Jairo Souza Santos JúniorReginaldo Pimenta/Arquivo O Dia
Publicado 29/05/2026 17:58 | Atualizado 29/05/2026 18:38
Rio - O médico legista Luiz Airton Saavedra, assistente técnico da acusação, afirmou em plenário que a morte de Henry Borel, de 4 anos, ocorreu em decorrência de uma hemorragia interna causada por laceração hepática, associada a múltiplos traumatismos. Ele foi o segundo a depor, nesta sexta-feira (29), no julgamento do padrasto e mãe do menino, respectivamente, Jairo Souza Santos Júnior e Monique Medeiros.

A fala reforçou a linha apresentada pela acusação desde o início do júri e chamou atenção pela riqueza de detalhes técnicos apresentados aos jurados. Segundo Saavedra, a causa principal da morte foi o choque hipovolêmico. "A vítima veio a óbito por choque circulatório devido a hemorragia abdominal produzida por laceração hepática, na presença de múltiplos traumatismos que atingiram diferentes segmentos do corpo" afirmou.

De acordo com o legista, a análise dos documentos médicos e do laudo de necropsia apontou pelo menos três traumatismos independentes na cabeça, em regiões distintas, além de contusões no tórax e sinais internos de hemorragia.

Saavedra explicou aos jurados que os ferimentos encontrados são compatíveis com ações contundentes e destacou que, em crianças, lesões graves podem ocorrer internamente mesmo sem marcas evidentes na pele. "O abdômen da criança consegue absorver impacto sem apresentar sinal aparente externamente, mas com graves repercussões internas" disse.

Em outro momento do depoimento, o médico afirmou que a lesão no fígado normalmente não leva à morte imediata e que, em situações como a analisada, é esperado um intervalo de tempo entre a agressão e o óbito. Segundo ele, a literatura médica aponta uma janela aproximada entre duas e quatro horas, embora cada caso precise ser analisado individualmente.

Ao comentar imagens e registros de Henry horas antes de morrer, em momentos ao lado do pai, Leniel Borel, a testemunha disse que a criança aparentava estar bem e sem sinais compatíveis com uma laceração hepática naquele período. "Uma criança com esse tipo de lesão apresentaria dor, desconforto e abatimento" explicou.
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O médico reforçou a conclusão de que Henry morreu em decorrência de uma hemorragia interna causada por laceração hepática associada a múltiplos traumatismos pelo corpo. Ao detalhar a análise técnica, disse que as lesões identificadas na cabeça, no tórax e no abdômen são compatíveis com ações contundentes e descartou que tenham sido provocadas por uma queda ou durante o atendimento médico no hospital.

O legista também afirmou que, com base nos registros de temperatura corporal e no início da rigidez da mandíbula descritos no prontuário, a estimativa é que Henry tenha morrido entre duas e quatro horas antes de dar entrada no Hospital Barra D’Or. Segundo ele, esse intervalo coincide com o período em que a criança estava no apartamento onde viviam Monique Medeiros e Jairinho.

Questionado pela defesa de Jairinho, Saavedra manteve as conclusões apresentadas no parecer e afirmou que os elementos analisados apontam que Henry já chegou sem vida ao hospital. A defesa de Monique optou por não fazer perguntas ao médico legista.

Antes do início do depoimento, a defesa do ex-vereador Jairinho tentou impedir que Saavedra prestasse depoimento como testemunha. O advogado Zanone Júnior alegou suposta parcialidade do médico e pediu que ele fosse ouvido apenas como informante, citando a relação de proximidade com Leniel e com a equipe da assistência de acusação.

A juíza Elizabeth Machado Louro rejeitou o pedido. Na decisão, alegou que os argumentos apresentados não caracterizam impedimento legal e manteve o legista como testemunha compromissada a dizer a verdade.

Jairinho acompanhou o depoimento no plenário. Monique não estava presente nesta etapa da sessão. Mais cedo deste mesmo dia, precisou ser retirada do tribunal para atendimento médico. A ex-professora passou mal ao ver imagens do corpo do filho, durante depoimento do perito-legista Luís Carlos Leal Prestes, do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).
Primeira testemunha desta sexta, o perito disse aos jurados que a laceração hepática de Henry ocorreu em vida, descartou relação com manobras de reanimação e declarou que o menino "sofreu muito" antes de morrer. Monique voltará ao plenário apenas neste sábado (30). O júri popular de Jairinho e da ex-professora iniciou na segunda (25). 
Relembre o caso

Henry morreu na madrugada do dia 8 de março de 2021. O ex-vereador é acusado de homicídio triplamente qualificado e tortura. Já a mãe do menino é acusada de homicídio por omissão e por descumprimento do dever de proteção do filho. Os dois negam as acusações.
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