Pastor Carlos Wesley Domingues encontrou diversos projéteis na entrada da igrejafotos Reginaldo Pimenta
Publicado 23/06/2026 11:53 | Atualizado 23/06/2026 14:42
Rio - "É um tempo bem difícil. Membros da igreja tiveram que ficar deitados no chão [de casa]. Ter que viver esse tipo de circunstância nos entristece o coração". O desabafo do pastor Carlos Wesley Domingues, de 59 anos, que ouviu os intensos tiroteios ocorridos durante a operação na comunidade Santa Marta, em Botafogo, na Zona Sul, mostra o que moradores passaram no início da manhã desta terça-feira (23). A Polícia Civil realizou uma ação para prender envolvidos com o Comando Vermelho.
Publicidade
Carlos Wesley é um dos líderes religiosos da Igreja Metodista em Botafogo, localizada na Rua São Clemente. O pastor, que mora há um 1 km da comunidade, conseguiu escutar os tiros da própria casa. Quando chegou no templo, o homem recolheu diversos projéteis. Tiros acertaram a grade do espaço e o vidro da entrada.
"Graças a Deus, a igreja estava vazia, mas é algo bem preocupante de passarmos. É muito triste saber que tiros passaram próximo a nós, chegando no ambiente em que circulamos. O Senhor nos guardou. Pessoas, que moram na comunidade, mandaram mensagem falando que estavam no chão, que havia muito tiro e barulho. Como igreja, estamos em oração", contou ao DIA.
Para Carlos, o cenário de violência que assola a cidade do Rio, se espalhando para comunidades da Zona Sul, preocupa. Segundo ele, é difícil ter expectativas de melhora.
"Há bastante tempo isso não acontece aqui. É algo que entristece o coração. A tristeza não é pela igreja ser atingida, mas pela situação em que vivemos. A gente bota o vidro no lugar, tira o que tem que tirar, mas o que entristece é ver que há membros da igreja que passam por isso de perto, ficam deitados no chão, se assustam e ficam nervosos. Como igrejas que somos, oramos e cremos que possa haver um avivamento. Que haja arrependimento no coração das pessoas, que o amor possa fluir no coração, que a gente possa conter esse mal. Parece algo utópico, mas a gente confia no Senhor", completou.
Além do templo, prédios residenciais e carros também foram atingidos por disparos. Tiros acertaram e quebraram para-brisas de, ao menos, dois veículos.
Uma bala perdida atingiu um passageiro dentro de um ônibus. A vítima estava em um coletivo da linha 410 (Saens Pena x Gávea). O homem recebeu socorro, sendo encaminhado ao Hospital Municipal Miguel Couto, no Leblon, também na Zona Sul. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), o paciente foi liberado após atendimento.
Turistas tiveram que se proteger dos disparos enquanto visitavam o Mirante Dona Marta, famoso ponto turístico da região, bastante procurado para ver o nascer do Sol com vista panorâmica da cidade.
A Operação
Policiais civis atuaram na comunidade Santa Marta para prender envolvidos com o Comando Vermelho. As equipes detiveram seis pessoas e apreenderam drogas, anotações do tráfico e uma granada.
Segundo a corporação, a ação foi resultado de uma investigação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Capital (DRE-CAP), desenvolvida por 22 meses, que identificou alvos estratégicos ligados à estrutura e à logística da facção.
As apurações descobriram o responsável pela administração das atividades criminosas, como a coordenação do tráfico de drogas, a distribuição das funções entre integrantes e a manutenção do domínio territorial armado na localidade.
O objetivo era cumprir 44 mandados de prisão e 98 de busca e apreensão. Alguns alvos da ação já estavam encarcerados. A quadra da Mocidade Unida do Santa Marta, da Série Prata, foi um dos endereços revistados por policiais.
Leia mais