Publicado 03/06/2026 20:22
Rio - Após as sustentações das defesas de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e de Monique Medeiros, o Ministério Público do Rio (MPRJ) e a assistência de acusação apresentaram nesta quarta-feira (3) a réplica no julgamento do caso Henry Borel. Em discursos marcados por forte apelo emocional e pela exibição de imagens do menino momentos antes de chegar ao hospital, acusadores rebateram os argumentos apresentados pelos advogados dos réus e reforçaram o pedido de condenação.
Durante a manifestação, os promotores sustentaram que a defesa de Jairinho tenta inverter responsabilidades e construir uma narrativa sem respaldo nas provas reunidas ao longo da investigação. Segundo o MP, embora tenha existido a corrida em carro de aplicativo mencionada pela defesa para sustentar a hipótese de um acidente anterior à morte da criança, não há elementos que indiquem que Henry tenha sido entregue à mãe lesionado.
PublicidadeDurante a manifestação, os promotores sustentaram que a defesa de Jairinho tenta inverter responsabilidades e construir uma narrativa sem respaldo nas provas reunidas ao longo da investigação. Segundo o MP, embora tenha existido a corrida em carro de aplicativo mencionada pela defesa para sustentar a hipótese de um acidente anterior à morte da criança, não há elementos que indiquem que Henry tenha sido entregue à mãe lesionado.
"A defesa precisa criar uma história, um factóide, uma falácia. Senão, não teria tese", afirmou um dos promotores.
Os representantes da acusação também contestaram a tentativa da defesa de levantar suspeitas sobre a atuação da perita Gabriela Graça e sobre as atualizações dos laudos periciais produzidos pelo Instituto Médico-Legal.
Para os promotores, desde o primeiro exame a conclusão sobre a causa da morte permaneceu a mesma: hemorragia interna provocada por ação contundente, incompatível com acidentes domésticos.
Acusação exibe imagem de Henry e diz que menino chegou morto ao hospital
Um dos momentos mais impactantes da réplica ocorreu quando a assistência de acusação exibiu aos jurados imagens de Henry entrando no elevador do edifício onde morava com a mãe e Jairinho, pouco antes de ser levado ao hospital.
Ao comentar as imagens, os assistentes afirmaram que o estado da criança evidenciava a gravidade das agressões sofridas. "Não há dúvida alguma de que Henry chegou morto ao hospital. Não há dúvida alguma de que sofreu as lesões dentro do apartamento".
Os advogados que representam a família Borel também ressaltaram os laudos que apontaram múltiplas lesões na cabeça, laceração hepática, hemorragia interna e outros ferimentos incompatíveis com quedas acidentais.
Segundo eles, a tese defensiva apresentada por Jairinho não encontra respaldo nos depoimentos técnicos prestados durante o julgamento.
Ministério Público acusa Monique de minimizar agressões e acobertar Jairinho
Grande parte da réplica foi dedicada à atuação de Monique. Os promotores sustentaram que a mãe de Henry tinha conhecimento das agressões sofridas pela criança antes da noite da morte e, mesmo assim, não adotou qualquer medida para protegê-lo.
A acusação relembrou depoimentos da babá, Thayná de Oliveira Ferreira, de familiares e de testemunhas que relataram episódios anteriores de violência atribuídos a Jairinho.
Segundo os promotores, a ex-professora minimizou os relatos recebidos e permitiu que a criança continuasse convivendo com o então companheiro. "Bastava um único ato. Tirar o garoto dali. Foi o que outras mulheres fizeram quando sofreram violência dele", afirmou um dos integrantes da acusação.
Também sustentaram que Monique participou do acobertamento dos fatos após a morte do filho. Foram citadas pesquisas realizadas pela ré sobre como apagar mensagens, consultas sobre como aparentar ser uma boa mãe e o fato de ela ter mantido o relacionamento com Jairinho mesmo após afirmar que acreditava que ele havia matado Henry. "O que separou o casal não foi a morte do Henry. Foi a cadeia", declarou a acusação.
Debate entre acusação e defesa gera tensão no plenário
Durante a réplica houve momentos de tensão entre os advogados. Em determinado momento, o advogado Hugo Novais, defensor de Monique, discutiu com integrantes da acusação após referências feitas ao caso Isabela Nardoni.
