Ponto de ônibus em Del Castilho registra longas filasReginaldo Pimenta/Agência O DIA
Publicado 30/06/2026 09:56 | Atualizado 30/06/2026 11:30
Rio - Passageiros voltaram a enfrentar longas filas à espera de ônibus em diversos pontos da cidade durante o segundo dia da greve de ônibus que acontece nesta terça-feira (30). Segundo o Rio Ônibus, apenas 1400 coletivos circulam pelo município.

Já a Mobi-Rio informa que dos 541 articulados projetados para operar na hora pico nesta terça-feira (entre 6h e 7h), um total de 361 estavam em circulação. Esse número representa 67% da operação programada.
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Em um ponto de ônibus em frente ao Shopping Nova América, em Del Castilho, passageiros esperam horas para embarcar. No local, a analista de departamento pessoal Dayse Vinhas, 42 anos, tentava chegar ao trabalho desde às 7h30 e até as 9h20 ainda não havia conseguido pegar a linha 613.

"Estou desde às 7h30 tentando ir para o trabalho. Vim para o Nova América, onde pego outro ônibus, e estou aqui esperando há praticamente meia hora. Mas tem gente que já espera há mais de 1h30. Saí de casa às 7h20 e, geralmente, o trajeto é rápido quando tem ônibus. Entro às 9h e já estou atrasada. O 613 é o ônibus que a maioria das pessoas pega, deveria ter muito mais carros", disse.
Na antiga Estação Leopoldina, na Avenida Francisco Bicalho, o vendedor Roberto Antunes, de 31 anos, optou por uma moto por aplicativo para conseguir chegar ao trabalho.

"Estou tendo que ir de moto por aplicativo porque o ônibus não passou. É muito complicado. A gente entende o direito do trabalhador de lutar pelos próprios direitos, mas nós, trabalhadores de outros segmentos, também ficamos prejudicados. Essa corrida de moto sou eu quem está pagando, então já gera um custo a mais para mim. No fim das contas, os trabalhadores sempre saem prejudicados", afirmou.
A gerente de loja Suelen de Matos, 37 anos, saiu de São Gonçalo, na Região Metropolitana, e também precisou buscar outras alternativas para ir trabalhar.

"Estou chamando uma moto por aplicativo porque é a melhor opção neste momento, mas estou tendo que tirar esse dinheiro do meu bolso. Eu precisava chegar ao trabalho por volta das 8h20 ou 8h30, e já são quase 10h. É complicadíssimo", destacou.
A cuidadora Lucimar Amaral, de 45 anos, esperava no ponto há 30 minutos. Além da demora, ela revelou que os veículos que aparecem estão lotados.

"Eu já estou atrasada. Essa greve atrapalha, mas eu acho que as pessoas têm que reivindicar o que é bom para si próprio. Se eles estão fazendo isso, acho que eles querem algo bom pra eles, alguma coisa assim. Eu sai de casa 7h, moro na Baixada, de lá pra cá até que teve ônibus, mas quando chega aqui vem muito cheio, passou um e não tinha como entrar. A oferta está pequena, então, com a demora, vem lotado, e ou você vai ou espera mais 40 minutos", frisou.
A confeiteira Denise Martins, 55 anos, desisitiu de esperar e optou por um carro de aplicativo.

"Ontem eu não trabalhei, mas hoje já estou atrasada. Eu vou pegar o 602, mas não chegou até agora. Eu vim de Brás de Pina, e estou indo para Tijuca, tive que pegar um aplicativo e isso gera um custo maior e eu que vou pagar", acrescentou.

Nas redes sociais, usuários compartilham ainda terminais do BRT completamente lotados. Deodoro, na Zona Oeste, enfrenta longas filas desde às 6h. O mesmo acontece no Curral Falso, em Santa Cruz, e na Taquara, na Zona Sudoeste.

A prefeitura da cidade orienta a população para que dê preferência ao deslocamento por metrô, trens e barcas, serviços que operam normalmente e representam alternativas para o deslocamento no município.
De acordo com o Sindicato dos Rodoviários, a categoria vai participar de uma audiência de mediação com Tribunal Regional do Trabalho, às 11h desta terça (30). Logo em seguida, às 11h30 haverá uma assembleia com os rodoviários.
Segundo o presidente da instituição, Sebastião José, a expectativa é que os motoristas já saiam de lá com uma proposta de acordo para por fim a greve. A categoria reivindica reajuste salarial, alegando que os vencimentos estão defasados e cobram melhores condições de trabalho, com a instalação de banheiros e bebedouros nos terminais. Além disso, os trabalhadores também denunciam o aumento da violência, com sequestros e a utilização dos veículos como barricadas.
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