Publicado 02/06/2026 21:51
Rio - No último depoimento do julgamento do caso Henry Borel, nesta terça-feira (2), o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, afirmou pela primeira vez, que deu "bandas" em Henry Borel, porém disse que aquilo não se caracterizava agressão e negou ter torturado o menino. Durante mais de quatro horas de interrogatório no Tribunal do Júri do Rio, o réu chorou diversas vezes, atacou a credibilidade de testemunhas, criticou a investigação e fez um apelo direto aos jurados.
"Eu não fiz isso com o Henry. A Monique [Medeiros] sabe que eu não fiz isso com o Henry, o pai dele [Leniel Borel] sabe que eu não fiz isso com o Henry. Ele mente. Sabe que eu não fiz nada com o filho dele", declarou Jairinho ao abordar pela primeira vez o episódio de 12 de fevereiro de 2021, apontado pela acusação como uma das datas em que Henry teria sido submetido a agressões.
O interrogatório ocorreu horas depois de Monique, mãe do menino e também ré no processo, afirmar aos jurados acreditar que o ex-namorado matou seu filho. Mais cedo, ela declarou que, caso tivesse conhecimento das agressões, estaria sendo julgada pela morte de Jairinho.
Ao iniciar seu depoimento, entretanto, o ex-vereador evitou falar sobre Henry e passou horas reconstruindo sua trajetória pessoal, familiar e política.
Choro ao falar da família
Jairinho afirmou que a pessoa com quem mais se identifica é sua mãe e disse ter orgulho dela. Também chamou a irmã de sua "melhor amiga" e relembrou problemas de saúde enfrentados pelo pai, o coronel Jairo Souza Santos.
Em diversos momentos, emocionou-se diante dos jurados. Um dos episódios ocorreu quando a defesa exibiu imagens dele com o sobrinho. "Eu adoro criança", afirmou.
O ex-vereador também falou sobre os mais de cinco anos de prisão preventiva e o desgaste provocado pelo processo. "Tenho certeza absoluta que foram demorados. Não à toa vocês passaram todo esse tempo aqui. A cada dia vejo provas que mudam completamente o que está acontecendo".
Ataques às testemunhas
Grande parte do interrogatório foi dedicada à tentativa de descredibilizar depoimentos de ex-companheiras e testemunhas ouvidas ao longo do julgamento.
Jairinho negou agressões contra mulheres e crianças e afirmou que não existem mensagens ou registros que comprovem os relatos apresentados por ex-namoradas.
"Não há da parte da Débora [Mello Saraiva], Natasha [de Oliveira Machado], Monique ou qualquer outra mulher mensagens que mostrem que eu tenha agredido alguém", declarou o ex-vereador.
Ele também acusou o pai de Henry, Leniel Borel, de influenciar testemunhas contra ele. Segundo o réu, depoimentos de ex-companheiras surgiram após contatos feitos por pessoas ligadas à acusação.
Publicidade"Eu não fiz isso com o Henry. A Monique [Medeiros] sabe que eu não fiz isso com o Henry, o pai dele [Leniel Borel] sabe que eu não fiz isso com o Henry. Ele mente. Sabe que eu não fiz nada com o filho dele", declarou Jairinho ao abordar pela primeira vez o episódio de 12 de fevereiro de 2021, apontado pela acusação como uma das datas em que Henry teria sido submetido a agressões.
O interrogatório ocorreu horas depois de Monique, mãe do menino e também ré no processo, afirmar aos jurados acreditar que o ex-namorado matou seu filho. Mais cedo, ela declarou que, caso tivesse conhecimento das agressões, estaria sendo julgada pela morte de Jairinho.
Ao iniciar seu depoimento, entretanto, o ex-vereador evitou falar sobre Henry e passou horas reconstruindo sua trajetória pessoal, familiar e política.
Choro ao falar da família
Jairinho afirmou que a pessoa com quem mais se identifica é sua mãe e disse ter orgulho dela. Também chamou a irmã de sua "melhor amiga" e relembrou problemas de saúde enfrentados pelo pai, o coronel Jairo Souza Santos.
Em diversos momentos, emocionou-se diante dos jurados. Um dos episódios ocorreu quando a defesa exibiu imagens dele com o sobrinho. "Eu adoro criança", afirmou.
