Jairinho (C), acusado de matar o menino Henry, em julgamento que acabou suspenso em marçoArquivo / Reginaldo Pimenta/Agência O Dia
Publicado 28/05/2026 14:18 | Atualizado 28/05/2026 14:34
Rio - Segunda a depor no quarto dia de julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e Monique Medeiros pela caso do menino Henry Borel, Natasha de Oliveira Machado, que já foi namorada do ex-vereador, relembrou, no início da tarde desta quinta-feira (28), episódios de violência por parte dele. Horas antes, a filha dela, Kaylane de Oliveira Duarte Pereira, de 18 anos, já havia relatado agressões como socos e até afogamento.

Natasha, que contou ter conhecido Jairinho durante trabalho para uma campanha do pai dele, o deputado estadual Coronel Jairo (SDD), lembrou que quando se relacionaram, não sabia que ele ainda era casado.

Já em meados de 2013, após o fim da relação, segundo Natasha, teve início um comportamento violento e, por vezes, obsessivo por parte de Jairinho, incluindo perseguição, agressão e até vazamento de imagens íntimas.

"Depois do término, ele virou outra pessoa. Ficava na esquina da minha casa escondido, atrás de árvore. Já chegou a rasgar minha roupa. Uma vez apareceu com uma foto íntima na rua e foi à minha casa dizendo que ninguém ia me assumir, que era para voltar com ele", relatou Natasha, afirmando que Jairinho teria mostrado a tal foto para vizinhos e conhecidos dela.

Cerca de um ano depois, ainda de acordo com Natasha, ela e sua mãe foram as únicas a ficarem sabendo das agressões sofridas por Kaylane, que embora tivesse 4 anos de idade, teria sido levada pelo ex-vereador para um lugar com características de suíte de motel. Em seu depoimento, ela havia descrito o cenário do afogamento mencionado como um quarto com uma "piscina na parte da garagem". Apesar disso, nunca ficaram constatadas lesões internas na menina.

Natasha afirmou ainda que ela e a mãe foram as únicas a tomarem conhecimento das agressões contra Kaylane e que, a partir de então, decidiu parar de colaborar para campanhas políticas de Jairinho ou do pai dele. A mulher também entrou em acordo com a família para não retomarem o assunto das violências cometidas pelo ex-parlamentar.

Kaylane, entretanto, teria demonstrado arrependimento pelo silêncio após a morte de Henry: "Ela chegou em casa correndo e disse: ‘Foi porque eu não fiz nada. A culpa é minha’. O que eu pude fazer, eu fiz. Procurei o pai do Henry e disse para ele não parar de lutar”, contou Natasha, negando ter recebido qualquer instrução de Leniel às vésperas do julgamento.

A ex-companheira de Jairinho ainda ressaltou que o réu teria ligado para a irmã dela fazendo perguntas sobre a sua vida pessoal e a de Kaylane, o que a teria motivado a omitir que seria depoente.

O que diz a defesa
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O advogado Fabiano Lopes, que representa Jairinho, chegou ao Tribunal do Júri pela manhã, acompanhado de uma médica de emergência. O defensor, que se apresentou como responsável por "capitanear" a defesa do ex-parlamentar, infartou no sábado (23) e estava afastado desde o início das audiências, na segunda-feira (25).
Sobre Natasha ter deixado as campanhas de Jairinho e Coronel Jairo por volta de 2013, Lopes e Tamara Bessa, advogada de sua equipe, exibiram fotos de familiares dela (primos e irmã) com adesivos dele, afirmando que seriam imagens registradas em 2020.

Os advogados também alegaram que a irmã de Natasha, que aparece em uma destas fotos tiradas supostamente em 2020, também sabia das agressões, mas a depoente negou.

Por fim, a defesa destacou que Natasha esteve no escritório de Cristiano Medina, assistente de acusação do caso Henry Borel, antes de depor para a polícia. Ela confirmou que o profissional foi cedido por Leniel Borel no processo que apura o caso de Kaylane.
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