho), nós encontramos um casal de amigos e ficamos um pouquinho. Pedimos para o entregador deixar a água na minha residência e meu filho recebeu. Quando foi por volta das 13h30, o carro da Federal passou e a gente se abrigou, tinha outra viatura na esquina. Nisso, a amiga dela a chamou para buscar nossos filhos. Ela foi, mas, quando voltou, eles (os policiais) vieram atrás e deram um tiro. A gente pensou que ela tinha se jogado no chão por causa do medo. Quando chegamos perto, ela já estava com sangue no chão. O nosso filho, o pequenininho, viu", relatou o pai.
Em tom de revolta, o filho mais velho de Andressa, Carlos Victor Silva, 18 anos, acusa a PRF de não ter prestado socorro à mãe.
"Foram me avisar lá em casa e eu nem acreditei. Quando eu cheguei, a vi jogada no chão como se fosse nada. A PRF, em vez de parar para socorrer, foi embora rindo. Eu quero justiça! Tinha ambulância para a polícia, mas não teve para socorrer morador. Eles entram para matar, não entram para proteger. O fim de semana eu ia passar com ela. Agora, vou passar com ela no caixão, enterrada. Como vou explicar para as crianças?", lamentou o filho.
"Foram me avisar lá em casa e eu nem acreditei. Quando eu cheguei, a vi jogada no chão como se fosse nada. A PRF, em vez de parar para socorrer, foi embora rindo. Eu quero justiça! Tinha ambulância para a polícia, mas não teve para socorrer morador. Eles entram para matar, não entram para proteger. O fim de semana eu ia passar com ela. Agora, vou passar com ela no caixão, enterrada. Como vou explicar para as crianças?", lamentou o filho.
Segundo a família, Andressa trabalhava como faxineira, auxiliar de cozinha e não negava trabalho. Para a irmã da vítima, Ana Paula do Nascimento, 47 anos, o Estado é o responsável pela morte.
"Nós somos moradores, não temos lado. Nosso lado é acordar às 5h para trabalhar. Não é porque nós moramos em comunidade que a polícia pode entrar atirando. Por que eles não entram na comunidade com educação, esporte e saneamento básico? É mais fácil matar a minoria. Deram uma bala na cabeça da minha irmã, que era trabalhadora", disse.
Ana Paula também frisou que a irmã nunca teve envolvimento com o crime e que a família pretende fazer um protesto para pedir justiça.
"Quando falam para a gente fazer um protesto pacífico, mas como? Se o governo do estado entrou na comunidade atirando, deixando o corpo dela lá como se fosse um cachorro... Detalhe: quando a família foi retirar o corpo, tomou tiro. Você acha mesmo que a família viria botar a cara pela minha irmã se ela não fosse trabalhadora? Como eu falo para o filho dela quem é o vilão da história hoje?", acrescentou.
Os filhos de Andressa, segundo a irmã, estão desnorteados. "O filho chorou sobre o corpo da minha irmã. O mais novo viu a mãe gritando e ficou chorando, pedindo para socorrer", afirmou.
"Nós somos moradores, não temos lado. Nosso lado é acordar às 5h para trabalhar. Não é porque nós moramos em comunidade que a polícia pode entrar atirando. Por que eles não entram na comunidade com educação, esporte e saneamento básico? É mais fácil matar a minoria. Deram uma bala na cabeça da minha irmã, que era trabalhadora", disse.
Ana Paula também frisou que a irmã nunca teve envolvimento com o crime e que a família pretende fazer um protesto para pedir justiça.
"Quando falam para a gente fazer um protesto pacífico, mas como? Se o governo do estado entrou na comunidade atirando, deixando o corpo dela lá como se fosse um cachorro... Detalhe: quando a família foi retirar o corpo, tomou tiro. Você acha mesmo que a família viria botar a cara pela minha irmã se ela não fosse trabalhadora? Como eu falo para o filho dela quem é o vilão da história hoje?", acrescentou.
Os filhos de Andressa, segundo a irmã, estão desnorteados. "O filho chorou sobre o corpo da minha irmã. O mais novo viu a mãe gritando e ficou chorando, pedindo para socorrer", afirmou.
