Publicado 03/07/2026 14:37 | Atualizado 03/07/2026 17:10
Rio - Familiares e amigos do eletricista Douglas Marques Miguel, 34 anos, relataram que a mulher da vítima ameaçou o marido momentos antes dele ter 80% do corpo incendiado em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, na madrugada entre domingo (28) e segunda-feira (29). Ele chegou a ser socorrido e encaminhado ao Hospital Geral de Nova Iguaçu, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na terça-feira (30).
PublicidadeDouglas mantinha um relacionamento com a mulher havia cerca de nove anos e deixa dois filhos, de 7 e 5 anos. Primo da vítima, Raphael Meirelles afirmou que a versão apresentada pela mulher à família levantou suspeitas desde o início. Segundo ele, ela entrou em contato com um dos irmãos de Douglas, na segunda-feira, para informar que o eletricista estava internado com queimaduras graves.
A mulher do eletricista relatou que, após voltar de uma festa, entre duas e três horas da madrugada, Douglas teria dito que acenderia a churrasqueira para aproveitar o último dia de férias. Ela afirmou que entrou em casa e, ao retornar, encontrou o marido pegando fogo no chão. Então, decidiu arrastá-lo até um chuveiro e acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Emergência (Samu). A versão, no entanto, não convenceu a família.
"Desde o início, eu achei a situação muito estranha, porque a gente sempre faz churrasco, sempre acendemos a churrasqueira, e nunca usamos álcool. E ela não tinha nenhuma queimadura na parte interior do braço, só estava com uma queimadura na parte exterior. Se ela tivesse realmente segurado ele, ela teria algum tipo de queimadura na parte interior do braço. Isso já acendeu o nosso alerta", afirmou Raphael.
Na terça-feira, ao ver informações sobre os ferimentos de Douglas por meio das redes sociais, uma mulher que participou da confraternização com a vítima procurou a família para relatar outra versão dos fatos. A testemunha contou que a suspeita teria aparecido na festa por volta das 2h e ameaçado o marido, afirmando que colocaria fogo nele e nas roupas dele.
"A vizinha disse que a história da mulher do Douglas não tinha nada a ver com o que tinha acontecido. Ela disse que o Douglas estava no churrasco desde cedo e, por volta de duas horas, a esposa chegou na festa já agredindo ele, tacando pedra e dizendo que, quando ele chegasse em casa, iria tacar fogo nas roupas dele e nele. Eles já tinham brigas constantes. Provavelmente o Douglas não acreditou que realmente ela fosse fazer isso, e eles foram pra casa", disse o primo do eletricista.
Raphael também afirmou que episódios de violência no relacionamento eram recorrentes e conhecidos por pessoas próximas. "Uma vez, a gente fez um churrasco na casa dos meus pais e ela agrediu ele, agarrou ele pelo pescoço. Na época, a gente até brincou sobre isso, porque a gente não sabia dessa situação toda. Mas os vizinhos deles dizem que ela já tentou esfaquear ele, pegou uma chave de fenda pra enfiar nele", disse.
Raphael também afirmou que episódios de violência no relacionamento eram recorrentes e conhecidos por pessoas próximas. "Uma vez, a gente fez um churrasco na casa dos meus pais e ela agrediu ele, agarrou ele pelo pescoço. Na época, a gente até brincou sobre isso, porque a gente não sabia dessa situação toda. Mas os vizinhos deles dizem que ela já tentou esfaquear ele, pegou uma chave de fenda pra enfiar nele", disse.
Segundo o primo, Douglas desejava colocar fim ao relacionamento, mas permanecia na relação por causa dos filhos. "Os irmãos sempre comentavam que ele queria terminar o relacionamento, mas era muito apegado aos filhos e não conseguia largar dela por causa disso. Ele sempre quis ser pai", contou.
Ao lembrar da vítima, Raphael destacou o perfil tranquilo e trabalhador do primo. "Nós crescemos juntos. Douglas era uma excelente pessoa. Era aquele cara bobão, grandão, brincalhão. Tanto é que, se você vier aqui no bairro, todas as pessoas vão falar bem dele. Não tem exceção. Era uma excelente pessoa, super brincalhão, super trabalhador", finalizou.
A Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense segue com as investigações para esclarecer as circunstâncias da morte e identificar o autor do crime. Douglas foi sepultado nesta quarta-feira (1º), no Cemitério de Carlos Sampaio, no bairro de Austin, e familiares relataram que a mulher não esteve presente na despedida, o que levantou mais suspeitas.
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