O ex-vereador também falou sobre os mais de cinco anos de prisão preventiva e o desgaste provocado pelo processo. "Tenho certeza absoluta que foram demorados. Não à toa vocês passaram todo esse tempo aqui. A cada dia vejo provas que mudam completamente o que está acontecendo".
Ataques às testemunhas
Grande parte do interrogatório foi dedicada à tentativa de descredibilizar depoimentos de ex-companheiras e testemunhas ouvidas ao longo do julgamento.
Jairinho negou agressões contra mulheres e crianças e afirmou que não existem mensagens ou registros que comprovem os relatos apresentados por ex-namoradas.
"Não há da parte da Débora [Mello Saraiva], Natasha [de Oliveira Machado], Monique ou qualquer outra mulher mensagens que mostrem que eu tenha agredido alguém", declarou o ex-vereador.
Ele também acusou o pai de Henry, Leniel Borel, de influenciar testemunhas contra ele. Segundo o réu, depoimentos de ex-companheiras surgiram após contatos feitos por pessoas ligadas à acusação.
Jairinho chegou a afirmar que Natasha e familiares participaram ativamente de sua campanha eleitoral em 2020 e mantiveram boa relação com ele por anos.
Traições, mas não violência
Durante o depoimento, Jairinho admitiu ter mantido relacionamentos extraconjugais e reconheceu que traiu diferentes companheiras.
"Coisas que eu fiz de errado foram as traições com mulheres. Foi um caminho errado a se tomar", afirmou.
Ele também confirmou ter traído a ex-mulher, Ana Carolina, com Débora e classificou a separação como um dos maiores arrependimentos da vida. "Um dos grandes arrependimentos da minha vida foi não ter permanecido casado com Ana Carolina."
Ao comentar um boletim de ocorrência registrado pela ex-mulher, negou agressão física e afirmou que apenas a segurou durante uma discussão.
Traições, mas não violência
Durante o depoimento, Jairinho admitiu ter mantido relacionamentos extraconjugais e reconheceu que traiu diferentes companheiras.
"Coisas que eu fiz de errado foram as traições com mulheres. Foi um caminho errado a se tomar", afirmou.
Ele também confirmou ter traído a ex-mulher, Ana Carolina, com Débora e classificou a separação como um dos maiores arrependimentos da vida. "Um dos grandes arrependimentos da minha vida foi não ter permanecido casado com Ana Carolina."
Ao comentar um boletim de ocorrência registrado pela ex-mulher, negou agressão física e afirmou que apenas a segurou durante uma discussão.
Jairinho admite 'bandas'
Ao abordar diretamente episódios envolvendo Henry, Jairinho fez uma das revelações mais importantes de seu interrogatório. Pela primeira vez, admitiu ter dado "bandas" , espécie de rasteira ou derrubada, no menino em ocasiões anteriores.
No entanto, negou que isso tenha ocorrido na data considerada central pela acusação. "Não dei banda no dia 12 de fevereiro. Tinha dado antes", alegou.
Segundo o ex-vereador, naquele dia ele ficou sozinho com Henry por poucos minutos enquanto Monique estava no salão de beleza.
A acusação sustenta que a criança saiu do quarto abatida e mancando após permanecer sozinha com o padrasto. A versão é baseada principalmente no relato da babá Thayná Oliveira Ferreira e em mensagens trocadas por ela na época.
A defesa exibiu aos jurados o vídeo gravado pela babá naquele dia. "Tudo por conta de prints do telefone da babá. Quando eu leio aquilo, vejo uma percepção abstrata dela sobre o que acha que aconteceu. Quando o Henry sai do quarto, ele não está chorando".
Críticas à investigação
Em diversos momentos, Jairinho criticou a condução das investigações. Segundo ele, provas relevantes teriam sido ignoradas e outras linhas investigativas não foram aprofundadas.
O ex-vereador mencionou um acidente de em um carro de aplicativo envolvendo Leniel e Henry poucos dias antes da morte do menino e afirmou que circunstâncias ocorridas nas 72 horas anteriores ao crime não teriam sido devidamente analisadas. "Não tem como aquela laceração ter acontecido naquele apartamento", declarou ao questionar conclusões periciais.