Também revoltada com a situação, a amiga da vítima, Camila Silva, de 31 anos, disse que conversou com Andressa momentos antes do ocorrido.
"Ela mandou mensagem dizendo que ia comprar água para fazer comida, era hora do almoço. Era rotina quando ela não saía para trabalhar. Ela corria atrás, tanto ela quanto o marido. Ele só não saiu para trabalhar por causa da operação. Que risco ela oferecia para eles (policiais) com duas crianças? E por que não socorreram?", questionou.
Schan Conceição, primo de Andressa, afirmou que a família precisou agir por conta própria para socorrer a vítima e criticou a atuação dos agentes durante a operação.
"Ela mandou mensagem dizendo que ia comprar água para fazer comida, era hora do almoço. Era rotina quando ela não saía para trabalhar. Ela corria atrás, tanto ela quanto o marido. Ele só não saiu para trabalhar por causa da operação. Que risco ela oferecia para eles (policiais) com duas crianças? E por que não socorreram?", questionou.
Schan Conceição, primo de Andressa, afirmou que a família precisou agir por conta própria para socorrer a vítima e criticou a atuação dos agentes durante a operação.
"Teve policial baleado e, em questão de segundos, eles chegaram ao hospital. Já a menina, a gente teve que tirar o corpo dela, ou estaria lá até agora. Eles já entram na comunidade dando tiro às 5h, com pessoas saindo para trabalhar. A operação durou até as 18h e não pegaram um vagabundo. O que fizeram foi covardia. Os caras viram que atingiram a menina. Em vez de socorrer, ajudar, agiram com maldade. E quando a gente foi falar com eles, disseram: "se virem", explicou.
Schan também demonstrou preocupação com o futuro da família. "Um jovem de 18 anos vai fazer o quê? O pai, com cinco filhos, vai fazer o quê? Eles acham que a gente é cachorro? Largaram a menina lá como um cachorro. Acho que até de cachorro as pessoas têm pena, mas eles não têm pena de ninguém", finalizou.
Schan também demonstrou preocupação com o futuro da família. "Um jovem de 18 anos vai fazer o quê? O pai, com cinco filhos, vai fazer o quê? Eles acham que a gente é cachorro? Largaram a menina lá como um cachorro. Acho que até de cachorro as pessoas têm pena, mas eles não têm pena de ninguém", finalizou.
Andressa foi sepultada no fim da tarde deste sábado (28), no Cemitério Parque da Paz, no Pacheco, em São Gonçalo. Um ônibus com parentes e amigos saíram da comunidade para participar da despedida.
De acordo com a Polícia Civil, o caso é investigado pela Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG). Diligências estão em andamento para apurar as circunstâncias dos fatos.
O que diz a PRF?
Procurada, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que "tomou conhecimento desta fatalidade e lamenta profundamente".
Em nota, órgão explicou que, até o momento, toda a dinâmica indica que a moradora foi atingida por disparo realizado da mata pelos bandidos que atacavam as equipes policiais que realizavam o resgate de equipe da Polícia Militar presa no local.
"O homicídio deve ser objeto de apuração pela Polícia Civil e a PRF prestará a colaboração necessária à investigação", informou em comunicado.
Em nota, órgão explicou que, até o momento, toda a dinâmica indica que a moradora foi atingida por disparo realizado da mata pelos bandidos que atacavam as equipes policiais que realizavam o resgate de equipe da Polícia Militar presa no local.
"O homicídio deve ser objeto de apuração pela Polícia Civil e a PRF prestará a colaboração necessária à investigação", informou em comunicado.
PM reafirma versão da PRF
De acordo com a Polícia Militar, a operação na comunidade teve início logo de manhã para a retirada de barricadas de vias públicas. No fim da tarde, após informações de que um criminoso estaria ferido nas proximidades do conjunto da Marinha, foi solicitado apoio no veículo blindado da Polícia Rodoviária Federal.
Durante a ação, bandidos atiraram contra os policiais, ocasião em que a mulher acabou atingida no local. Ainda no confronto, três policiais ficaram feridos por estilhaços, no rosto e no braço, e um quarto sofreu uma torção no pé. Após atendimento no Hospital Estadual Alberto Torres (Heat) receberam alta.
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