Monique Medeiros é réu pela morte do filho Henry BorelReginaldo Pimenta/Arquivo Agência O Dia
Responsável pelas investigações iniciais do caso, ele afirmou que Monique tinha conhecimento de agressões sofridas pelo filho antes da morte e apontou omissão por parte dela em diferentes momentos.
Ouvido desde a manhã, Damasceno afirmou aos jurados que há provas de que a mãe sabia de episódios de violência anteriores envolvendo Henry e não adotou medidas para impedir novas agressões. "Eu tenho prova da omissão da Monique em vários momentos", disse no plenário.
"Foi feito o relatório e enviado à Justiça apontando o Jairo como autor das agressões. Ao que tudo indica, quem matou foi o Jairo. Foi entre a noite do dia 7 e a madrugada do dia 8. Foi essa agressão que gerou a laceração", afirmou.
Apesar disso, Damasceno reforçou que a conclusão da polícia foi de que Monique tinha ciência de agressões anteriores e permaneceu omissa diante do que acontecia com o filho.
Segundo ele, conversas extraídas do celular da babá Thayná de Oliveira Ferreira foram fundamentais para esclarecer a cronologia dos episódios de violência e mostrar que a versão apresentada inicialmente pela mãe não era verdadeira. "O que consta nos autos é que essas conversas reforçam que ela mentiu e depois admitiu que aquela versão era mentirosa. Ou seja, ela sabia das agressões", afirmou.
De acordo com o delegado, um dos episódios citados aconteceu no início de fevereiro de 2021, quando Jairinho ficou sozinho com Henry dentro de um quarto. Depois, a criança teria saído reclamando de dores e sem conseguir brincar normalmente no dia seguinte. Outro episódio semelhante ocorreu no dia 12 daquele mês, também sem a presença de Monique no imóvel. Já na madrugada da morte, segundo a investigação, ela estava no apartamento.
Damasceno também rebateu a tese apresentada pela defesa de Monique de que ela vivia uma relação abusiva e estaria submetida psicologicamente a Jairinho. "Eu não vi nenhuma prova de que ela estivesse numa relação de submissão", afirmou.
A defesa da professora tentou explorar durante a tarde uma suposta mudança de entendimento do delegado sobre a participação de Monique e questionou por que ela não foi ouvida novamente no momento em que apresentou outra versão do caso. Em resposta, Damasceno afirmou que a mudança só ocorreu após a prisão do casal e sustentou que a investigação reuniu elementos suficientes para apontar que a mãe tinha conhecimento das agressões relatadas por pessoas próximas.
O advogado Hugo Novaes, que representa Monique, insistiu na tese de que não há como afirmar o que aconteceu dentro do apartamento no momento da agressão fatal. O delegado concordou que a dinâmica exata da madrugada não pôde ser totalmente reconstituída, mas voltou a diferenciar a autoria do espancamento da omissão atribuída à mãe.
"Eu seria leviano se apontasse uma dinâmica exata daquela noite. O que foi possível comprovar é que o Jairo praticou agressões e que, em outros momentos, Monique tinha ciência do que estava acontecendo", afirmou.
Henry Borel morreu aos 4 anos, em março de 2021, no apartamento onde morava com a mãe e Jairinho, na Barra da Tijuca. O ex-vereador responde por homicídio triplamente qualificado e tortura. Monique Medeiros é acusada de homicídio por omissão e de deixar de proteger o filho diante das agressões. Ambos negam as acusações.

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