Barricadas foram incendiadas por traficantes durante a megaoperação dos Complexos do Alemão e da PenhaReginaldo Pimenta / Agência O Dia
Publicado 15/05/2026 15:00 | Atualizado 15/05/2026 15:57
Rio - A Polícia Civil indiciou 11 traficantes envolvidos na morte de cinco policiais durante a megaoperação dos Complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte, em outubro do ano passado. Entre os criminosos identificados estão algumas lideranças do Comando Vermelho (CV), como Edgar Alves de Andrade, o 'Doca'; Carlos da Costa Neves, o 'Gardenal'; e Pedro Paulo Guedes, o 'Pedro Bala'.
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Segundo as investigações, os agentes foram recebidos sob intenso ataque desde o momento em que entraram na comunidade, principalmente na região de mata da Vacaria. Classificados como narcoterroristas pela polícia, eles estavam fortemente armados e ocuparam posições estratégicas e camufladas.
Os criminosos montaram uma espécie de cerco contra as equipes e houve disparos de diversos pontos, além do uso de barricadas incendiadas e ataques com granadas. As investigações apontam que os bandidos intensificaram os ataques quando perceberam que atingiram os policiais e quando os agentes tentavam resgatar os colegas.
De acordo com a polícia, em determinado momento, os traficantes chegaram a simular rendição para fazer mais agentes vítimas.
A Delegacia de Homicídios da Capital concluiu que os disparos que mataram os policiais civis Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho, Rodrigo Velloso Cabral e Rodrigo Vasconcellos Nascimento, e os militares Cleiton Serafim Gonçalves e Heber Carvalho da Fonseca, e atingiram o delegado Bernardo Leal vieram da área de mata da Vacaria.
Segundo a Civil, foi possível identificar a atuação direta de criminosos que estavam escondidos em bunkers improvisados na mata, de onde tinham ampla visão da movimentação policial. Na operação, sete bandidos que estavam nesse esconderijo foram capturados. Com eles, os agentes apreenderam sete fuzis, além de uma pistola Glock, todas com sinais recentes de utilização.
“Importante frisar que cinco desses bandidos foram alvejados, enquanto dois foram conduzidos ilesos para a unidade policial. A circunstância reforça a resistência armada imposta pelos narcoterroristas que realizaram disparos contra os policiais no decorrer da ação”, informou a corporação.
Um oitavo criminoso, que não foi preso durante a operação, estava junto com os outros bandidos e, nas redes sociais, confessou abertamente a sua participação no crime e afirmou ter sido ele quem atingiu o policial Rodrigo Velloso Cabral no pescoço. A Civil pediu pela prisão preventiva dele.
As investigações revelaram ainda que o ataque foi coordenado por lideranças do CV. Conforme a polícia, 'Doca' é o líder da facção no Complexo da Penha e nenhum ataque acontece sem sua autorização ou determinação. 'Gardenal', é o braço direito de 'Doca', responsável por gerenciar as finanças, logística, segurança e execuções de ordens como torturas. Já 'Pedro Bala', atua como braço operacional e gerente-geral ao lado de 'Doca'. Ele ordena intenso tiroteio para garantir o controle do território na Penha.
O inquérito policial concluiu que a intenção dos criminosos era atacar e matar o maior número possível de policiais envolvidos na operação. Os criminosos foram indiciados por homicídio qualificado, com agravantes relacionados à emboscada, emprego de armamento de guerra e atuação contra agentes de segurança pública. O relatório final já foi encaminhado à Justiça.
A ação, a mais letal da história do Brasil, deixou 122 mortos, sendo cinco policiais, em 28 de outubro de 2025. De acordo com o divulgado pelas forças de segurança, 58 pessoas morreram na data da operação. No dia seguinte, 63 corpos foram encontrados na área de mata da Vacaria. Um dos agentes morreu quase um mês depois.
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