Psiquiatra diz que Jairinho possui um 'padrão de perversidade' e tem 'prazer em infringir dor em crianças'Arquivo / Reginaldo Pimenta/Agência O Dia
Publicado 27/05/2026 13:12 | Atualizado 27/05/2026 13:38
Rio - O terceiro dia do julgamento de Jairo Souza Santos Júnior e Monique Medeiros, acusados pela morte do menino Henry Borel teve início, nesta quarta-feira (27), com um clima tenso entre a promotoria e a defesa de Jairinho, e a assistência de acusação e os advogados de Monique. No plenário, o psiquiatra Rafael Bernardon Ribeiro foi o primeiro a ser ouvido.
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O médico fez um parecer indireto sobre o comportamento psíquico de Jairinho e Monique com base nos autos, depoimentos e entrevistas. Durante o depoimento, ele explicou que chegou à conclusão que o ex-vereador sente prazer em machucar crianças. 
"Na análise do réu, pude perceber um padrão repetitivo de abuso infantil. Existe um padrão de perversidade, prazer em infringir dor em crianças", disse Bernardon.
Segundo o psiquiatra, mais de 20% de pessoas avaliadas dentro do sistema prisional recebem um diagnóstico dentro da Escala Hare de Psicopatia, instrumento de análise psicológica para avaliar traços de psicopatia em alguém.
O médico informou que entrevistou Débora Mello Saraiva e Natasha de Oliveira Machado, ex-namoradas de Jairinho. De acordo com Bernardon, o ex-vereador agrediu os filhos delas, que na época eram crianças pequenas, durante os relacionamentos.
"Entrevistei a K. [filha menor de idade da Natasha] e ela lembra de alguns episódios, como ele torcer o braço dela e, ao levar ao hospital, dizer que aconteceu no jiu-jítsu. Ela ainda contou uma sessão de agressões na piscina. Ela está apavorada até hoje. Quando mais intenso emocionalmente, maior a probabilidade de marcar. Fatos como esse se consolidam na memória e podem ser engatilhados, como a exposição midiática de um caso", contou.
O médico também falou com o filho de Débora. Na época em que se relacionou com Jairinho, ela criou uma dependência econômica no ex-vereador, o que fez com que o namoro fosse prolongado. "Cheguei a entrevistar o E. [Filho menor de idade da Débora]. Ele saiu para dar um passeio com o padrasto e voltou com um fêmur quebrado. Débora falou que ela teria sido dopada, a irmã socorreu e ela realmente teria sido dopada. Durante isso, teria acontecido uma série de torturas contra o menino. Essa pessoa tem um prazer em provocar a dor e torturar, além de ter um público alvo: crianças", afirmou.
O psiquiatra ainda alfinetou o ex-vereador ao dizer que a massagem cardíaca é conhecimento básico e que cursou medicina há 20 anos e ainda saberia fazer. Na época do crime, Jairinho, que era médico, afirmou que não fez a manobra de ressuscitação no menino pois nunca havia exercido a Medicina e treinou apenas em boneco.
Quando começou a detalhar a personalidade de Monique, a defesa da ex-professora municipal tentou impugnar o testemunho por acreditar que o psiquiatra não tem capacidade de fazer um diagnóstico, mas o pedido foi rejeitado pela juíza Elizabeth Machado Louro. O médico afirmou que não tem o objetivo de apresentar um diagnóstico, mas sim apontar traços de personalidade que ajudem na compreensão do suposto crime.
Monique Medeiros não apresentou instintos maternos
Para o psiquiatra, Monique, mãe de Henry, não apresentou instintos maternos no episódio de agressão anterior à morte do menino. No caso, que aconteceu em fevereiro de 2021, Jairinho se trancou no quarto com a criança, que saiu do local com dor de cabeça e mancando. Monique estava no cabelereiro, mas recebeu mensagens da babá de Henry, Thayná de Oliveira Ferreira, sobre o fato.
"O instinto de preservação materna é um dos mais fortes dos mamíferos e a Monique nao apresentou esse intestino. Débora e Natasha tiveram a percepção de que não era um ambiente saudável pra manter os filhos. Ao menos durante um mês, houve sinais para a Monique. Se ela pensou em fazer vigilância, ela supôs que algo de errado poderia estar acontecendo algo naquela casa", afirmou.
Vale lembrar que o psiquiatra não teve contato direto com os réus. Ele foi contratado por Leniel Borel, pai de Henry, após a morte do menino. Bernardon é graduado pela Universidade de São Paulo (USP) com residência no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (IPq-HC-FMUSP). Possui mestrado pelo King's College London (Reino Unido) e doutorado pela Santa Casa de São Paulo.
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