Monique Medeiros foi omissa em relação às agressões de Jairinho contra Henry, afirmam delegadosArquivo/Reginaldo Pimenta/Agência O Dia

Rio - O segundo dia de julgamento do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior e Monique Medeiros, acusados pela morte do menino Henry Borel, terminou com o depoimento da delegada Ana Carolina Lemos Medeiros Caldas já na madrugada desta quarta-feira (27). A oitiva da investigadora, que atuou durante as investigações da ocorrência pela 16ª DP (Barra da Tijuca), começou às 21h e durou cerca de cinco horas.
A testemunha de acusação voltou a destacar que Monique sabia das agressões e não agiu para proteger o filho, assim como já havia sido afirmado pelo delegado Henrique Damasceno, então titular da 16ª DP (Barra da Tijuca) durante seu depoimento que se arrastou ao longo de dez horas nesta terça-feira (26). Ana Carolina ainda reforçou que as investigações apontaram mentiras nos depoimentos dos réus e alinhamento do discurso dos dois com objetivo de acobertar o crime.
Em certo momento, houve um debate entre a Promotoria do Ministério Público do Rio de Janeiro e a defesa de Monique. O órgão abordou bolsas de luxo utilizadas pela acusada, além de altos gastos. Os advogados de Monique, no entanto, reclamaram que a associação entre a mulher e o desejo de produtos caros reproduz um discurso machista.
Sobre Jairinho, a delegada relembrou relatos de relacionamentos abusivos e episódios anteriores de agressões contra crianças. Entre os casos citados está o da ex-namorada do ex-vereador, Natasha de Oliveira Machado, cuja filha, então com 3 anos, passou a demonstrar repulsa e resistência em permanecer perto dele.
"Na delegacia, ela contou que teve um relacionamento abusivo com com Jairo. Ela não foi agredida durante, mas quando terminou, Jairo passou a persegui-la e agrediu fisicamente também. Ela tinha uma filhinha de 3 anos de idade à época e durante o relacionamento, a menina passou a ter muita aversão ao Jairo. De início, a mãe achava que era ciúme, mas depois viu que ela de fato era uma repulsa e afastou a menina. Inclusive, ela chegou a ir morar junto com o Jairo, mas a menina não foi junto, ficou com a avó", relatou.
Ana Carolina também falou sobre contatos de Jairinho com o alto executivo da Rede D'Or logo após a morte de Henry. "Na época, surgiu essa informação de que ele teria tentado liberar o corpo do Henry, no Barra D'Or, sem que fosse encaminhado para o IML. Ele não desejava que o corpo fosse encaminhado ao IML. Antes mesmo de começar a investigação, ele tentou liberar o corpo do Henry no Barra D'Or sem que fosse encaminhado ao IML", afirmou.
Para esta quarta-feira, estão previstos os depoimentos do perito Luis Carlos Prestes, do médico legista Luiz Airton Saavedra, do psiquiatra Rafael Bernardon e da médica do Barra D’Or Maria Cristina de Souza Azevedo,.
Delegado Henrique Damasceno
O delegado Henrique Damasceno, que recebeu o registro de ocorrência da morte de Henry quando estava à frente da 16ª DP (Barra da Tijuca), foi o primeiro a ser ouvido nesta terça-feira. Durante seu depoimento, ele explicou motivo do crime não ir direto para a Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) e falou sobre a similaridade dos depoimentos de Jairinho e Monique.

"O depoimento dos dois era absolutamente compatível. Foram versões absolutamente mentirosas. Eles sabiam das agressões que o menino sofria. Ficou muito demonstrado pela investigação que o menino já havia tido episódios muito sérios de violência na casa. Era o mesmo advogado para os dois. O normal é ver uma família destruída. Já trabalhei em casos em que morre uma criança e ela está preocupada em saber o que aconteceu, não em treinar com advogado para prestar depoimento. Isso não é comum, posso assegurar que não é comum", afirmou

Ele também destacou que a investigação ganhou novo rumo a partir da análise de mensagens encontradas no celular da babá de Henry, Thayná de Oliveira Ferreira. Segundo o delegado, o material ajudou a desmontar a versão apresentada inicialmente pelo casal e apontou episódios anteriores de agressão dentro do apartamento da Barra da Tijuca. "Sem aquelas conversas, a mentira poderia ter seguido", afirmou.
O delegado ainda afirmou que Monique sabia das agressões a Henry e foi omissa com o sofrimento do filho. "Eu tenho prova da omissão da Monique em vários momentos", disse no plenário.