Publicado 02/04/2026 20:18 | Atualizado 02/04/2026 23:03
Rio - O modelo Bruno Krupp, réu por envolvimento em uma briga na saída de um bar, na Lagoa, Zona Sul do Rio, em maio do ano passado, teve a prisão mantida, em decisão da Justiça do Rio, publicada nesta terça-feira (31).
PublicidadeA vítima chegou a ficar desacordada após ser agredida. O homem, que foi brutalmente espancado, relatou que o modelo teria incentivado o grupo a matá-lo. Na ocasião, Bruno deveria estar recolhido em casa, já que também responde pelo atropelamento e morte do adolescente João Gabriel Cardim Guimarães, de 16 anos, em 2022.
Na decisão, a juíza Lucia Mothe Glioche afirmou que Bruno deveria continuar preso devido ao comportamento que teve enquanto respondia a outro processo, descumprindo as medidas impostas a ele ao não estar recolhido em casa.
"Não confio, por ora, no comportamento do acusado com o respeito às decisões judiciais. O fato do acusado, em outro processo, ainda que pela primeira vez ter descumprido a ordem de recolhimento, traz o indício de que pode vir a descumprir novamente uma determinação a ele imposta", disse a magistrada.
A defesa de Krupp alegou excesso de prazo e pediu pela soltura do modelo. Sobre a demora no processo, a juíza alegou que não é considerado exagerado, já que o caso é complexo e envolve várias pessoas.
A magistrada ainda rebateu o argumento da defesa de que apenas o depoimento da vítima é uma prova fraca e disse que o relato é suficiente para atestar a participação de Bruno no crime.
Na decisão, a juíza também ressaltou a gravidade do crime, ocorrido em local público e com grande repercussão, o que, segundo ela, justifica a manutenção da prisão para garantir a ordem pública.
Relembre a briga
De acordo com a vítima, ele participava de uma festa em um bar na Avenida Borges de Medeiros quando, por volta das 4h, passou por trás de um camarote e pediu licença. Nesse momento, foi abordado por um amigo do modelo, Pedro Vasconcellos, que colocou a mão em seu peito e teria dito: "Você não tem dinheiro para passar do meu lado. Paguei R$ 17 mil por isso aqui". A vítima retrucou: "Mas o dinheiro é seu ou da sua mãe?" e seguiu para o outro lado do bar.
A partir daí, ele afirma ter se sentido vigiado e perseguido. Já no estacionamento, foi abordado por um grupo, entre eles Pedro e o modelo Bruno Krupp, e passou a ser agredido com chutes na cabeça. Caído no chão, ouviu frases ditas por Krupp e outros homens, como: "Mata ele!", "É os capetas!", "Mata o gorducho!", "Tem que matar!".
Segundo a Polícia Civil, ao menos nove pessoas participaram do espancamento. Além de Krupp, também viraram réus por envolvimento na tentativa de homicídio Pedro Vasconcellos do Amaral Sodré de Mello, conhecido como Rebordão, Artur Veloso Araújo e Luma Melo Rajão. Eles respondem por tentativa de homicídio.
Relembre o atropelamento
Bruno Krupp, de 25 anos, foi preso em 3 de agosto de 2022, por ter atropelado e matado João Gabriel Cardim Guimarães, 16. O adolescente atravessava a Avenida Lúcio Costa, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, no dia 30 de julho, quando foi atingido. Na ocasião, o modelo dirigia sem habilitação uma motocicleta a mais de 100 km/h, bem acima da máxima de 60 km/h da via. O acidente foi tão grave que o adolescente teve uma perna amputada na hora devido ao impacto.
Denunciado pelo Ministério Público do Rio (MPRJ) por homicídio com dolo eventual, ele se tornou réu e, na primeira audiência de instrução e julgamento, ainda em 2022, admitiu que pilotava em alta velocidade, porque já havia sofrido diversas tentativas de assalto, mas que sempre respeitou sinais e ficou atento. Krupp declarou que calculou que tinha tempo e espaço para passar, mas não esperava que a vítima correria para a calçada e disse ainda não concordar com a acusação, porque nunca faria mal a uma pessoa e não imaginou que causaria um acidente.
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