Defesa de Jairinho, já havia abandonado o júri do caso Henry Borel anteriormente Arquivo / Reginaldo Pimenta/Agência O Dia
Publicado 25/05/2026 11:33 | Atualizado 25/05/2026 12:23
Rio - O ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, dispensou toda a equipe de defesa, menos um advogado, logo após o início do julgamento do caso Henry Borel, no II Tribunal do Júri da Capital, no fim da manhã desta segunda-feira (23).
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A decisão foi tomada depois que um dos advogados da equipe, Fabiano Lopes, sofreu um infarto do miocárdio, no último sábado (23). Antes da sessão, a defesa havia dito que entraria com um pedido de adiamento, mas já previa a negativa.
Quando destituiu a defesa, Jairinho disse que não queria ser julgado sem a presença de Fabiano, já que o advogado é o único que tem conhecimento de outros três processos acessórios que ele responde em segredo de Justiça. Três testemunhas envolvidas nestes casos estão no tribunal nesta segunda-feira. 
"Soube ontem do problema com Dr. Fabiano. Pedi que mantivesse o plenário hoje. Sei que tem três processos que estou respondendo também e essas três pessoas estão aqui para ser testemunha. A única pessoa que tem condição de inquerir essas pessoas é o Fabiano. Falaram para mim que não tinha condição de tocar nesse intervalo de tempo, de ontem à noite até hoje de manhã. Fica impossível eu ser defendido nesse momento, porque a pessoa que está me defendendo infartou e ele é quem tem conhecimento dos fatos para mostrar aos jurados a verdade. Eu queria muito, do fundo do meu coração, pelos meus três filhos, começar esse plenário, mas eu estou indefeso", disse.
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) pediu o desmembramento do júri, fazendo com que Monique Medeiros, mãe do menino, continue a ser julgada nesta segunda-feira. Além disso, o MPRJ pediu a transferência de Jairinho, atualmente preso em Bangu 8, para Bangu 1. O regime mais rígido se aproxima mais de um cumprimento penal.
"Todos sustentam que o resultado tem que ser a absolvição, mas o Jairo está desconstituindo. Temos mais um dia que jurados são convocados, toda uma estrutura judicial é mexida com isso, sendo que a defesa tem plena possibilidade. O fato dele estar postergando mais uma vez parece uma fuga da realidade. Ele está brincando com a Justiça", afirmou o promotor Fabio Vieira.
Assistente de acusação, o advogado Cristiano Medina classificou a decisão de Jairinho como "uma estratégia para adiar o julgamento. É muito estranho ouvir que está indefeso com o Dr. Zanone [Júnior] em uma banca. É um dos advogados mais respeitados do Brasil", alegou.
A defesa de Monique Medeiros, no entanto, afirmou que não poderia seguir com o julgamento se que Jairo também participasse e pediu, novamente, o relaxamento da prisão. "Nós até concordaríamos, mas questão de lógica jurídica para Monique ser julgada precisa partir de um preceito que Jairinho fez algo", disse a advogada Florence Rosa.
Monique foi às lágrimas e conversou reservadamente com os advogados, revelando o desejo de não querer sair da cadeia para não correr o risco de ter que retornar ao sistema prisional. A defesa, então, informou que não está pedindo a revogação da prisão e disse que a juíza tem obrigação de julgar a nulidade, já que Monique está respeitando o processo.
O menino Henry Borel foi assassinado em 8 de março de 2021. Antes de ser morta, a criança estava em um apartamento com a mãe, Monique Medeiros, e o padrasto, o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho.
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