A assistência também criticou falas da defesa relacionadas à vida pessoal de Leniel Borel e de pessoas próximas a ele, incluindo comentários sobre Mônica Renault, apontada pelos advogados como mulher com quem ele mantinha relacionamento após a morte do filho. Para os acusadores, essas abordagens tentam desviar o foco dos fatos centrais do processo.
Assistente de acusação faz discurso emocionado
Nos momentos finais da réplica, uma das advogadas da família Borel fez um pronunciamento emocionado ao lembrar os cinco anos de luta judicial desde a morte de Henry. Ela afirmou que o processo representa a vida da família e rebateu a tese de que a investigação teria sido fruto de uma armação articulada por Leniel.
A fala foi seguida pela exibição de novos trechos de depoimentos e vídeos já apresentados ao longo do julgamento.
Ao encerrar a manifestação, os representantes da acusação afirmaram ter convicção de que o conjunto probatório demonstra que Jairinho praticou as agressões fatais contra Henry e que Monique foi omissa, minimizou os episódios de violência e contribuiu para o acobertamento dos fatos.
O décimo dia do julgamento foi dedicado aos debates finais entre acusação e defesa. Pela manhã, o assistente de acusação Cristiano Medina classificou Jairinho como um homem que sentia prazer em causar sofrimento a crianças e sustentou que Monique não poderia ser absolvida pela omissão diante das agressões sofridas pelo filho.
Na sequência, a defesa da ex-professora alegou que ela está sendo julgada apenas por ser mãe de Henry e afirmou que não havia elementos que permitissem prever a morte da criança. Os advogados também contestaram críticas feitas ao comportamento da ré após o crime.
Já a defesa de Jairinho centrou sua estratégia em questionar a credibilidade da investigação policial, dos laudos periciais e de testemunhas. Os advogados sustentaram que Leniel Borel teria influenciado a produção de provas, reunido ex-companheiras do ex-vereador e conduzido uma campanha para incriminá-lo.
Após as manifestações defensivas, Ministério Público e assistentes de acusação iniciaram a réplica, rebatendo os argumentos apresentados e reforçando o pedido de condenação dos dois réus.
Relembre o caso Henry Borel
Henry Borel Medeiros, de 4 anos, morreu na madrugada de 8 de março de 2021 após dar entrada em um hospital da Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio. As investigações concluíram que o menino foi vítima de diversas agressões dentro do apartamento onde vivia com a mãe e o então namorado dela.
Segundo a denúncia do MP, Jairinho submeteu Henry a sucessivas agressões físicas que culminaram em sua morte. Já Monique é acusada de omissão, por não impedir as agressões apesar de ter conhecimento dos episódios anteriores.
O ex-vereador é acusado de homicídio triplamente qualificado, tortura, coação de testemunhas e fraude processual. Monique responde por homicídio por omissão imprópria, sob a acusação de ter deixado de agir para proteger o filho mesmo diante de sinais de agressões. Os dois negam os crimes.
Os representantes da acusação também contestaram a tentativa da defesa de levantar suspeitas sobre a atuação da perita Gabriela Graça e sobre as atualizações dos laudos periciais produzidos pelo Instituto Médico-Legal.
Para os promotores, desde o primeiro exame a conclusão sobre a causa da morte permaneceu a mesma: hemorragia interna provocada por ação contundente, incompatível com acidentes domésticos.
Acusação exibe imagem de Henry e diz que menino chegou morto ao hospital
Um dos momentos mais impactantes da réplica ocorreu quando a assistência de acusação exibiu aos jurados imagens de Henry entrando no elevador do edifício onde morava com a mãe e Jairinho, pouco antes de ser levado ao hospital.
Ao comentar as imagens, os assistentes afirmaram que o estado da criança evidenciava a gravidade das agressões sofridas. "Não há dúvida alguma de que Henry chegou morto ao hospital. Não há dúvida alguma de que sofreu as lesões dentro do apartamento".
Os advogados que representam a família Borel também ressaltaram os laudos que apontaram múltiplas lesões na cabeça, laceração hepática, hemorragia interna e outros ferimentos incompatíveis com quedas acidentais.
Segundo eles, a tese defensiva apresentada por Jairinho não encontra respaldo nos depoimentos técnicos prestados durante o julgamento.
Ministério Público acusa Monique de minimizar agressões e acobertar Jairinho
Grande parte da réplica foi dedicada à atuação de Monique. Os promotores sustentaram que a mãe de Henry tinha conhecimento das agressões sofridas pela criança antes da noite da morte e, mesmo assim, não adotou qualquer medida para protegê-lo.
