Publicado 17/06/2026 19:47 | Atualizado 17/06/2026 19:47
Rio - Moradores das ruas Ribeirão Preto, Hélion Póvoa e Olegário Mariano, na Tijuca, Zona Norte, denunciam que estão sem abastecimento regular de água desde o início do mês. Segundo os relatos, o problema estaria relacionado a falhas em uma elevatória localizada na Rua Uruguai, responsável por bombear água para as vias situadas em áreas mais altas do bairro.
PublicidadeOs moradores afirmam que já registraram diversos protocolos junto à concessionária Águas do Rio, mas dizem não ter recebido uma solução definitiva. Em alguns imóveis, a água não chega; em outros, chega com pressão insuficiente para abastecer caixas d’água e cisternas.
O servidor público Marcello Vargas conta que está sem água desde o dia 2 de junho. "A rua inteira enfrenta o problema, mas a concessionária sequer reconhece a falha. Quando ligamos, eles dizem que está tudo normal. Já abrimos inúmeros protocolos e nada é resolvido. O mais revoltante é que esse problema acontece praticamente toda semana desde que me mudei para cá, há três anos", critica.
Segundo ele, a situação obrigou os moradores a improvisarem para realizar atividades básicas. "A gente conseguiu lavar louça e dar descarga usando água da chuva e da piscina. Eu já precisei tomar banho na academia. Tenho cisterna, mas depois de tantos dias sem abastecimento ela acaba. O serviço é terrível. Parece que a gente reclama e ninguém está nem aí. A conta chega certinha, mas a água não", desabafa.
Marcello também afirma que os moradores estudam ingressar com uma ação coletiva contra a Águas do Rio.
"Estamos nos organizando para procurar a Defensoria e entrar na Justiça. É um problema recorrente que prejudica demais a vida de todo mundo aqui", argumenta.
O analista de sistemas Luiz Eduardo Guimarães Gomez acredita que a origem do problema esteja na elevatória que atende a região
"Temos três ruas envolvidas nessa situação. Em algumas casas a água não chega, em outras chega com pouca pressão e não consegue subir para as caixas. Esse problema provavelmente está relacionado à bomba que fica na Rua Uruguai, em frente ao Country Clube da Tijuca. É algo que acontece há muitos anos", relata.
Ele afirma que técnicos já estiveram na região, mas o abastecimento continua comprometido. "Eles aparecem, medem a pressão do hidrômetro, dizem que vão resolver e nada acontece. Estamos sem qualquer previsão de normalização", comenta.
Luiz destaca ainda que a situação afeta centenas de moradores, incluindo idosos e famílias com crianças.
"São dezenas de casas e até prédios na região. Tem muita gente idosa e famílias inteiras sofrendo com a falta d’água. Nem o fornecimento de caminhão-pipa consegue atender adequadamente porque as ruas são muito íngremes. Já mandei e-mail, fui na ouvidoria, reclamei muito e nada", reclama.
Moradora da Rua Ribeirão Preto desde a infância, Kathleen de Araujo Lima Cardoso afirma que convive com problemas de abastecimento há muitos anos. "Minha família se mudou para cá nos anos 60 e já faltava água naquela época. O principal problema sempre foi essa bomba que leva água para as ruas mais altas. Quando falta água, a bomba desliga e, quando o abastecimento retorna, muitas vezes ela não é religada. Somos nós que precisamos avisar a concessionária que continuamos sem água", conta.
Atualmente, segundo ela, o abastecimento é insuficiente até para encher as caixas d’água.
"Estou sem água desde o dia 1°. Estamos comprando água mineral, pagando para lavar roupa fora de casa e economizando cada gota que entra na cisterna. Nos sentimos esquecidos", pontua.
Problema já havia sido denunciado em fevereiro
A situação não é inédita. Em fevereiro deste ano, moradores das mesmas ruas denunciaram para O DIA as interrupções frequentes no abastecimento de água. Na ocasião, relatos semelhantes apontavam falhas na mesma elevatória da Rua Uruguai e sucessivos períodos sem fornecimento regular. O serviço só foi normalizado um dia depois da reportagem.
Por meio de nota, a concessionária Águas do Rio informou que vai enviar uma equipe aos endereços citados para verificar a ocorrência.
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