Familiares pedem justiça por morte de Myrella, agredida por madrastaReginaldo Pimenta/Agência O DIA
Publicado 11/05/2026 13:55 | Atualizado 11/05/2026 14:16
Rio – "Ela estudou tudo o que ia fazer com a minha filha". O desabafo é de Vitória Freire, que, aos prantos, descreveu como encontrou o corpo da filha, Myrella Venceslau Freire, de 12 anos, nos fundos da casa da família, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. A adolescente foi morta por Bianca Martins Silva, companheira da mãe, que chegou a ajudar nas buscas pela menina mesmo após agredi-la brutalmente.
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O velório aconteceu na manhã desta segunda-feira (11) e o enterro está marcado para as 14h30 no Cemitério Municipal de Vila Rosali. A vítima morava junto com a mãe, a madrasta e o irmão mais novo, de 4 anos.
De acordo com Vitória, ela e Bianca mantinham um relacionamento há cerca de dois anos. No dia do crime, a companheira chegou a enviar uma mensagem pedindo que ela falasse com os filhos. Ela contou que conversou com Myrella pouco antes das 12h de sexta (8), e que até então, estava tudo bem.
"A Bianca falou no telefone que estava sentindo uma coisa muito ruim e pediu para eu tentar falar com as crianças. Aí eu liguei e perguntei: ‘Filha, está tudo bem?’. Ela respondeu: ‘Tá, mãe, está tudo bem’. Então eu perguntei: ‘Tem certeza?’, e ela disse: ‘Tenho’. Eu falei com a minha filha às 11h26, gente. A minha filha estava viva, a minha filha estava bem. Eu ainda perguntei: ‘Cadê o seu irmão?’. Ela respondeu: ‘Meu irmão está sentado no sofá comendo biscoito. Eu já arrumei a casa, falta só passar pano no chão’", disse.
Para a família, Bianca relatou que ia para uma entrevista de emprego. “Eu saí por volta 6h17 para 6h20. Quando eu cheguei, ela falou que ela saiu logo após de mim, mas ela não saiu. O delegado puxou lá no login do Wi-Fi, o telefone dela estava conectado a todo momento, ela estava em casa. Ela estudou tudo o que ela ia fazer com a minha filha Ela já estava estudando, meu Deus!”, disse Vitória.
Madrasta ajudou a procurar enteada 
Segundo Vitória, ela já chegou em casa procurando pelos filhos. "Quando eu cheguei, ela estava sentada no quarto degrau da escada, e já entrou. Aí eu perguntei ao irmão onde estava a Myrella e ele disse: ‘A minha Myrella? Eu não sei mãe’. Eu perguntei quem estava com ela e ele disse um tio preto. Ela maquiou a cabeça dele, um menino de 4 anos, ele falou que o tio estava de camisa vermelha, short preto e azul, ai a gente foi para rua, eu procurei a Myrella e não achei", disse.
Ela explicou que chegou a olhar superficialmente nos fundos da casa, mas que a princípio não encontrou a filha. Enquanto isso, Bianca tentava fazê-la acreditar que a criança teria fugido.
"Eu falei que ela não tinha fugido, porque minha filha era muita vaidosa, as roupas dela estavam lá, os cremes, tudo, e ela o tempo todo colocando na minha cabeça que ela tinha fugido, a todo tempo ficou procurando comigo, mas ficou deduzindo que ela tinha fugido com um menininho que ela gostava", frisou.
Por fim, quando Bianca saiu para “procurar” a enteada na casa de um amigo, a mãe encontrou o corpo.
"Eu dobrei meu joelho no chão e pedi para Deus me dae um direcionamento de onde estava minha filha, para trazer ela de volta pra casa, e eu fui lá para trás e achei a minha filha. O rosto da minha filha estava todo acabado, ela acabou com a minha vida, ela me destruiu de uma tal maneira que ninguém tem noção, o que eu vou fazer da minha vida agora?", desabafou.
Irmão de Myrella teria sido empurrado de laje em outra ocasião
Vitória costumava sair para trabalhar e deixava as crianças em casa com a madrasta. Há cerca de um mês, ela conta que o filho de 4 anos caiu de laje e falou que Bianca teria o empurrado, mas ela não acreditou.
"Eu sempre saía para trabalhar, meus filhos sempre ficaram com ela. Mês passado, meu filho caiu da laje, quando a gente chegou no hospital, o meu filho falou assim: ‘Mãe, a Bianca me empurrou’. Aí eu falei assim: ‘Caio, a Bianca te empurrou? Tá falando a verdade ou tá falando mentira, filho?’. Mas eles saíram para brincar e ela sempre ficou com eles, cuidava deles, falava que amava eles", acrescentou.
Ela contou que o menino chegou a ficar uma semana internado. "Nunca, diante de Deus, pela vida do meu filho que está vivo hoje, eu ia imaginar que ela ia fazer algo do tipo com a minha filha. A gente tinha algumas discussões, mas de coisa interna de casa. Tipo: ‘Ah, a Myrella não fez, eu não vou fazer’, ‘Ah, a Bianca não fez isso, eu não vou fazer’. Na sexta-feira, a gente discutiu porque meu pai mandou mensagem para ela, mas nada de agressão. Não tinha necessidade dessa brutalidade toda, dela acabar tirando a vida da minha filha", afirmou.
Segundo ela, a companheira teria ciúmes da filha. “Ela não gostava que eu fizesse as coisas para a minha filha, a minha filha sempre pedia para eu fazer as coisas para ela. Nunca na minha vida eu ia imaginar que ela ia fazer isso, ela acabou com a minha vida, ela tirou minha filha de mim”, lamentou.
Para a família, Bianca passava tranquilidade. “Ela falava que amava meus filhos, que aquelas crianças eram tudo para ela. Como é que aquelas crianças eram tudo para ela se ela tirou a vida da minha filha?”, afirmou
A mãe descreveu a filha como uma pessoa muito vaidosa. Ela relata que Bianca agrediu o rosto da menina propositalmente, porque era o que ela mais amava. Myrella faria aniversário no próximo 5 de julho.
"Não teve estupro, o corpo da minha filha estava perfeito. Minha filha gostava de fazer os cílios, minha filha era vaidosa, gostava de fazer unha, eu ia fazer os cílios que ela queria para o aniversário dela", relatou.
Investigação
Segundo a Delegacia de Homicídios da região (DHBF), inicialmente a linha de investigação apontava para a hipótese de invasão da residência por um homem, que teria abusado sexualmente da menina. No entanto, após a conclusão do laudo de necropsia, foi constatada a ausência de sinais de violência sexual.
A partir das novas informações, equipes da especializada realizaram diligências complementares e novas oitivas, que revelaram contradições no depoimento da madrasta da vítima. Segundo as investigações, ela esteve com a adolescente no período em que o crime teria ocorrido e apresentou uma versão incompatível com os elementos reunidos até o momento, numa tentativa de criar um álibi.
Contra ela, foi cumprido um mandado de prisão temporária.
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