Com lona revitalizada, o Teatro de Arena Elza Osbourne realizou uma contação de histórias nesta sexta (15)Reprodução / Redes sociais
Publicado 15/05/2026 12:11 | Atualizado 15/05/2026 13:13
Rio – Após uma grande mobilização de atores e moradores de Campo Grande, na Zona Oeste, o Teatro Arena Elza Osbourne (Lona Cultural) foi reinaugurado. A lona enfrentou sérios problemas estruturais e financeiros, e precisou fechar as cortinas por meses, até conseguir reabrir parcialmente com uma feira cultural gratuita, para todas as idades, que teve início na manhã desta sexta-feira (15) e segue ate domingo (17).
Publicidade
Durante o processo de recuperação, que a reportagem do DIA acompanha desde março, a direção do teatro levantou uma vaquinha para conseguir financiamento coletivo, e em paralelo, o inscreveu em diversos editais de fomento.
Da meta estipulada (R$ 10 mil), a lona alcançou somente R$ 745, ou seja 7,4% do valor necessário para a reconstrução total. Porém, os esforços coletivos de produtores locais, a vitória em alguns concursos, além de empréstimos, permitiram um retorno parcial, focado nas atividades mais urgentes, como o pagamento dos artistas e a realização de peças.
Um dos diretores do espaço, Ives Pierini, revela ao DIA os detalhes da retomada: “A reforma se deu com várias ações! Custeamos parte da recolocação da lona com um empréstimo, outra parte foi financiada com o edital que ganhamos, o ‘Instituto Renner’, e a outra, com a vaquinha online mesmo”.
“Além da lona, demos um jeito nas coisas mais emergenciais, mas a campanha continua, porque falta o conserto dos aparelhos de ar-condicionado, a restauração total do palco italiano, e a instalação de um banheiro acessível a cadeirantes”, esclarece Ives.
O gestor também atualiza o andamento da licitação firmada pela Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica da UFRRJ (Fapur), que destinou um recurso no valor de R$ 1.593.900 à reforma do telhado, em abril do ano passado.
“São duas etapas, né? Na próxima semana, deve ser publicado o termo de referência para contratação da empresa que vai fazer o projeto arquitetônico, e depois, vão abrir a licitação para começar a obra em si."
Ives reiterou que os esforços continuam, e que o legado se mantém firme: “Esse território da Zona Oeste depende de lugares assim. O Elza é um dos únicos espaços de cultura popular que abrigam, na totalidade, os atores, músicos, produtores, artistas visuais e plásticos. Apesar de ser de caráter privado, esse teatro é de interesse público. Esse é o legado que o senhor Ives Macena (1956 – 2026), meu pai, deixou para nós”, conclui.
Programação

O evento de reinauguração, chamado Feira Literária e Diversa da Zona Oeste (Flidizo), oferece peças, oficinas, saraus, espaço de RPG, troca de livros e contação de histórias. Com o objetivo de valorizar a produção local e democratizar a leitura na região, a programação contará ainda, nesse sábado (16), com uma homenagem ao idealizador da lona, Ives Macena, que morreu na última terça-feira (6), aos 74 anos.
Nesta tarde, às 13h30, o público terá a interpretação de “O Capitão Livrão” e uma oficina de ilustração. Em seguida, às 14h30, haverá uma entrevista com a escritora Nancilia Pereira, que aborda o tema do espectro autista em crianças e adultos.
Já às 16h30, Gui Soarré interpretará “Entre Histórias e Cantigas”, e às 18h, haverá um bate-papo sobre a importância da difusão de autores negros na literatura, com os escritores Yago Eloy, Eliane Marcellina e Aline Lourenço, e mediado pelo ator Alexandre Damascena. Fechando, a lona terá um show às 19h.
Uma das atrizes convidadas, Cimara Mattos, 43, comenta a importância da reabertura do Elza Osboune em sua vida: “Voltar a atuar nesse espaço tem um significado muito especial para mim, tanto como atriz, quanto como alguém que acredita profundamente na potência cultural da nossa região. Foi ali que recebi meus primeiros aplausos”.
Cimara será a Princesa Isabel na peça Pedro Alcântara: o Último Imperador, às 19h de domingo: “Interpreto uma personagem histórica muito marcante dentro do processo da abolição. É um desafio e uma grande responsabilidade dar vida a essa figura tão presente no imaginário popular e na história do Brasil. A peça não fala apenas sobre o passado, mas provoca reflexões muito atuais sobre desigualdade, memória, identidade e reparação”.
A Lona Cultural fica na Estrada Rio do A, 220, Campo Grande.
Confira o restante da programação na página oficial da Flidizo:
 
 
*Reportagem da estagiária Ágatha Araújo, sob supervisão de Luiz Maurício Monteiro
Leia mais