Publicado 02/07/2026 09:51 | Atualizado 02/07/2026 11:43
Rio - Passageiros de um ponto na Praça Sáenz Peña, na Tijuca, Zona Norte, afirmaram que a circulação de ônibus está normalizando aos poucos, na manhã desta quinta-feira (2). Rodoviários suspenderam a greve, que durou três dias, até a próxima audiência no Tribunal Regional do Trabalho (TRT).
PublicidadeAo DIA, o assistente de projetos Lucas Ramos, de 30 anos, contou que o serviço melhorou em comparação aos últimos dias. Morador da Tijuca, o homem precisa pegar ônibus para ir ao trabalho, no Jardim Botânico, na Zona Sul. Apesar do retorno da circulação, ele destacou que poderia ser melhor.
"Acho que hoje está ok, o número de ônibus. Está funcionando, na medida do possível. As outras linhas vi que normalizaram, mas a que eu pego, da Tijuca para o Jardim Botânico, é um problema porque é a cada uma hora ou 40 minutos que passa. Hoje, está até um pouco mais porque tem quatro ônibus rodando e, geralmente, são seis", comentou.
Lucas explicou que, na terça-feira (30) e na quarta-feira (1º), precisou pegar um carro de aplicativo para chegar ao trabalho.
"Eu trabalho presencialmente de terça a sexta e [a greve] me prejudicou sim. Precisei pegar um Uber para trabalhar, senão eu ia chegar muito atrasado ou nem ia chegar por conta da dificuldade. Na terça, vim da Zona Oeste, o que foi pior ainda. Foi um caos, não tinha ônibus para o Jardim Botânico direto", contou.
Raqueli Cavalcante, de 37 anos, comentou que, devido à ausência de ônibus, não conseguiu ir trabalhar na terça-feira (30). Já nesta quinta, percebeu melhora na circulação. A auxiliar de Departamento Pessoal (DP) mora em Jacarepaguá, na Zona Sudoeste, e trabalha no Rio Comprido, na região central.
"Na segunda (29), foi tranquilo porque foi ponto facultativo. Na terça, não consegui vir trabalhar. Não tinha condição. Não teve condução. Ontem [quarta], consegui vir na metade do dia. Hoje [quinta], foi um pouco mais tranquilo, mas, de Jacarepaguá para cá, está um pouco demorado ainda. Estou esperando o 416 (Sáenz Peña x Horto). Ele demora um pouco mais mesmo, mas deu uma melhorada sim", disse.
No Terminal Américo Fontenelle, ao lado da estação de trem da Central do Brasil, na região central do Rio, passageiros também notaram diferenças em comparação aos últimos dias. A cozinheira Telma Félix, de 40 anos, moradora de Niterói, na Região Metropolitana, decidiu embarcar fora do horário de pico para evitar coletivos cheios durante a retomada da circulação.
"Ontem [quarta], fui para Botafogo. Estava tudo muito cheio. A gente trabalha com muita mercadoria porque trabalhamos em cozinhas, então evitamos metrô. Hoje, a gente saiu do horário de pico, saímos mais tarde de casa, para evitar [imprevistos]. A gente passa pela Central todo dia para trabalhar em Copacabana e Leblon. Esses últimos dias foram um caos", disse.
Moradora de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, a costureira Deilza de Oliveira, de 54 anos, esperou cinco minutos para embarcar em um ônibus da linha 313 (Penha x Tiradentes).
"Trabalho em São Cristóvão. Para a Baixada, onde moro, foi um pouco difícil, na segunda (29). Esperei uns 40 minutos para ir para Caxias. Hoje [quinta], vim fazer um ajuste no RioCard. Estou testando para ver como está", comentou.
A técnica de enfermagem Hílen Azevedo, de 35 anos, notou uma diminuição no tempo de espera. "Do Grajaú para cá, fiquei uns 30 minutos esperando, quase 40, na segunda. Hoje, foi só 10 minutos", explicou.
Maria Clara Lima, de 19 anos, moradora de Ramos, Zona Norte do Rio, percebeu um fluxo maior de ônibus. "Está tudo normal, graças a Deus. Dá para perceber mais fluxo. Na greve, foi um caos, estava super lotado. Na segunda, meu amigo não conseguiu nem trabalhar porque tinha pouco ônibus e muita gente. Ele ficou em casa e a empresa até descontou dele", ressaltou.
No ponto da Estação Leopoldina, no Centro, o advogado Leonardo Neves, de 41 anos, percebeu variedade nas linhas de ônibus. "Hoje está normal. Estou esperando o 301. Tô vendo bastante 606 e outros. Vim da Ilha do Governador e tem bastante ônibus", comentou.
De acordo com a Prefeitura do Rio, até às 6h30, 100% da frota do BRT, com 632 articulados, e 98% da frota dos coletivos comuns, com 3.401 veículos, estavam em operação.
Suspensão da greve
Na noite desta quarta-feira (1º), rodoviários decidiram suspender a greve até a próxima segunda-feira (6), quando acontecerá uma nova audiência no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-RJ). Apesar da suspensão do movimento, o estado de greve foi mantido.
Horas antes, representantes do Sindicato dos Rodoviários e do Sindicato das Empresas de Ônibus da Cidade do Rio (Rio Ônibus) participaram de uma audiência no TRT na tentativa de chegar a um acordo. A proposta apresentada prevê o reajuste salarial de 4,39%, além do mesmo percentual de aumento no valor da cesta básica. Também foi acordado que os dias de paralisação não serão descontados na folha de pagamento.
Segundo o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sebastião José, apesar de toda a insatisfação, os trabalhadores decidiram acatar o pedido do Ministério Público do Rio (MPRJ) e suspender a greve.
"Caso não seja apresentada uma proposta decente, os trabalhadores voltam a cruzar os braços na próxima semana. Foi uma assembleia muito tensa e difícil. Os rodoviários estão revoltados com a atual condição de trabalho da categoria. Infelizmente falta sensibilidade aos empresários e quem paga essa conta são os usuários, que em sua grande maioria entenderam e apoiam a situação e os motivos dessa reação dos motoristas", disse o presidente.
Sebastião afirmou ainda que a categoria não irá recuar das propostas aprovadas e encaminhadas para o Rio Ônibus, que é a mudança da data base para 1º de março, salário de R$ 5 mil para motoristas que dirigem articulados e R$ 4 mil para os demais motoristas, fim do contrato temporário e contratação pela CLT para os profissionais do BRT, ticket alimentação de R$ 1 mil, jornada de trabalho 5x2, manutenção do passe livre para a categoria, indenização dos 30 minutos do intervalo almoço, além de plano de saúde e odontológico.
Leia mais

Comentários
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.