Publicado 17/06/2026 09:34 | Atualizado 17/06/2026 09:47
Rio - A Justiça do Rio começa, na tarde desta quarta-feira (17), o júri popular de Elton Hilton Herculano de Lima, acusado de matar asfixiada a namorada Rosângela da Silva Santos do Nascimento, de 41 anos, no Cachambi, na Zona Norte, em março de 2023. O laudo de necrópsia também apontou que a médica do Exército foi intoxicada.
PublicidadeO crime aconteceu em um apartamento na Rua Ferreira de Andrade. Durante as investigações, realizadas pela 23ª DP (Méier), os agentes identificaram elementos que apontaram que o homem asfixiou a vítima e montou um cenário indicando que ela teria se matado.
Em depoimentos, familiares e vizinhos destacaram que Rosângela tinha um relacionamento conflituoso com o acusado, marcado por brigas, ofensas e ameaças. A médica teria manifestado uma vontade de terminar a relação, mas tinha medo por ser ameaçada pelo companheiro.
Inicialmente, Elton alegou que Rosângela havia tentado suicídio. O laudo de necropsia apontou que a vítima morreu por asfixia e intoxicação exógena. Segundo o documento, um exame toxicológico encontrou duas substâncias no corpo que levam à depressão respiratória central, o que explica a intoxicação. O corpo também tinha sinais de asfixia na região cervical, correspondendo a constrição externa no pescoço.
De acordo com o inquérito, o réu teria forjado a morte de Rosângela para se apropriar dos bens da militar. Algumas das ações do homem, como a ida em um cartório para registrar a união estável unilateral pós morte e a requisição de pensão do Exército, levantaram as suspeitas para a família de Rosângela.
Elton está preso desde setembro de 2024. Ele responde pelo crime de feminicídio.
Esperança por justiça
Ao DIA, Roberta Ferreira, cunhada de Rosângela, contou que deseja que o júri reconheça a gravidade do crime e que a sentença honre a memória da médica.
"Aguardamos que o julgamento seja conduzido com todo o rigor que a lei exige. Feminicídio não pode ser minimizado. É um crime bárbaro que ceifou uma vida que tanto valia. A Rosângela não era apenas nossa familiar, era uma capitã médica do Exército brasileiro, uma mulher forte, dedicada e amada. Sua vida merece mais do que palavras. Merece justiça. Que o julgamento mostre que nenhuma vida feminina pode ser tirada sem consequências", destacou.
Rosângela trabalhava no Hospital Central do Exército (HCE), em Benfica, na Zona Norte. Ela era capitã médica e fazia pós-graduação para oficiais médicos em Anestesiologia.
A reportagem tenta localizar a defesa de Elton. O espaço está aberto para manifestação.
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