Publicado 18/04/2026 12:27 | Atualizado 18/04/2026 13:23
Rio – A menina Aylla dos Santos Lahyre de Oliveira, de 1 ano e 6 meses, reclamava apenas de dores na gengiva quando deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Cocotá, na Ilha do Governador, na Zona Norte, onde faleceu na quinta-feira (16). A família acredita que a atuação da equipe médica resultou na morte da criança.
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“A suspeita é de homicídio. O que aconteceu lá foi a morte de uma criança. Por imperícia, por negligência... Isso quem vai apurar é a Polícia Civil”, observou o advogado Luciano Emerenciano, que representa a família de Aylla, em entrevista ao DIA.
De acordo com Luciano, os pais da garota decidiram levá-la à UPA, no início da tarde, porque ela vinha reclamando de dores na gengiva, em decorrência do surgimento dos primeiros dentes, o que vinha dificultando a ingestão de alimentos.
Na triagem, ficou constatado que se tratava de um caso simples. Após passar por medição de batimentos e pressão, a menina demonstrava estar bem, inclusive brincando com outras crianças. Entretanto, com a aplicação intravenosa da primeira medicação, ela teve uma reação adversa, o que teria feito a equipe responsável ministrar outros medicamentos em sequência.
Neste momento, ainda segundo a defesa da família, os pais foram retirados da sala, inclusive com uso de força por parte de seguranças, sendo impedidos de testemunhar a continuidade do atendimento: “Isso já é algo grave, porque a criança tem que ser acompanhada por um responsável”, salientou o advogado.
Mesmo horas depois de o óbito ser constatado, os pais, do lado de fora da UPA, precisaram acionar a Polícia Militar para serem informados sobre a causa da morte, que, a propósito, gerou surpresa e indignação:: “Disseram que foi uma infecção urinária, uma sepse. Mas esse quadro não foi informado aos pais. Ela não chegou à unidade com esse problema, não reclamava de dores relacionadas a isso. Era uma criança saudável. Como assim foi identificada uma infecção urinária tão rapidamente, que levou a criança a óbito?”, questionou Luciano.
Drama no IML
Como se não bastasse o sofrimento pela morte da menina, a família ainda passou por transtornos no Instituto Médico Legal (IML). Luciano relatou à reportagem que a equipe da UPA Cocotá não enviou junto ao corpo uma declaração de óbito, tampouco o prontuário médico, descrevendo informações fundamentais para uma perícia que viesse a elucidar a causa da morte, como as medicações aplicadas: “Ocultaram o prontuário. E essa declaração que constava morte por infecção urinária foi rasgada, disseram que não valia mais porque estava errada. Então não juntaram nada”, complementou o advogado.
Luciano afirmou ainda que, mesmo sem tais documentos, o IML decidiu liberar o corpo, declarando que o falecimento se deu por causa inconclusiva: “A família vai enterrá-la sem saber a causa do óbito”.
O velório de Aylla está marcado para as 13h45 deste sábado (18), no Cemitério do Cacuia, na Ilha - o sepultamento acontece às 15h45. A família, porém, não quer que o caso caia no esquecimento.
Pouco antes, às 12h30, terá início um protesto em frente à Igreja Católica São Sebastião do Cocotá. Com o objetivo de homenagear a criança e pedir justiça, a manifestação seguirá até o cemitério.
"A Secretaria de Estado de Saúde não emitiu nenhuma nota, não dá suporte à família. Não se sabe se esses funcionários foram afastados. Enquanto não forem investigados, não podem seguir atuando. E isso dói muito na família, que quer uma resposta", concluiu o advogado.
Procurada pela reportagem para tratar das investigações na 37ª DP (Ilha do Governador) e da questão da liberação do corpo do IML mesmo sem declaração de óbito e prontuário, a Polícia Civil informou que o caso segue sob sigilo.
Já a SES, por meio de nota, destacou que a Fundação Saúde, responsável pela UPA, "lamenta profundamente a morte da criança" e investigará o atendimento prestado: "A Fundação vai avaliar o motivo da evolução rápida para o óbito, mesmo após a menina ter sido atendida, passado por exames laboratoriais e de imagem e medicada de acordo com seu quadro clínico. Somente essa investigação detalhada do caso pela sindicância poderá esclarecer o que teria ocorrido". Sobre a documentação não ter ido para o IML, a pasta declarou que a informação não procede
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