Eduardo de Jesus Ferreira tinha 10 anos e estava na porta de casa quando foi atingido Reprodução
Publicado 27/06/2026 09:15 | Atualizado 27/06/2026 12:09
Rio - O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou, nesta sexta-feira (26), dois policiais militares pela morte de Eduardo de Jesus Ferreira, 10 anos. Em abril de 2015, o menino foi atingido por um disparo de fuzil durante uma ação policial no Complexo do Alemão, na Zona Norte.
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A denúncia foi apresentada pela 1ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Especializada do Núcleo Rio de Janeiro contra os policiais Rafael de Freitas Monteiro Rodrigues e Marcus Vinicius Nogueira Bevitori. Eles são acusados de homicídio qualificado.
Segundo o MPRJ, Eduardo estava sentado na entrada de casa, na localidade conhecida como Ping Pong, quando foi atingido. A Promotoria sustenta que os disparos partiram de uma distância aproximada de quatro metros e que o menino foi baleado pelas costas, circunstâncias que, de acordo com a denúncia, impossibilitaram qualquer chance de defesa da vítima.
Além de pedir que os dois policiais sejam levados a julgamento pelo Tribunal do Júri, o Ministério Público também requereu a condenação deles ao pagamento de uma indenização mínima de R$ 1 milhão pelos danos causados à família.
A morte de Eduardo teve grande repercussão à época. Em 2016, o caso foi arquivado após o inquérito da Polícia Civil concluir que os agentes agiram em legítima defesa durante um confronto armado na comunidade e que o disparo que atingiu o menino teria ocorrido de forma acidental. Familiares e testemunhas, porém, contestaram essa versão desde o início das investigações.
De acordo com a Promotoria, o laudo pericial elaborado no dia do crime apontou que não foram encontrados estojos, cápsulas de munição ou qualquer outro vestígio que indicasse a ocorrência de um confronto entre policiais e criminosos. Ainda assim, o processo foi arquivado pela 2ª Câmara Criminal, sob o entendimento de que não havia elementos suficientes para o prosseguimento da ação penal.
A investigação foi reaberta em 2024 após a apresentação de novos elementos pela mãe de Eduardo, Terezinha de Jesus, que continuou buscando a responsabilização dos envolvidos ao longo dos anos.
A reportagem de O DIA tenta contato com as defesas de Rafael de Freitas Monteiro Rodrigues e Marcus Vinicius Nogueira Bevitori. O jornal também procurou a PM para comentar o caso. O espaço segue aberto para manifestações.
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