Moradores estão sem água há uma semana na TijucaReprodução

Rio – Moradores da Tijuca, na Zona Norte, vem sofrendo com falta d'água há mais de uma semana. De acordo com relatos, o problema tem acontecido com mais intensidade nas ruas Olegário Mariano, Hélion Póvoa e Ribeirão Preto, gerando diversos transtornos. 
Ao DIA, o servidor público Marcello Vargas, de 42 anos, morador da Rua Hélion Póvoa, diz que a situação é frequente no bairro.
“Eu moro aqui com minha mulher já tem dois anos, e desde que nos mudamos, não tivemos duas semanas seguidas de abastecimento ininterrupto. Estamos sem água desde a última segunda-feira (26) e, por saber desse problema recorrente, sempre olho no relógio da cisterna aqui de casa se está entrando água, mas à tarde já não estava mais. Dois dias depois [28], nós pensamos: 'A água deve voltar amanhã, ou mais tarde, eles podem estar fazendo uma manutenção de rotina, porque sempre falta mesmo’... Mas quando não voltou a gente já fez um protocolo, ligou e informou para a Águas do Rio da falta. E eles demoram, falam que demoram até 48 horas para virem ao local... Ficou assim a semana inteira, inclusive, está assim agora, ainda estamos sem água”, relata.
Inconformado com a situação e a falta de resolução, Marcello revela que pretende mover uma ação judicial contra a concessionária. “A gente está pensando em entrar com uma ação coletiva, mas olha o transtorno que a gente vai ter que passar. Tem que entrar com uma medida para ter direito a ter água, que a gente paga. Sabe, é bizarro! É um transtorno gigantesco”.
Para o analista de sistemas Luiz Eduardo Guimarães, 69, morador na Rua Ribeirão Preto, a falta de água deixa a rotina insustentável. 
“Moro aqui com minha família, tem uma senhora de 93 anos. Abri um chamado junto à Ouvidoria no dia 27 de janeiro e, para responderem, eles têm cinco dias úteis, mas termina hoje [terça]. Estamos com problema na bomba elevatória na Rua Uruguai, que fornece água para essas outras ruas, e isso afeta centenas de pessoas, inclusive quem não tem cisterna. Os técnicos só vieram verificar o problema da bomba no sábado (31), e ainda não resolveram. É um problema recorrente, há anos é assim", diz Luiz Eduardo, que completa: "Sem água, não dá para fazer comida, ter higiene básica. Vou formalizar essa situação no Reclame Aqui e em outros órgãos.”
Essa também é a situação de Bruna Galo, gerente administrativa, de 47 anos, que reside na mesma rua que Luiz Eduardo: "É, verdadeiramente, uma vergonha. Está muito difícil, não aguentamos mais, isso precisa ser resolvido de uma vez por todas. Em momento algum a Águas do Rio nos concede desconto pelo tempo do serviço não prestado. No mês de janeiro foram praticamente 10 dias sem entrar água nas casas pelo mesmo problema. Não queremos carro-pipa, queremos que o problema seja resolvido!”.
“Isso nos prejudica de várias maneiras, compramos água em galões para poder cozinhar, lavar louça. Moramos em uma ladeira e são muito pesados os galões, para ficar subindo escadas. Temos que tomar banho na casa dos outros... enfim, vários transtornos. Além disso, temos dois cachorros, imagina o quintal!”, frisa Bruna. 
Procurada para comentar as reclamações, a Águas do Rio informou que técnicos estão atuando na elevatória que atende a região das ruas mencionadas na reportagem. A previsão, segundo a empresa, é que o serviço seja finalizado ainda nesta terça-feira (3). Em seguida, o abastecimento será normalizado.
 
*Reportagem da estagiária Ágatha Araújo, sob supervisão de Raphael Perucci