Despedida de Pedro Ely Cordeiro dos Santos aconteceu no Cemitério São João Batista, em BotafogoReginaldo Pimenta / Agência O DIA
Publicado 16/07/2026 17:00
Rio - Familiares e amigos se despediram do advogado Pedro Ely Cordeiro dos Santos, de 43 anos, no Cemitério São João Batista, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, nesta quinta-feira (16). Muito emocionados, eles não quiseram conversar com a imprensa. A vítima foi encontrada morta após desaparecer em São Paulo, na semana passada.
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O advogado foi achado sem vida na última sexta-feira (10), data em que desapareceu, mas foi reconhecido pela Polícia Civil de SP apenas na terça-feira (14), já que estava sem os documentos ou quaisquer outros pertences, através de exame papiloscópico (de impressões digitais).

Pedro Ely havia sido visto pela última vez por volta de 0h40 de sexta-feira após sair com um amigo para assistir ao jogo da Copa do Mundo em um bar da Vila Madalena, na Zona Oeste da capital paulista. Hospedado no Hotel Mercure JK, na Vila Olímpia, o advogado não retornou ao local. O último registro de atividade em sua conta no WhatsApp ocorreu por volta das 5h daquele dia.

Segundo o registro de ocorrência, a vítima e o amigo pegaram um carro de aplicativo no início da madrugada de sexta-feira, por volta de 0h30, e foram da Rua Aspicuelta, na Vila Madalena, até a Rua Canário, em Moema, na zona sul, onde o colega de Pedro desembarcaria.

A corrida foi encerrada à 0h48, e o combinado era que Pedro seguiria para o seu hotel, na Vila Olímpia, em outro carro de aplicativo. Esse amigo, porém, não sabe informar se o advogado realmente desembarcou para solicitar outro veículo ou se permaneceu no mesmo carro.

A Polícia Militar foi acionada ainda naquela madrugada para uma ocorrência na Rua Fradique Coutinho, em Pinheiros, também na Zona Oeste. No local, encontraram um homem caído na via. Inicialmente, acreditava-se que ele teria passado mal antes de cair.

Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionada e constatou a morte no local. Ele estava com as pupilas dilatadas, havia vomitado e não apresentava sinais de violência pelo corpo.

A principal hipótese da morte de Pedro Ely é o golpe conhecido como “Boa Noite, Cinderela”. A polícia ainda investiga duas transações financeiras que teriam sido feitas nas contas bancárias da vítima após o crime: uma no valor de R$ 20, no centro de São Paulo, para a compra de cigarros e cerveja, e outra de R$ 9.800, que acabou não sendo concluída devido a um bloqueio feito pelo aplicativo. Ambas as movimentações teriam acontecido na madrugada de domingo (12).

“Quem fez isso provavelmente exagerou na dose a ponto de acontecer essa fatalidade. Agora as diligências continuam para tentar localizar a pessoa que cometeu esse crime”, disse o advogado contratado pela família de Pedro, Marcelo Martins Ferreira, ao Estadão.

De acordo com Ferreira, o golpe do "Boa noite, Cinderela" - que consiste em dopar a vítima por meio da adulteração de bebida - pode ter acontecido depois do retorno de Pedro para a região da Vila Madalena.

"Tem um delay de duas horas, que foi o momento em que ele foi para Moema e voltou para a Vila Madalena. E, quando voltou, foi encontrado pela população", disse o defensor.

Segundo o advogado da família de Pedro, a motorista do veículo de aplicativo o teria levado de volta ao local de onde ele partiu com o amigo, na Rua Aspicuelta. Testemunhas teriam visto a vítima passando mal e se deitando no chão na Rua Fradique Coutinho, que, apesar de estar localizada em Pinheiros, fica a poucos metros da Rua Aspicuelta.

O caso foi registrado no 14º Distrito Policial (Pinheiros) como morte suspeita. A Polícia Civil aguarda a conclusão dos laudos periciais para determinar a causa da morte e esclarecer as circunstâncias do caso.
*Com informações de Estadão Conteúdo
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