Passageiros de ponto na Praça Sáenz Peña relatam começo de normalidade no serviço de ônibusReginaldo Pimenta / Agência O Dia

Rio - Após a suspensão da greve dos rodoviários, os ônibus voltaram a circular normalmente na cidade, na manhã desta quinta-feira (2), segundo o Sindicato das Empresas de Ônibus da Cidade do Rio (Rio Ônibus).
Na noite desta quarta-feira (1º), a categoria decidiu suspender a paralisação, que ocorreu por três dias, até a próxima segunda-feira (6), quando acontecerá uma nova audiência no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-RJ). Apesar da suspensão do movimento, o estado de greve foi mantido.
Em nota, o Rio Ônibus agradeceu a volta dos motoristas. "A frota de ônibus está rodando normalmente nesta manhã. Agradecemos aos motoristas e rodoviários que compareceram ao trabalho ao longo dos últimos três dias e orientamos que todos se dirijam as garagens e seus respectivos postos de trabalho normalmente nessa quinta-feira", diz o texto.
A Prefeitura do Rio também informou que a circulação dos ônibus municipais voltou ao normal. De acordo com o órgão, às 6h30, 100% da frota do BRT, com 632 articulados, e 98% da frota dos coletivos comuns, com 3.401 veículos, estavam em operação.
A média diária de circulação para o horário é de 632 articulados e 3.464 ônibus comuns.
 
Trégua
Nesta quarta-feira (1º), representantes do Sindicato dos Rodoviários e do Rio Ônibus participaram de uma audiência no TRT na tentativa de chegar a um acordo. A proposta apresentada prevê o reajuste salarial de 4,39%, além do mesmo percentual de aumento no valor da cesta básica. Também foi acordado que os dias de paralisação não serão descontados na folha de pagamento dos trabalhadores.
Segundo o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sebastião José, apesar de toda a insatisfação, os trabalhadores decidiram acatar o pedido do Ministério Público e seguir com a suspensão da greve até a próxima audiência, na segunda-feira (6).
"Caso não seja apresentada uma proposta decente, os trabalhadores voltam a cruzar os braços na próxima semana. Foi uma assembleia muito tensa e difícil. Os rodoviários estão revoltados com a atual condição de trabalho da categoria. Infelizmente falta sensibilidade aos empresários e quem paga essa conta são os usuários, que em sua grande maioria entenderam e apoiam a situação e os motivos dessa reação dos motoristas", disse o presidente.
Sebastião afirmou ainda que a categoria não irá recuar das propostas aprovadas e encaminhadas para o Rio Ônibus, que é a mudança da data base para 1º de março, salário de R$ 5 mil para motoristas que dirigem articulados e R$ 4 mil para os demais motoristas, fim do contrato temporário e contratação pela CLT para os profissionais do BRT, ticket alimentação de R$ 1 mil, jornada de trabalho 5x2, manutenção do passe livre para a categoria, indenização dos 30 minutos do intervalo almoço, além de plano de saúde e odontológico.
Ato isolado
Motoristas da viação Palmares, com garagem em Cosmos, na Zona Oeste, não foram às ruas no início da manhã devido a salários e benefícios atrasados. O ato não tem relação com as manifestações feitas pelo Sindicato dos Rodoviários, que enviou uma equipe ao local para contornar a situação.
Em setembro do ano passado, ao menos 30 linhas que circulam pelas zonas Norte e Oeste do Rio tiveram a circulação suspensa.