'O que eu mais queria era que ele estivesse aqui'
Em um dos momentos mais emocionados do depoimento, Jairinho chorou ao falar sobre Henry. "O que eu mais queria no mundo era que ele estivesse aqui. Eu queria que ele voltasse. Eu não aguento mais."
O ex-vereador também questionou a relevância dada ao depoimento da babá para a construção da acusação. "A régua para medir o sofrimento do Henry é a Thayná? A percepção abstrata dela é que vai definir tudo isso?"
O caso
Henry Borel morreu na madrugada do dia 8 de março de 2021, aos 4 anos, após dar entrada sem vida no Hospital Barra D'Or, na Zona Oeste do Rio.
O Ministério Público acusa Jairinho de homicídio triplamente qualificado, tortura e outros crimes relacionados à morte do menino. Monique responde por participação nos crimes, sob a acusação de omissão diante das agressões sofridas pelo filho.
A acusação sustenta que Henry foi submetido a uma sequência de violências físicas semanas antes da morte. A defesa dos réus nega que tenha havido agressões e afirma que as conclusões apresentadas pela investigação não encontram respaldo nas provas produzidas durante o julgamento.
O júri entrou em seu nono dia com os interrogatórios dos dois réus, última fase da instrução antes dos debates entre acusação e defesa e da decisão dos jurados.
Ao abordar diretamente episódios envolvendo Henry, Jairinho fez uma das revelações mais importantes de seu interrogatório. Pela primeira vez, admitiu ter dado "bandas" , espécie de rasteira ou derrubada, no menino em ocasiões anteriores.
No entanto, negou que isso tenha ocorrido na data considerada central pela acusação. "Não dei banda no dia 12 de fevereiro. Tinha dado antes", alegou.
Segundo o ex-vereador, naquele dia ele ficou sozinho com Henry por poucos minutos enquanto Monique estava no salão de beleza.
A acusação sustenta que a criança saiu do quarto abatida e mancando após permanecer sozinha com o padrasto. A versão é baseada principalmente no relato da babá Thayná Oliveira Ferreira e em mensagens trocadas por ela na época.
A defesa exibiu aos jurados o vídeo gravado pela babá naquele dia. "Tudo por conta de prints do telefone da babá. Quando eu leio aquilo, vejo uma percepção abstrata dela sobre o que acha que aconteceu. Quando o Henry sai do quarto, ele não está chorando".
Críticas à investigação
Em diversos momentos, Jairinho criticou a condução das investigações. Segundo ele, provas relevantes teriam sido ignoradas e outras linhas investigativas não foram aprofundadas.
O ex-vereador mencionou um acidente de em um carro de aplicativo envolvendo Leniel e Henry poucos dias antes da morte do menino e afirmou que circunstâncias ocorridas nas 72 horas anteriores ao crime não teriam sido devidamente analisadas. "Não tem como aquela laceração ter acontecido naquele apartamento", declarou ao questionar conclusões periciais.
'O que eu mais queria era que ele estivesse aqui'
Em um dos momentos mais emocionados do depoimento, Jairinho chorou ao falar sobre Henry. "O que eu mais queria no mundo era que ele estivesse aqui. Eu queria que ele voltasse. Eu não aguento mais."
O ex-vereador também questionou a relevância dada ao depoimento da babá para a construção da acusação. "A régua para medir o sofrimento do Henry é a Thayná? A percepção abstrata dela é que vai definir tudo isso?"
O caso
Henry Borel morreu na madrugada do dia 8 de março de 2021, aos 4 anos, após dar entrada sem vida no Hospital Barra D'Or, na Zona Oeste do Rio.
O Ministério Público acusa Jairinho de homicídio triplamente qualificado, tortura e outros crimes relacionados à morte do menino. Monique responde por participação nos crimes, sob a acusação de omissão diante das agressões sofridas pelo filho.
A acusação sustenta que Henry foi submetido a uma sequência de violências físicas semanas antes da morte. A defesa dos réus nega que tenha havido agressões e afirma que as conclusões apresentadas pela investigação não encontram respaldo nas provas produzidas durante o julgamento.
O júri entrou em seu nono dia com os interrogatórios dos dois réus, última fase da instrução antes dos debates entre acusação e defesa e da decisão dos jurados.
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