O destino do trajeto é o Gabinete do Prefeito (GBP)Érica Martin / Agência O Dia
O protesto ocorre após o Tribunal de Justiça suspender, no último dia 28, a lei que garantia a maior vida útil aos amarelinhos. Na semana passada, taxistas já haviam outra manifestação contra a medida, alegando que a proibição compromete o sustento de trabalhadores que não têm condições financeiras de trocar o veículo.
“Desde a pandemia, a categoria vem atravessando perdas consideráveis de rendimento. Muitos ficaram inadimplentes, ainda estão recuperando score e não conseguem entrar em financiamento. Quando a lei extinguiu a vida útil do táxi, a maioria optou por reformar o carro, investindo até R$ 20 mil, porque um carro novo hoje não sai por menos de R$ 100 mil”, afirmou Jota Santos, de 61 anos, organizador da carreata.
“Hoje, os carros com mais de dez anos estão bloqueados pela prefeitura. Quem trabalha está sujeito à fiscalização, multas pesadas e até à apreensão do veículo. Estamos falando de mais de 15 mil taxistas diretamente impactados”, complementou o taxista.
Ainda de acordo com o organizador do protesto, o perfil de diversos taxistas mudou quando o decreto municipal autorizou a entrada de veículos fabricados a partir de 2015. “Muita gente comprou carro usado de 2015 ou 2016 no ano passado, financiou em até 60 vezes, confiando na lei. Agora, no meio do pagamento, não pode mais trabalhar”, afirmou.
Outro líder do ato, Ricardo Barbosa, mais conhecido como Gordão, destacou que a manifestação ocorreu de forma pacífica. “Nós não queremos confronto. Queremos que o prefeito respeite a categoria e faça valer a lei. Muitos taxistas reformaram motor, pintura, bancos, e hoje não têm condições de trocar de carro, principalmente os mais idosos”, ponderou.
Taxistas também contestaram o argumento da prefeitura de que veículos antigos seriam mais poluentes. Com 27 anos de profissão, Vinícius Souza, 50, afirmou que a maioria dos táxis utiliza GNV e são fiscalizados de forma rigorosa anualmente. “Esses carros passam por vistoria do Inmetro todo ano. São verificados gases poluentes, suspensão, pneus, luzes, cinto de segurança. Se não estiver aprovado, não roda. Então dizer que polui mais não procede”.
Os manifestantes contaram ainda que não houve diálogo prévio com a categoria antes da suspensão da lei. “A gente soube pela imprensa e pelo Diário Oficial. Não houve conversa. Isso criou uma insegurança jurídica enorme. Hoje, a confiança na prefeitura é zero”, disse Jota Santos.
O DIA procurou a Secretaria Municipal de Transportes, que afirmou que a demanda deveria ser encaminhada à assessoria da prefeitura. Esta, porém, ainda não retornou o contato da reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.







Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.