Monique Medeiros é réu pela morte do filho Henry BorelReginaldo Pimenta/Arquivo Agência O Dia
Publicado 26/05/2026 21:16 | Atualizado 26/05/2026 22:12
Monique Medeiros sabia das agressões a Henry Borel e foi omissa com o sofrimento do filho. Esta afirmação é do delegado Edson Henrique Damasceno no segundo dia do julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e Monique Medeiros, nesta terça-feira (26), no II Tribunal do Júri da Capital, no Centro do Rio.

Responsável pelas investigações iniciais do caso, ele afirmou que Monique tinha conhecimento de agressões sofridas pelo filho antes da morte e apontou omissão por parte dela em diferentes momentos.

Ouvido desde a manhã, Damasceno afirmou aos jurados que há provas de que a mãe sabia de episódios de violência anteriores envolvendo Henry e não adotou medidas para impedir novas agressões. "Eu tenho prova da omissão da Monique em vários momentos", disse no plenário.
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Ao ser questionado sobre a madrugada da morte do menino, em 8 de março de 2021, o delegado disse que a investigação não conseguiu reconstruir com precisão toda a dinâmica dentro do apartamento da Barra da Tijuca, mas reforçou que o relatório enviado à Justiça apontou Jairinho como autor material das agressões que culminaram na morte da criança.

"Foi feito o relatório e enviado à Justiça apontando o Jairo como autor das agressões. Ao que tudo indica, quem matou foi o Jairo. Foi entre a noite do dia 7 e a madrugada do dia 8. Foi essa agressão que gerou a laceração", afirmou.

Apesar disso, Damasceno reforçou que a conclusão da polícia foi de que Monique tinha ciência de agressões anteriores e permaneceu omissa diante do que acontecia com o filho.

Segundo ele, conversas extraídas do celular da babá Thayná de Oliveira Ferreira foram fundamentais para esclarecer a cronologia dos episódios de violência e mostrar que a versão apresentada inicialmente pela mãe não era verdadeira. "O que consta nos autos é que essas conversas reforçam que ela mentiu e depois admitiu que aquela versão era mentirosa. Ou seja, ela sabia das agressões", afirmou.

De acordo com o delegado, um dos episódios citados aconteceu no início de fevereiro de 2021, quando Jairinho ficou sozinho com Henry dentro de um quarto. Depois, a criança teria saído reclamando de dores e sem conseguir brincar normalmente no dia seguinte. Outro episódio semelhante ocorreu no dia 12 daquele mês, também sem a presença de Monique no imóvel. Já na madrugada da morte, segundo a investigação, ela estava no apartamento.

Damasceno também rebateu a tese apresentada pela defesa de Monique de que ela vivia uma relação abusiva e estaria submetida psicologicamente a Jairinho. "Eu não vi nenhuma prova de que ela estivesse numa relação de submissão", afirmou.

A defesa da professora tentou explorar durante a tarde uma suposta mudança de entendimento do delegado sobre a participação de Monique e questionou por que ela não foi ouvida novamente no momento em que apresentou outra versão do caso. Em resposta, Damasceno afirmou que a mudança só ocorreu após a prisão do casal e sustentou que a investigação reuniu elementos suficientes para apontar que a mãe tinha conhecimento das agressões relatadas por pessoas próximas.

O advogado Hugo Novaes, que representa Monique, insistiu na tese de que não há como afirmar o que aconteceu dentro do apartamento no momento da agressão fatal. O delegado concordou que a dinâmica exata da madrugada não pôde ser totalmente reconstituída, mas voltou a diferenciar a autoria do espancamento da omissão atribuída à mãe.

"Eu seria leviano se apontasse uma dinâmica exata daquela noite. O que foi possível comprovar é que o Jairo praticou agressões e que, em outros momentos, Monique tinha ciência do que estava acontecendo", afirmou.

Henry Borel morreu aos 4 anos, em março de 2021, no apartamento onde morava com a mãe e Jairinho, na Barra da Tijuca. O ex-vereador responde por homicídio triplamente qualificado e tortura. Monique Medeiros é acusada de homicídio por omissão e de deixar de proteger o filho diante das agressões. Ambos negam as acusações.
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