Suspeitos foram preso no Rio e em Santa Bárbara d'Oeste, no interior de São PauloDivulgação / PCERJ
Publicado 15/07/2026 10:21 | Atualizado 15/07/2026 12:22
Rio - A Polícia Civil prendeu, nesta quarta-feira (15), dois homens envolvidos no golpe do falso advogado. Segundo as investigações, Lucas Ferreira Tenório, detido em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, e Lucas Paes Leite Camargo, encontrado em Santa Bárbara d'Oeste, interior de São Paulo, teriam gerado um prejuízo de cerca de R$ 65 mil para a vítima. Os dois foram capturados na Operação Fake Lawyer, da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI).

As apurações tiveram início em junho de 2025, quando a vítima relatou ter caído no golpe do falso advogado. Na ocasião, ela havia sido convencida a fazer transferências bancárias referentes a um processo judicial em curso que supostamente teria ganhado.
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"A vítima acreditou, porque de fato ela tinha um processo em andamento, e deu continuidade às conversas. Inclusive, o valor informado que ela tinha direito a receber era compatível com o processo. Ela foi direcionada a falar com outra pessoa, em tese um procurador do Tribunal de Justiça, para explicar como seria esse procedimento de retirada do dinheiro. Eles foram induzindo a vítima até fizesse as transferências bancárias. Ela não conseguiu fazer de uma vez só, porque tinha um limite diário do Pix. Nesse momento, a secretária pessoal da vítima percebeu que poderia ser um golpe e alertou-a. Ela parou de fazer as transferências e veio até a delegacia", explicou a delegada Camila Meirelles Pegorim, titular da DRCI.

As transferências bancárias tiveram os dois suspeitos como beneficiários. Após afastamento do sigilo dos dados, os agentes identificaram que Lucas Camargo foi o beneficiário direto dos valores obtidos por meio da fraude, já que os registros de acesso à conta bancária indicaram que ela havia sido utilizada a partir de uma conexão de internet instalada no endereço dele, em São Paulo.

Em relação a Lucas Tenório, ficou constatado que a conta utilizada no crime foi aberta por ele próprio, com documento de identidade, mas com uso de mecanismos para burlar os sistemas de segurança de reconhecimento facial da instituição financeira. Durante as investigações, os agentes identificaram uma extensa ficha criminal dele, que já foi, inclusive, preso em flagrante e condenado por roubo.

Os dois suspeitos ainda respondem a outro procedimento policial por fatos semelhantes, com o mesmo modus operandi. Diante das provas reunidas, a autoridade policial representou pela prisão da dupla, que foi indiciada por estelionato, denunciada ao Ministério Público e teve a prisão preventiva decretada pela Justiça.
A Polícia Civil alerta que neste tipo de golpe os criminosos utilizam dados de processos judiciais, perfis falsos em redes sociais e aplicativos de mensagens para enganar vítimas, causando consideráveis prejuízos financeiros e comprometendo a confiança no sistema de Justiça. 
"Toda vez que alguém fizer contato com você, seja por telefone, aplicativo de mensagem ou e-mail, e informe que você tem um valor a receber de algum órgão estatal e você der andamento a essa conversa, acreditando que seja o seu próprio advogado ou que seja verdade, se algum momento orientarem que você a fazer alguma transferência bancária, não faça esse pagamento, não faça essa transferência. A praxe não é essa. Interrompa imediatamente a conversa e tente contato direto com o seu advogado, seja por ligação, chamada de vídeo ou contato pessoal, mas não faça essa transferência bancária", orienta a delegada.
Caso o golpe seja concretizado, a corporação orienta que a vítima registre ocorrência para que a situação seja investigada individualmente, permitindo a identificação dos autores e a responsabilização criminal.
Por meio de nota, a OAB-RJ manifestou apoio à Operação Fake Lawyer. "Desde o ano passado, já recebemos 2.106 denúncias sobre esse tipo golpe. É muito importante que as pessoas desconfiem de pedidos de pagamentos ou de transferências via Pix relacionadas a algum processo na Justiça. Procure sempre o seu advogado para checar a veracidade das informações", orientou a presidente da seccional, Ana Tereza Basilio.
A reportagem do DIA não localizou a defesa dos suspeitos até a publicação deste texto. O espaço segue aberto para manifestações.
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