A Casa da Tia Ciata fica na Rua Camerino, 5, Saúde, na região conhecida como Pequena ÁfricaDivulgação / Casa da Tia Ciata
Publicado 27/05/2026 09:04 | Atualizado 27/05/2026 10:17
Rio – A ONG Casa da Tia Ciata, no bairro Saúde, na Zona Portuária, inaugurou nesta terça-feira (26) uma exposição gratuita voltada para a preservação do legado da matriarca do samba e símbolo da cultura afro-brasileira. A mostra, que celebra os 19 anos de fundação, ficará em cartaz até dia 30 de junho.
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A programação "Caminhos de Ciata: legado e memória de Tia Ciata”, que começou às 15h, promoveu um passeio guiado pela região conhecida como Pequena África, a exibição de xilogravuras de Fernando Mendonça, oficinas de gastronomia e vivências de capoeira.
Bisneta da homenageada e gestora da organização, Gracy Mary Moreira afirma ao DIA que a exposição carrega um valor global, por conta da versatilidade das contribuições culturais deixadas por Ciata: “Ela traz a importância do legado de Tia Ciata não apenas para o Rio, mas para o Brasil e o mundo, porque ela é reverenciada nos quatro cantos do planeta, e esse interesse pela história dela nos deixa feliz.
Para Gracy, Ciata já era símbolo da luta feminina por autonomia e independência em sua época: “Quando a gente fala, hoje, de mulher empreendedora, ela já era no seu tempo. Quando a gente traz a Assistência Social, Ciata já fazia isso, quando dava comida aos necessitados em sua casa todos os dias, fazendo a localização de parentes das pessoas que chegavam no porto.”
“Então, ela foi realmente uma mulher à frente do seu tempo, que também tinha a maestria não só da dança, mas da condução das pessoas que frequentavam a casa dela, que não eram só os negros e os capoeiristas, mas os ciganos, judeus, islâmicos. Então, foi nessa composição e vendo a diversidade na casa dela que em Heitor dos Prazeres começou a chamar a região de Pequena África, nome que compreende Saúde, Gamboa, Santo Cristo e Cidade nova”, destaca Gracy.
A pesquisadora também defende que a gratuidade permite uma maior aproximação do público do legado de Ciata: "É para toda a população conhecer, para as pessoas poderem ver a trajetória dela, os locais por onde ela transitou, as mudanças que a própria cidade acumulou, as quatro gerações de Ciata também. A exposição está muito bonita, completa".
Natural do Recôncavo Baiano, Ciata nasceu Hilária Batista de Almeia, em 13 de janeiro de 1854. Ela se mudou para o Rio aos 22 anos, e ajudou a fundamentar o samba, confeccionando e alugando roupas de baiana feitas com requinte, para teatros e desfiles carnavalescos. Ciata também era mãe de Santo e quituteira, e será enredo do Paraíso da Tuiuti em 2027.
Além disso, foi uma grande anfitriã, na Praça Onze, de saraus em que se tocava samba, choro e maxime, abrindo espaço para compositores e músicos, como Pixinguinha, Donga e muitos outros. A matriarca também era profundamente ligada ao pintor Heitor dos Prazeres (1898-1966). 
A Organização Cultural Remanescentes de Tia Ciata (Casa da Tia Ciata) funciona na Rua Camerino, 5, Saúde, na Pequena África, toda terça e quinta-feira, das 14h às 17h, e às sextas entre 14h às 18h30.
 
*Reportagem da estagiária Ágatha Araújo, sob supervisão de Raphael Perucci
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