Ex-namoradas acusam Jairinho de agressões contra ela e os filhosArquivo/Reginaldo Pimenta/Agência O Dia
Publicado 28/05/2026 17:14
Rio - O quarto dia do julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e Monique Medeiros pela morte de Henry Borel, nesta quarta-feira (28), no II Tribunal do Júri do Rio, foi marcado por um dos depoimentos mais fortes apresentados até agora. Ex-namorada de Jairinho, a assistente social Débora Mello Saraiva relatou aos jurados episódios de violência que, segundo ela, aconteceram ao longo dos cerca de seis anos em que manteve um relacionamento com o ex-vereador, incluindo agressões físicas a ela e ao filho, E., que na época tinha por volta de 3 anos.
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Débora afirmou que o menino só conseguiu falar sobre uma das agressões anos depois, após a repercussão do caso Henry Borel e da prisão de Jairinho. Segundo a testemunha, o filho primeiro revelou o episódio à avó e à tia, durante uma viagem da família para Angra dos Reis. Depois, repetiu a mesma história para ela.
“Ele olhou para mim e perguntou: ‘Mamãe, você sabe o que ele fez comigo?’”, contou. Em seguida, segundo Débora, E. relatou em detalhes o que teria acontecido dentro de um apartamento montado pelo casal, onde passou a noite ao lado da irmã mais velha.
“Ele contou que o Jairo mandou a C. dormir e disse que ia cuidar dele. Depois, falou que botou papel e pano na boca dele para que ele não gritasse e começou a pisar na barriguinha dele. E que ele ficava rindo”, afirmou a testemunha diante dos jurados.
Tempos depois da agressão, Débora contou que encontrou um desenho, feito pelo filho, em que Jairo aparece sorrindo e pisando nele.
Débora relatou ainda um episódio de agressão ao filho e também de abuso sexual contra ela. A assistente social disse que, naquela noite, estava desacordada em outro cômodo e que só mais tarde compreendeu o que tinha acontecido.
“Eu fui dopada por ele naquele dia. Foi o mesmo dia em que ele me estuprou”, afirmou. Segundo ela, o filho ainda contou que tentou acordá-la após a agressão, mas não conseguiu. “Ele falou: ‘Mamãe, eu tentei te acordar, eu te sacudi, mas você não respondia’”, relatou.
A ex-namorada também afirmou que E. contou que Jairinho teria colocado um saco plástico sobre a cabeça dele e rodado com a criança dentro do estacionamento do prédio. De acordo com Débora, até aquele momento o menino nunca havia conseguido verbalizar o episódio.
Outro ponto do depoimento foi uma fratura sofrida por E. ainda pequeno. Segundo a testemunha, Jairinho pediu para levar a criança sozinho a uma confraternização. Horas depois, ligou dizendo que o menino havia se machucado.
Débora contou que encontrou o filho no shopping e o levou para fazer um raio-x. O exame apontou fratura no fêmur. “Quando fizemos o raio-x, ele estava com o fêmur quebrado. Foi grave e ele precisou colocar o osso no lugar”, afirmou.
Segundo Débora, foi Jairo quem chegou ao hospital relatando o que teria acontecido e o médico não o questionou em nenhum momento. "O médico não indagou como aconteceu a lesão no fêmur. No hospital estava eu e Jairo. Ele saiu contando como aconteceu sem o médico perguntar, falando que foi uma queda ao cair do carro", afirmou.
Ao longo da oitiva, Débora também relatou episódios de violência que, segundo ela, sofreu diretamente durante o relacionamento com Jairinho. Em um deles, disse que teve um dedo do pé quebrado após receber um chute durante uma discussão em um hotel. Em outro episódio, contou que foi agarrada pelo pescoço, arrastada e mordida na cabeça durante uma discussão em Mangaratiba. 
A testemunha afirmou ainda que mantém medida protetiva contra o ex-vereador e que até hoje sente medo. “Ele me ameaçou e disse que, se eu falasse a verdade, ia me atingir onde mais me machucava”, declarou. 
Questionada pela acusação e pela defesa de Jairinho, Débora reafirmou as acusações e rebateu tentativas de contestação sobre registros e versões apresentadas anteriormente. Em alguns momentos do depoimento, se emocionou ao lembrar dos filhos e da repercussão do caso Henry.
A oitiva foi a terceira desta quinta-feira. Mais cedo prestaram depoimento Natasha de Oliveira Machado, também ex-namorada de Jairinho e a filha dela, Kaylane de Oliveira Duarte Pereira, de 18 anos. As duas relataram episódios de agressões envolvendo o ex-vereador.
Jairo Souza Santos é acusado de homicídio triplamente qualificado e tortura pela morte de Henry Borel. Monique Medeiros é acusada de homicídio por omissão e por descumprimento do dever de proteção do filho. Os dois negam as acusações.
O julgamento segue nos próximos dias com novas testemunhas de acusação e defesa antes da fase final de debates e da decisão do Conselho de Sentença. Até o momento, sete das 27 testemunhas listadas no processo foram ouvidas
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