Publicado 22/05/2026 17:49 | Atualizado 22/05/2026 17:56
Os dois tremores de terra registrados na costa do Rio de Janeiro, próximos ao município de Maricá, em menos de 48 horas, reacenderam o debate sobre a atividade sísmica no litoral fluminense. Apesar da preocupação gerada pelos abalos, especialistas afirmam que esse tipo de fenômeno é considerado relativamente comum e, até o momento, não representa risco significativo para a população.
PublicidadeO mais recente tremor aconteceu na manhã desta sexta-feira (22), às 6h50, com magnitude 3,1. O primeiro havia sido registrado na quinta-feira (21), às 5h31, com magnitude 3,3. Ambos ocorreram em alto-mar, a cerca de 100 quilômetros da costa de Maricá, e foram detectados pelas estações da Rede Sismográfica Brasileira (RSBR), com análise do Centro de Sismologia da USP.
Professor do Departamento de Geologia e Geofísica da Universidade Federal Fluminense (UFF), André Ferrari explicou que a ocorrência não é incomum na região e está ligada a estruturas geológicas profundas formadas há milhões de anos.
“Se formos pegar dados, não é uma situação incomum o que aconteceu em Maricá. Um aspecto importante é que não determinaram a profundidade do solo, o hipocentro. Esse abalo sísmico está localizado no limite entre a plataforma continental e o talude oceânico (Faixa íngreme do relevo submarino)”, afirmou o especialista.
Segundo Ferrari, a intensidade registrada é considerada baixa dentro dos padrões sísmicos internacionais. Ele destaca que tremores entre 0 e 10 quilômetros de profundidade podem ser classificados como leves, especialmente em regiões afastadas dos limites entre placas tectônicas.
“O de Maricá foi 3,1 e 3,3. Esses registros são monitorados pela Rede Nacional de Sismografia e observatórios. Existem vários sismos de baixa magnitude. Estamos numa região longe dos limites da placa Sul-Americana, que fica nos Andes, e aqui as tensões diminuem”, explicou.
O geólogo aponta que os abalos podem estar relacionados a antigas falhas geológicas formadas durante o processo de separação continental que originou a Bacia de Santos.
“A causa do abalo em Maricá pode ter sido falhas geológicas da formação da Bacia de Santos, quando ocorreu o rifteamento. Existem falhas que continuam ativas e podem gerar novos sismos”, acrescentou.
Apesar da repetição dos eventos, o especialista afirma que a tendência é que novos tremores continuem acontecendo com baixa magnitude.
“A tendência é continuarem tendo abalos, mas pequenos, como esse”, afirmou Ferrari.
Os dois eventos foram rapidamente identificados graças ao processo de reativação da transmissão de dados das estações sismográficas instaladas na região Sudeste, segundo o Observatório Nacional. O monitoramento é feito em parceria entre a Rede Sismográfica Brasileira, o Centro de Sismologia da USP e o Serviço Geológico do Brasil.
Até o momento, não há relatos de moradores que tenham sentido os tremores, nem registros de danos materiais ou vítimas.
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