A acusação relembrou depoimentos da babá, Thayná de Oliveira Ferreira, de familiares e de testemunhas que relataram episódios anteriores de violência atribuídos a Jairinho.
Segundo os promotores, a ex-professora minimizou os relatos recebidos e permitiu que a criança continuasse convivendo com o então companheiro. "Bastava um único ato. Tirar o garoto dali. Foi o que outras mulheres fizeram quando sofreram violência dele", afirmou um dos integrantes da acusação.
Também sustentaram que Monique participou do acobertamento dos fatos após a morte do filho. Foram citadas pesquisas realizadas pela ré sobre como apagar mensagens, consultas sobre como aparentar ser uma boa mãe e o fato de ela ter mantido o relacionamento com Jairinho mesmo após afirmar que acreditava que ele havia matado Henry. "O que separou o casal não foi a morte do Henry. Foi a cadeia", declarou a acusação.
Debate entre acusação e defesa gera tensão no plenário
Durante a réplica houve momentos de tensão entre os advogados. Em determinado momento, o advogado Hugo Novais, defensor de Monique, discutiu com integrantes da acusação após referências feitas ao caso Isabela Nardoni.
A assistência também criticou falas da defesa relacionadas à vida pessoal de Leniel Borel e de pessoas próximas a ele, incluindo comentários sobre Mônica Renault, apontada pelos advogados como mulher com quem ele mantinha relacionamento após a morte do filho. Para os acusadores, essas abordagens tentam desviar o foco dos fatos centrais do processo.
Assistente de acusação faz discurso emocionado
Nos momentos finais da réplica, uma das advogadas da família Borel fez um pronunciamento emocionado ao lembrar os cinco anos de luta judicial desde a morte de Henry. Ela afirmou que o processo representa a vida da família e rebateu a tese de que a investigação teria sido fruto de uma armação articulada por Leniel.
A fala foi seguida pela exibição de novos trechos de depoimentos e vídeos já apresentados ao longo do julgamento.
Ao encerrar a manifestação, os representantes da acusação afirmaram ter convicção de que o conjunto probatório demonstra que Jairinho praticou as agressões fatais contra Henry e que Monique foi omissa, minimizou os episódios de violência e contribuiu para o acobertamento dos fatos.
O décimo dia do julgamento foi dedicado aos debates finais entre acusação e defesa. Pela manhã, o assistente de acusação Cristiano Medina classificou Jairinho como um homem que sentia prazer em causar sofrimento a crianças e sustentou que Monique não poderia ser absolvida pela omissão diante das agressões sofridas pelo filho.
Na sequência, a defesa da ex-professora alegou que ela está sendo julgada apenas por ser mãe de Henry e afirmou que não havia elementos que permitissem prever a morte da criança. Os advogados também contestaram críticas feitas ao comportamento da ré após o crime.
Já a defesa de Jairinho centrou sua estratégia em questionar a credibilidade da investigação policial, dos laudos periciais e de testemunhas. Os advogados sustentaram que Leniel Borel teria influenciado a produção de provas, reunido ex-companheiras do ex-vereador e conduzido uma campanha para incriminá-lo.
Após as manifestações defensivas, Ministério Público e assistentes de acusação iniciaram a réplica, rebatendo os argumentos apresentados e reforçando o pedido de condenação dos dois réus.
Relembre o caso Henry Borel
Henry Borel Medeiros, de 4 anos, morreu na madrugada de 8 de março de 2021 após dar entrada em um hospital da Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio. As investigações concluíram que o menino foi vítima de diversas agressões dentro do apartamento onde vivia com a mãe e o então namorado dela.
Segundo a denúncia do MP, Jairinho submeteu Henry a sucessivas agressões físicas que culminaram em sua morte. Já Monique é acusada de omissão, por não impedir as agressões apesar de ter conhecimento dos episódios anteriores.
O ex-vereador é acusado de homicídio triplamente qualificado, tortura, coação de testemunhas e fraude processual. Monique responde por homicídio por omissão imprópria, sob a acusação de ter deixado de agir para proteger o filho mesmo diante de sinais de agressões. Os dois negam os crimes.
Após dez dias de julgamento, o júri entra em sua fase decisiva. A expectativa é que, após o encerramento das discussões e eventuais tréplicas das defesas, os jurados se reúnam em sala secreta para votar os quesitos que definirão o destino dos réus. A sentença deve ser anunciada ainda nesta quarta-feira ou durante a madrugada de quinta-feira.
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